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22/07/07 00:00 - Geral

Relógio da igreja de sanatório será recuperado após 46 anos

Rodrigo Ferrari
Numa manhã qualquer do ano 1961- ou talvez à noite, não se sabe ao certo -, por volta das 10h30, ele parou e nunca mais voltou a funcionar. Suas peças e engrenagens, tomadas pela ferrugem, pareciam estar condenadas por toda a eternidade. Após um período tão longo de abandono, ninguém acreditaria que o relógio da igreja do antigo Asilo-Colônia Aymorés pudesse voltar à vida.

Dias atrás, porém, contrariando a natureza básica dos relógios - que é, justamente, a de jamais agir em oposição à lógica -, o velho mecanismo resolveu surpreender.

“Eu estava no alto da torre e resolvi dar um puxão no pêndulo do relógio (uma espécie de tambor de metal, com 30 centímetros de altura e 60 quilos, amarrada a um cabo de aço). Ao fazer isso, escutei uma espécie de tic-tac. Pensei: ‘Agora é comigo. Vou dar um jeito nessa geringonça’”, conta Jaime Prado, 54 anos, repórter cinematográfico do Hospital Lauro de Souza Lima (instituição que sucedeu o antigo Asilo-Colônia, considerada hoje referência internacional no tratamento de doenças dermatológicas pela Organização Mundial de Saúde), um dos responsáveis pelo “milagre da ressurreição relógio”.

Prado decidiu desmontar o complicado mecanismo fabricado na Capital pelos irmãos Micheline, provavelmente no final dos anos 40. Depois disso, limpou e engraxou as peças uma a uma. Embora tivesse boa vontade, o cinegrafista logo percebeu que não era muito versado na arte das engenhocas.

Para poder remontar a relíquia, ele precisou recorrer ao auxílio de um profissional gabaritado, o relojoeiro Renato Papassoni, 69 anos, que dedicou várias décadas de sua vida ao conserto e restauração de marcadores de horas e afins.

Nos últimos dias, os dois têm trabalhado com afinco no processo para recuperar a geringonça. Só nas semanas passada e retrasada, Prado calcula ter subido e descido as escadarias da torre de 30 metros de altura da Igreja de Nossa Senhora da Conceição pelo menos umas 100 vezes - isso sem contar uma escada de madeira, com cerca de seis metros de comprimento, que leva até o local onde o mecanismo está instalado.

Nivaldo Mercúrio, 80 anos, ex-paciente do Asilo-Colônia e um dos moradores mais antigos do local, garante que a escada, feita em peroba-rosa, foi fabricada no mesmo ano da inauguração da igreja (1951). Ele é um dos que têm se mostrado mais animados com a possibilidade do relógio voltar a funcionar.

“Antigamente, a gente era acostumado a ouvir o sino da igreja de longe. Esse relógio fazia parte de nosso dia-a-dia. Tomara que consigam consertá-lo. Ele estava fazendo falta”, diz ele, que é natural de Itápolis (90 quilômetros de Bauru) e vive no antigo Asilo-Colônia desde 1945.




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