Bauru e grande região - Terça-feira, 11 de dezembro de 2018
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11/11/10 03:00 - Pesca & Lazer

História de Pescador: Pescaria no rio Feio

Gosto de ler as histórias de pescador publicadas no JC. Já escrevi vários textos, só não escrevo mais por falta de tempo, mas estou de volta para narrar um fato que aconteceu em novembro do ano passado:



A pesca fica proibida no período da piracema, que vai de novembro de um ano e termina em fevereiro do ano seguinte.



Estando eu em Adamantina, meu primo Marcos convidou-me para pescarmos no rio Iguapeí, mais conhecido como rio Feio, dizendo que não teria nenhum problema porque era o primeiro dia da proibição e que a fiscalização ainda não estaria atuando.



Não acreditei, mas quem gosta de pescaria não perde uma oportunidade e lá fomos nós para o rio, mais precisamente para o Salto Botelho.



A pescaria estava ruim, o tempo estava encoberto e ventava muito. O primo Marcos deixou de pescar com linha e anzol e começou a pescar com tarrafa num remanso, a menos de 100 metros do salto. Não demorou a ouvirmos o barulho de um motor de popa. Eu disse que deveria ser a fiscalização e o primo acreditou que seriam outros pescadores, e continuou a tarrafear.



Quando o barulho ficou mais próximo, pude ver que realmente eram três policiais florestais, avisei o primo da aproximação e disse que com certeza seríamos multados.



O primo, não querendo perder a tarrafa, mais do que depressa, usando as mãos cavou um buraco e cobriu a tarrafa com areia, arriou as calças e ficou agachado em cima.



Os policiais encostaram, desceram da lancha e foram nos perguntando o que estávamos fazendo. Eu respondi que estava tentando pescar de barranco, mas que já havia desistido devido ao mau tempo.



Dirigindo-se para o meu primo, o policial chefe perguntou-lhe: “E você, o que esta fazendo aí agachado?” E meu primo, muito desajeitado e sem graça e com a voz quase inaudível, respondeu: “O senhor não está vendo? Estou fazendo as necessidades fisiológicas”.



O policial, sem perder a pose, respondeu-lhe: “É evidente que você está em posição de quem esta tentando defecar, mas, veja bem, tinha que ser justamente em cima da tarrafa?”, questionou.



O resultado foi que o primo se recompôs, mediante muitas risadas, desenterrou a tarrafa e entregou-a para o policial, que, ao invés de nos multar, nos deu uma aula sobre a importância da preservação ambiental e sobrevivência das espécies que estão sob a ameaça de extinção.



Sinceramente, não consigo esquecer desta aula, e quando me lembro ainda deixa-me encabulado e arrependido de ter ido pescar no período da piracema.



Abraços aos pescadores e leitores desta coluna.







Rinaldo Ricci é pescador e contador de histórias





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