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16/02/10 02:00 - Cultura

Voltou!

Cartola foi o auge dos desfiles na volta da festa ao Sambódromo com arquibancadas lotadas

Adilson Camargo
À 1h12, quando soaram os primeiros acordes do cavaquinho de Jefferson Peçanha, enquanto a escola de samba Acadêmicos do Cartola se aquecia para entrar no Sambódromo, o frisson provocado no público já deu uma ideia do que estava por vir. Depois de oito anos sem dançar ao som do samba enredo de uma das escolas mais tradicionais de Bauru, que conquistou seis títulos, era visível a ansiedade dos foliões.



Oito minutos mais tarde, soou a sirene avisando que os portões de entrada da avenida estava se abrindo para o Cartola. A arquibancada foi ao delírio. O público ficou em pé, cantou e dançou do início ao fim da apresentação. No entanto, o som deixou um pouco a desejar até a metade do desfile.



Quem estava na frente do carro de som não conseguia ouvir muito bem a letra do samba enredo. Isso porque só estavam funcionando as caixas de som voltadas para trás. Assim, as vozes dos intérpretes eram encobertas pelo som da bateria, que vinha à frente. Quem ficava para trás do carro de som tinha uma noção melhor do que estava sendo cantado. Problema que foi resolvido no decorrer do desfile.



Fora esse pequeno detalhe, o Cartola deu um show de beleza e empolgação com seus dois carros alegóricos, sete alas e o samba enredo celebrando o retorno da escola ao Carnaval de Bauru e o centenário do Noroeste e do Corinthians. Como dizia a letra do samba do Cartola “vai rolar a emoção”. E rolou. Dando-se por satisfeita, boa parte do público deixou o Sambódromo assim que a escola azul e branco encerrou sua participação.



Antes do Cartola, a escola de samba Águia de Ouro foi a escolhida para abrir os desfiles. Passava da meia-noite, e o público já dava claro sinais de cansaço após a maratona dos blocos. Enquanto as escolas se preparavam para iniciar a parte mais aguardada da festa, era comum ver pessoas bocejando na arquibancada.



Uma queima de fogos despertou o público e, aos 45 minutos da segunda-feira, começaram, enfim, os desfiles das escolas. Saudada de pé, a Águia de Ouro acabou prejudicada pela qualidade do som, que ficou muito baixo e dificultou a audição de quem estava mais distante do carro de som.



Quando a Cartola deixou a avenida, por volta das 2h30, foi a vez da escola Corinthians da Vila Nova Esperança ocupar a avenida. Coube a eles a dura missão de manter o pique do público, após a apresentação da escola seis vezes campeã do Carnaval em Bauru. Bem que eles tentaram, mas sem sucesso.



A exibição foi bastante simples. Grande parte dos integrantes era composta por crianças e adolescentes. Se o samba enredo, que também enfatizou o centenário de Noroeste e Corinthians, não empolgou, o mesmo não pode ser dito das mulatas da escola, com muito samba no pé. A bateria também aguentou firme o ritmo, mas apenas uma pequena parte dos presentes exibia energia o suficiente para continuar dançando.



Conforme o tempo foi passando, a arquibancada foi se esvaziando. Azulão do Morro veio em seguida. Com uma comissão de frente bem organizada e uma coreografia interessante, a escola chamou a atenção também pelas fantasias, que abusou das penas coloridas.



A maquiagem azul no rosto de alguns integrantes lembrava o mais recente sucesso cinematográfico, Avatar. Outro destaque foi o carro alegórico com o pássaro que simboliza a escola. O samba enredo também merece citação. Com uma estrutura poética, ele saiu do lugar-comum das homenagens, justas por sinal, ao centenário de Noroeste e Corinthians, para falar das belezas naturais do céu e do mar.





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‘Nossos pés sentem falta desse asfalto’



Cantando e celebrando a volta do Carnaval ao Sambódromo, a escola de samba Coroa Imperial entrou na avenida às 4h15, quando pouca gente ainda resistia na arquibancada. Mesmo assim, ficou o recado da escola para o bem do samba na cidade. “Escolas, vamos seguir essa lição. Mostrar que temos união. E lutamos pelo mesmo ideal. Nossos pés sentem a falta desse asfalto”, diz a letra do samba da escola verde e rosa.



Por volta das 5h30, entrava na avenida a Tradição da Zona Leste, última escola de samba a desfilar. O destaque ficou para a fantasia usada pelo funcionário público Paulo Eduardo Cardoso dos Santos. Exibido como um pavão, ele atraiu os olhares e elogios de quem permanecia firme no Sambódromo, até cessar o som do último tamborim.



Com muitas penas coloridas, o destaque de chão exibia sua beleza como se quisesse encerrar o Carnaval deste ano em Bauru de forma primorosa. Atrás dele, os integrantes da bateria vestiam modelos que lembravam a pele de onça, numa referência a África, de onde vieram os negros, o batuque, o Carnaval.



A única baixa do desfile foi a ausência da escola Mocidade Independente da Vila Falcão. Treze vezes campeã do Carnaval de Bauru, a escola chegou a confirmar presença no Sambódromo, mas brigas internas desmobilizaram os cerca de 140 integrantes. Para não dizer que a escola ficou totalmente ausente, um carro alegórico, puxado por voluntários, com apenas dois integrantes em cima, sendo que uma delas era uma criança, representou a agremiação de forma melancólica. Quem sabe nos próximos Carnavais a escola volta aos bons tempos. Bauru vai agradecer.




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