Bauru e grande região - Sábado, 17 de novembro de 2018
máx. 32° / min. 16°
08/08/10 03:00 - Bairros

Eternizados em praça pública

Wanessa Ferrari
À primeira vista, a réplica da Torre Eiffel, localizada na praça Nove de Julho, em frente ao prédio pioneiro da Instituição Toledo de Ensino (ITE), desperta dois sentimentos: a curiosidade e o questionamento.



Sem dúvida, o belo monumento, que mede 10 metros de altura e 7,1 metros de comprimento, atrai a atenção de quem passa pelo local. Desde sua inauguração, em 1978, tornou-se símbolo da faculdade. Porém, o que a Torre Eiffel, símbolo da cidade francesa Paris, tem a ver com Bauru?



Para os diretores da instituição de ensino, a resposta é simples: tudo. Isto porque o fundador da universidade, professor Antonio Eufrásio de Toledo, era admirador dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, apregoados pela Revolução Francesa (1789). Desta forma, em sua opinião, a torre era o símbolo ideal para representar e comemorar o jubileu de prata da instituição.





____________________






Pode reparar. A maioria dos bustos e monumentos que atualmente ocupam os espaços públicos da cidade foi feita e inaugurada até o final da década de 80. O último a ser instalado na cidade, por iniciativa do poder público, é o Monumento aos Expedicionários, inaugurado em 1996. De lá para cá, já se passaram 14 anos.



O declínio deste tipo de homenagens a personalidades que marcaram passagem por Bauru tem diversos motivos. Para Valcirlei Gonçalves de Souza, secretário do Meio Ambiente de Bauru, o principal deles é, sem dúvida, a depredação.



“Geralmente estas esculturas são feitas de bronze e, por conta disso, muitas são furtadas. Além disso, existe a questão do vandalismo. A prefeitura não tem como colocar vigias em todas as praças, o que facilita a pichação e a destruição”, aponta Valcirlei.



Para o escultor José dos Santos Laranjeira, autor de três monumentos e um busto instalados em Bauru, outro fator que contribuiu para que essas obras se tornassem homenagens consideradas fora de moda é a falta de escolas qualificadas e especializadas neste tipo de representação.



“São poucos os escultores com formação para fazer este tipo de trabalho. Por serem qualificados, cobram o justo pelo seu trabalho. Atualmente, o poder público pensa duas vezes antes de pagar o valor pedido pelo artista por um busto porque, logo depois, pode ter a obra exposta ao vandalismo”, analisa Laranjeira, que chega a cobrar, em média, R$ 30 mil por uma herma pronta e leva de 20 a 30 dias para produzi-la.





____________________








No passado, eles foram figuras importantes e ajudaram a construir a história de Bauru. Hoje, gozam de uma vista privilegiada, obtida com a ajuda de um pedestal. Levam uma vida de boêmio: passam o dia e a noite em áreas públicas, apenas ‘observando’ a paisagem e a movimentação. As pessoas que passam por tais personalidades não se incomodam com a ilustre presença e raramente param para admirá-los. Sinceramente, parecem que nem os notam.



Mesmo eternizados em forma de bustos, personalidades como Ruy Barbosa, Machado de Mello, Azarias Leite, Ernesto Monte, entre outros, para a maioria da população bauruense, parecem nunca ter saído do anonimato. Estão, literalmente, esquecidos em praça pública.



Basta dar uma breve volta pela cidade, percorrer os espaços onde estas esculturas estão instaladas para fazer tal constatação. Com raras exceções, a maioria está depredada de algum modo. Quando o vandalismo não parte da população, em forma de pichação, furto ou destruição, vêm dos pombos, que, mesmo sem ter a intenção, acertam a mira e, literalmente, mancham a imagem dos figurões, esculpidos, sem exceção, com terno e gravata.



Já quando o assunto é preservação e zelo, a tese de esquecimento parece se comprovar e até evolui para o conceito de abandono. Na Secretaria Municipal da Cultura não existe um setor específico que responda pela conservação das obras e nem mesmo um catálogo com seus dados.



Talvez a responsabilidade pudesse ser da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), incumbida de cuidar de praças e espaços públicos, onde fica a maioria das hermas e monumentos, mas não é.



De acordo com Valcirlei Gonçalves da Silva, secretário responsável pela pasta, a Semma zela apenas pelo espaço público e não pelo que têm nele. Neste caso, o papel da secretaria se resume a deferir ou indeferir a instalação do busto ou monumento.



“Antes, este tipo de homenagem era uma iniciativa que partia da prefeitura e da comunidade. Atualmente, são familiares ou admiradores que fazem a proposta. A Semma se incumbe apenas de avaliar se o espaço é adequado para receber a escultura e se o monumento vai interferir de forma prejudicial em algo que já está instalado”, explica.



Das 11 obras visitadas pela reportagem, apenas quatro estavam em boas condições: a Torre Eiffel de responsabilidade da Instituição Toledo de Ensino (ITE); o busto de Rodrigues de Abreu, que em 2007 foi instalado na Biblioteca Municipal - que também leva o nome do escritor -; o Monumento aos Expedicionários, que é a escultura mais recente do município, reformada e reinaugurada em maio deste ano; e o busto do Doutor Luiz Zuiani, desde o início do ano sob a responsabilidade do Jornal da Cidade.




publicidade
Projeto Cidade Promoções e Eventos
(SF) © Copyright 2018 Jornal da Cidade - Todos os direitos reservados - Atendimento (14) 3104-3104 - Bauru/SP