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16/05/11 03:00 - Opinião

Educação digital, sim. Não precisamos de aulas de informática

José Antonio Milagre
Para os ainda nascidos na geração X, entre 1960 a término da década de 70, pode ter sido comum a introdução de conceitos de informática nos conteúdos escolares. Informática era o fim, a ciência a ser percebida. Aprendia-se a ligar e desligar o computador, processar o sistema operacional, operar um editor de textos, manusear o mouse, etc. Estávamos na era do “computador fim”.

Com a intensificação da sociedade da informação e a popularização do computador pessoal, aulas “somente” de informática não faziam mais sentido nas escolas. Computadores passaram a ser entendidos como realmente deveriam, processadores de soluções. Buscou-se então o uso da informática para facilitar os processos educacionais, desenvolvendo aspectos como coordenação motora, percepção visual, fonética e outros elementos. Surgia a informática educacional. Encenávamos a era do “computador meio”.

A evolução foi sagaz e continuamos apreendendo com as mudanças sociais. Fomos apresentados a pessoas nascidas após 1980, pessoas multitarefa, autodidatas, conhecedoras de tecnologia, conectadas e que se desenvolveram numa época de grandes avanços tecnológicos: A geração Y ou a chamada geração da Internet.

Com tal geração, toda e qualquer investida e ensinar informática nas escolas se demonstrava uma verdadeira perda de tempo. Eles já sabiam de tudo e mais, sabiam operar palms, smartphones, sistemas operacionais, gps, consoles e outros dispositivos. Informática educacional? Até seria viável, não fosse a elevadíssima auto-estima deste grupo, fruto da formação dada por seus país, que os proíbe de acreditar em qualquer lição sem que antes busquem o aval do “Google”.

A liberdade que tanto marca esta geração os impede de esperarem passivamente por informações ou conhecimento. O MSN é mais importante que o joguinho “chato e lúdico” de “drag and drop”. Estamos lidando com pessoas que nasceram fortemente linkadas com o mundo virtual. E é exatamente neste ponto que percebemos que não mais precisávamos de aulas de informática nas escolas. Eles já sabem, pois nasceram em um “berço digital”. Para estes, ensinar informática seria algo como ensinar a comer ou a se vestir. Chegamos a atual era da evolução da sociedade da informação: A era do “computador como paisagem”.

Porém, todo este altruísmo, alta-estima, vaidade, individualismo, egoísmo, umbiguismo trouxeram novas implicações a esta geração, que norteiam como deve ser a educação da sociedade em rede. Superexposição, intolerância, ausência de limites, intromissões e desrespeito são apenas alguns dos fatores geradores do uso reprovável das tecnologias, o que vem gerando danos a estes jovens, que muitas vezes se portam de modo arriscado, para na dizer, imundo, no mundo virtual.

E é neste ponto que percebemos a deficiência. Filhos digitais educados por pais analógicos, que não tinham condições ou preparo para ensinar-lhes sobre os riscos do mundo virtual e a forma responsável e ética de se relacionar com este ambiente. Esta é a lacuna que a escola atual deve suprir, a lacuna da educação digital. Educação digital é nitidamente digitalizar valores e normas do mundo físico, conscientizando-se para os riscos reais dos atos virtuais, gerando o uso responsável da tecnologia. Não precisamos de aulas de informática. Que as escolas possam compreender esta diferença e começar agora a construir as bases para a próxima geração da sociedade da informação.


O autor, José Antonio Milagre, é comentarista de tecnologia, advogado e perito especializado em segurança da informação - e-mail: [email protected] - Twitter: http://www.twitter.com/periciadigital Site: www.legaltech.com.br




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