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Aposta sustentável

Renault Duster ganha novo visual e mantém aposta na conjunção de robustez e preço

por Eduardo Rocha

18/03/2020 - 04h17

Fotos: Divulgação

Na frente, o farol manteve o formato trapezoidal, mas ganhou uma assinatura em led no formato de "C", que também tem função de luz de condução diurna

A Renault está satisfeita em como estão as coisas. A estratégia adotada pela marca vem ampliando a participação no mercado ano a ano. Cada modelo na gama da marca cumpre um papel nesta escalada. O Duster tem a função de ser o SUV de entrada, robusto, com preço atraente e conteúdo bastante racional. Não há uma peça no exterior no novo que seja igual à utilizada no velho Duster, embora o estilo seja idêntico. Manteve a mesma motorização, a mesma plataforma, e o mesmo valor na tabela de preços para as versões, que apenas ganharam novas designações. Os preços começam em R$ 71.790, para a versão Zen com câmbio manual, passam pelos R$ 83.490 da Intense e chegam aos R$ 87.490 da Iconic.

Na nova gama, a única motorização disponível é a 1.6 SCe, com 118/120 cv, que trabalha normalmente com CVT. Não foi agora que o modelo ganhou o motor 1.33 litro turbo. Por enquanto, o motor 2.0 e também o sistema de tração 4X4 saem de cena. E apesar da manutenção dos valores, o Duster ganhou alguns conteúdos novos. Na versão mais barata, a novidade é o controle de estabilidade e tração, que até aqui só equipava modelos com câmbio CVT, o sistema Start/Stop e vidros elétricos nas quatro portas. A versão pode receber opcional o câmbio automático, que eleva o preço para R$ 77.790, e ainda o Pack Techno, composto por sistema multimídia, controle de cruzeiro, faróis de neblina e rodas de liga leve por R$ 3 mil, o que totaliza R$ 80.790.

A versão intermediária Intense sai a R$ 83.490 e por esses R$ 2.500 adicionais em relação à Zen completa, ele acrescenta ar automático digital, câmera de ré, sensor de estacionamento e sistema de roteamento para até cinco aparelhos Easylink. Como opcionais, pode receber revestimento em couro sintético e o Pack Outsider, composto por proteção frontal com faróis de longo alcance, alargadores de paralama e friso na porta. Completo, fica em R$ 89.490. A versão de topo Iconic começa em R$ 87.490 adiciona recursos como sistema Multiview - um conjunto com quatro câmeras que focam o entorno do carro -, alerta de ponto cego, sensor de luminosidade, chave-cartão presencial para travas e ignição e rodas de alumínio aro 17. Com os mesmos opcionais na versão Intense, o preço sobe para R$ 91.490.

Na parte visual, a frente mudou de forma sutil. A grade foi alterada e nas imagens aparece sempre a versão Iconic com o opcional Pack Ousider, que cria uma enorme protuberância no para-choque dianteiro. A maior mudança na parte estrutural foi na inclinação da coluna dianteira, que ficou com o ângulo de 27,2º, ou 3,4º mais agudo.

Esta alteração implica numa mudança no desenho das portas, dos para-lamas e do teto. O capô ganhou um segundo vinco que contorna toda a peça e a tampa traseira também foi alterada, até para acomodar as novas lanternas, quadradas e com o desenho de uma cruz na divisão das seções, em um desenho não muito original.

Ponto a ponto

Desempenho - O conhecido motor 1.6 SCe de 120 cv move o Duster sem surpresas. É honesto, mas não emociona. O câmbio CVT tem reações rápidas o suficiente para que não transpareça falta de força no uso normal. Em subidas mais íngremes ou com carga plena, não há mágica. Os quase 1.300 kg do modelo abusam um pouco dos 16,2 kgfm de torque máximo. Nota 7.

Estabilidade - A suspensão do Duster é bem acertada, mas não como evitar os efeitos colaterais da altura elevada, como um pouco de rolagem lateral quando forçado ou uma pequena flutuação em velocidades mais elevadas. O controle eletrônico de estabilidade e tração, que já equipava as unidades com câmbio CVT, passa a ser de série em toda a gama e tem uma atuação discreta. Nota 8.

Interatividade - O novo interior do Duster ficou mais amigável. A tela do sistema multimídia está agora mais elevada, o que melhor o acesso visual, e ligeiramente maior, com 8 polegadas em vez de 7. Nesta versão de topo, o carro ganhou alguns recursos úteis, como sensor de ponto cego e luminosidade, sistema de monitoramento com quatro câmeras e volante multifuncional mais completo. Nota 8.

Consumo - O Programa de Etiquetagem Veicular do InMetro detectou uma melhora sutil na eficiência do Duster com câmbio CVT, com consumo de 7,2/7,8 km/l na cidade/estrada com etanol e 10,7/11,1 km/l com gasolina, nas mesmas condições. Isso representa notas "B" em sua categoria e "C" no geral. Os valores apresentados pelo computador de bordo não chegaram nem perto disso. Ficou em torno de 5,5 km/h com etanol. Nota 7.

Tecnologia - Quando foi lançado em 2010, a plataforma do Duster era a B Zero, da Dacia, e já tinha um tempo de estrada - estava nos modelos da marca desde 2002. E continua a mesma. Ela recebeu alguns reforços estruturais para não fazer muito feio nos novos testes de impacto, mas como está na estrutura de um modelo lançado em 2020, vai sobreviver pelo menos até 2027, quando completará um quarto de século. O motor 1.6 e a transmissão CVT, de origem Nissan, são bem conhecidos. Em relação à segurança, o Duster ganhou sensor de ponto cego. Além dele, tem apenas o que é obrigatório por lei agora ou no futuro imediato, como airbag duplo, apoio de cabeça e cinto de três pontos para todos os assentos, controle de estabilidade e ABS. Na parte de conectividade, a versão Iconic passa a contar com um roteador no sistema multimídia. Em compensação, perdeu o GPS nativo. Nota 6.

Conforto - O espaço é bom para pernas e cabeças, tanto à frente quanto atrás. A suspensão absorve bem os desníveis dos pisos brasileiros e o isolamento acústico é bom - quase não se ouve o barulho do motor quando não se pisa com força no acelerador. O modelo ganhou novos bancos dianteiros, mais encorpados, que seguram melhor o corpo dos ocupantes. Nota 9.

Habitabilidade - Há bons porta-objetos a bordo e um porta-malas bem espaçoso, capaz de carregar 475 litros. Internamente, o Duster ganhou painéis mais agradáveis ao toque, com design mais limpo e menos tosco que no antecessor. Os acessos são facilitados pela altura elevada, mas não exagerada, do veículo. Nota 8.

Acabamento - Com a reforma do Duster, o aspecto que misturava extrema robustez com uma certa rudeza foi bem suavizado. Não passa mais a impressão de que o habitáculo poderia ser lavado com uma mangueira d'água, mas também não chegou ao ponto de se transformar no que se define como "SUV Nutella". Há ainda muitos plásticos rígidos, mas agora recebem detalhes em prata ou cromado. Apesar de não haver requinte, a qualidade e a montagem dos materiais é aparentemente. Nota 7.

Design - O Duster mudou um pouquinho em cada aspecto visual. A alteração mais marcante foi na inclinação da coluna dianteira e na lanterna traseira, mais quadrada - é impossível não fazer uma associação com a do Jeep Renegade. A ideia foi preservar a imagem mais robusta, sem se preocupar com modismos de design. E, de fato, o estilo quadradão cumpre a função de garantir uma fatia de mercado. Nota 8.

Custo/Benefício - O Renault Duster Iconic 1.6 CVT custa R$ 87.490, um preço bastante competitivo no segmento em que atua, considerando sua lista de itens de série. Ele é bem parelho com o Ford EcoSport SE, mas briga com alguma vantagem no conteúdo com versões intermediárias de modelos como Jeep Renegade, Nissan Kicks e Hyundai Creta. Nota 8.

Total - O Renault Duster Iconic 1.6 CVT somou 76 pontos de 100 possíveis.

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