Bauru e grande região - Domingo, 24 de setembro de 2017
máx. 33° / min. 19°
11/09/17 07:00 - Tribuna do Leitor

A Dama Dourada

Cesar Augusto Teixeira de Carvalho - Prof. Dr. aposentado do Dep. de Engenharia Civil - Faculdade de Engenharia da Unesp - Bauru SP

Outro dia assisti ao filme "A Dama Dourada", que conta a história de Maria Altmann (representada por Helen Mirren), uma judia que em 1938 fugiu para os EUA quando seu país, a Áustria, foi anexado pela Alemanha nazista um pouco antes do início da 2ª Guerra Mundial.

Muito tempo depois, já na década de 1980 e com Maria Altmann ainda nos EUA, ela decide processar o governo austríaco para recuperar o quadro "Woman in Gold", de Gustav Klimt - retrato de sua tia -, roubado pelos nazistas durante a ocupação.

É um belo filme! Antes de assisti-lo, achava difícil criarem um roteiro denso para esse tema. Mas conseguiram, pois o filme foi recheado de questões interessantes como a defesa de princípios, o respeito às leis e, principalmente, o bom funcionamento das instituições.

Quando o processo foi analisado pela Corte de Justiça Americana, teve uma passagem muito marcante onde o advogado de defesa diz: Maria Altmann fugiu de seu pais sob domínio nazista para os EUA em busca de paz e liberdade; vamos dar a ela também justiça!

Já na Corte de Justiça Austríaca, destaco também outra passagem onde o advogado defende a importância do quadro ser devolvido à Maria Altmann, não por ela em si, mas para resgatar a própria dignidade da Áustria - que na época tinha colaborado com os nazistas.

O final é previsível com Maria Altmann ganhando o processo, mas o principal fica nos diálogos e debates. A meu ver, a grande mensagem do filme é mostrar que o mais importante para uma sociedade é construir instituições sólidas e independentes, que funcionem bem para todos.

Com elas funcionando, tudo fica mais justo, seguro, estável e muitíssimo melhor que apostar o destino do país num líder populista - mas que, em geral, decide conforme suas conveniências do momento -, tal como Hitler, Maduro... e outros tantos que existem por aí.

Para quem quer construir um país justo e estável, investir nas instituições é um bom negócio, pois elas são permanentes e as pessoas que lá irão trabalhar para cumprir uma função nobre, são selecionadas por mérito através de concursos, e não por serem apadrinhadas por algum arranjo político.

Entretanto, para criarmos instituições fortes que funcionem, antes temos que cuidar bem da educação para que tenhamos pessoas capazes em ocupá-las.

E, para isso, é essencial que essa educação seja de uma escola "sem partido" e com qualidade. Este é o caminho!

Só resta torcermos para que os mais capazes sejam também os que tenham o melhor caráter.





publicidade
Projeto Cidade Promoções e Eventos
(SF) © Copyright 2017 Jornal da Cidade - Todos os direitos reservados - Atendimento (14) 3104-3104 - Bauru/SP