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26/12/10 03:00 - Esportes

Vôlei: Grassi retorna para coordenar Luso

Ricardo Santana
O atual ciclo de títulos obtidos pelo vôlei feminino da Luso ganhou um reforço de grande prestígio. O vencedor Marco Antonio Grassi dará ainda mais credibilidade ao projeto de voleibol feminino que o clube quer já para 2011. “Vejo esse convite como uma questão de ousadia. Gosto de desafios e estou de volta”, comemora Grassi.



Bauruense, aos 62 anos, o técnico de vôlei custou, mas cedeu ao assédio da direção da Luso para assumir a coordenação técnica do voleibol feminino do clube. Há cerca de uma década, Grassi parou de atuar como técnico. Nos anos que se seguiram, ele cumpriu seu ciclo como professor universitário e, agora, retoma sua trajetória no esporte competitivo com a bola toda para um desafio de fazer ainda mais pelo voleibol feminino de Bauru.



Grassi se aperfeiçoou com o passar dos anos e se manteve um perfeccionista, marca da sua personalidade e que será meta na nova função de coordenador. Com bom humor, o técnico achou graça ao ser definido como um “chato” pela reportagem do JC. “Eu costumo dizer que quando elas (jogadoras) costumam dizer: ‘pô, esse cara é um chato’. Eu acho que elas estão me elogiando porque eu sou muito chato (risos). Na verdade eu sou exigente, perfeccionista. Mas sei elogiar também. Passar a mão na cabeça quando é necessário”, autodefine-se Grassi. Ele acrescenta que todos os anos de experiência com pessoas e, principalmente, jogadoras de vôlei o deixam bastante à vontade para retornar. “Pego no pé e, quando estou na quadra, falo muito. Sempre tive as jogadoras muito comigo”, ressalta.



A evolução no condicionamento físico oferece um ganho fenomenal de performance das esportistas. Samanta Santos, preparadora física da equipe sub-21 de Araraquara e que acaba de faturar o título do Campeonato Estadual 2010 da Associação Pró-Vôlei (APV), destaca que a tendência é de jogadoras jovens cada vez mais altas e encorpadas. Grassi recorre ao momento socioeconômico vivido pelo Brasil. Para ele, o atual biotipo das jogadoras, talvez, seja reflexo do fato de que o país está saindo da condição de subdesenvolvimento.



“Estamos comendo melhor. E o condicionamento físico trouxe também que elas crescessem mais e ficassem mais fortes”, pondera. Grassi pontua que o clima brasileiro favorece a prática de esportes, tanto que as Seleções Brasileiras de Voleibol fazem sua preparação, desde 2003, no Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), em Saquarema (RJ), município da Região dos Lagos, à beira mar, na praia de Barra Nova, dentro de 108 mil metros quadrados, distribuídos entre prédios, piscinas, areia e natureza.



O clima favorável e o avanço do biotipo das jogadoras somam-se às novas regras do voleibol. Grassi cita que o esporte se dinamizou e apenas conservou a altura da rede para o feminino (2,24 metros) e para o masculino (2,43 metros). “Não se mexe muito é no futebol, que tem lá os papas”, compara. Grassi elogia a desenvoltura no voleibol possibilitada pelo avanço das regras. Destaca a inovação do líbero e a possibilidade de se bater na bola de várias formas. Ele atribui à mídia grande peso nas alterações das regras do esporte, como o fim da vantagem, substituída pela pontuação. “Não dá para a televisão fazer um jogo daquele que começava às oito e terminava à meia noite”, argumenta.



Grassi construiu uma história no voleibol durante 25 anos, com atuação no Bauru Atlético Clube (BAC) durante décadas. Por volta de 1995-96, o técnico relembra que montou o time do Centro Social, Esportivo e Cultural (Cesec) de Lençóis Paulista, levando do BAC nove jogadoras.



Amargo veneno



O time de vôlei feminino Luso/Iesb/Preve/Beneplan Semel provou este ano de seu próprio veneno ao se destacar na temporada 2009. O técnico Osvaldo Altafim Jr. cita que os times que mais rivalizaram com a Luso durante a temporada se abasteceram com reforços de jogadoras saídas da equipe bauruense.



Ele cita que Leme atuou com quatro jogadoras do time da Luso da temporada anterior. Taboão da Serra foi campeã Paulista com uma atleta do elenco 2009 do time de Bauru. O time juvenil de Araraquara, da técnica Sandra Mara Leão, ficou com o título do Estadual da Associação Pró-Vôlei (APV) Sub-21 ao vencer a equipe da Luso, há duas semanas. Do outro lado da quadra, Altafim viu a ótima performance da bauruense Mayhara Francine da Silva, 21 anos, eleita a melhor jogadora do torneio da APV sub-21. Mayhara, que agora defende o Osasco, na Superliga Feminina de Vôlei, foi formada na Luso e integrava o elenco vencedor em 2009.



Em compensação, Altafim buscou três jogadoras do time de Votuporanga, terceiro colocado do sub-21 da APV. Contudo, a Luso continua a chamar a atenção. Recentemente, a oposta Aline Antunes Souza Silva, 22 anos, conhecida nas quadras como Ibaté, arrumou as malas para alçar voo. Ela disputará a Superliga Feminina de Vôlei pela equipe de São Caetano.





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Caminho de títulos



O vice-presidente do Luso e diretor de vôlei, Adriano Pucinelli, avalia que a equipe finalizou a temporada alcançando a meta, principalmente, ao conquistar o tricampeonato nos Jogos Abertos do Interior (JAIs), em que Bauru disputou em Santos a Segunda Divisão. No ano que vem, Pucinelli vê como perspectiva o forte trabalho na base, com impulso para todas as categorias, em especial para a sub-21. O diretor de vôlei explica que os treinamentos do infanto e infantil serão concentrados no ginásio do Preve até que a Luso inaugure o ginásio na sede de campo. O atual ginásio da Luso ficará disponível até 20 de junho de 2011.



A equipe da Luso paga o preço por ganhar títulos e revelar jogadoras. Em 2009, a equipe foi 100%. Foram cinco títulos em cinco campeonatos disputados. O técnico Osvaldo Altafim Jr. cita que perdeu oito jogadoras para a temporada 2010 e no meio das disputas outras três foram embora. A central Juliana se transferiu para o voleibol português, enquanto que a ponteira Perê foi jogar na França. A central Tati Macéa teve que se afastar por recomendação médica.



A performance da equipe naturalmente não foi a mesma. Mas o time ainda teve fôlego para obter a terceira colocação no Campeonato Paulista da Primeira Divisão, promovido pela Federação Paulista de Vôlei (FPV). Altafim comemora a incorporação do “Marquinho”, jeito pessoal de tratar Marco Antonio Grassi, com quem tem uma relação de grande proximidade.



“Ele foi meu professor, foi meu mestre e continua sendo”, elogia Altafim. O técnico de vôlei projeta que Grassi trabalhará na formação de jogadoras e nas condições para a permanência das atletas por mais tempo, revertendo uma tendência destrutiva para qualquer modalidade. Altafim cita que o ponto crucial é a captação de novos investidores. “Grassi é um nome de peso na cidade e acredito que isso vai até facilitar”, projeta. Altafim permanecerá com a incumbência de treinar e orientar o time.




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