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11/07/18 07:00 - Opinião

Campeões na educação, um título que temos de conquistar

Rubens F. Passos

O fato de a Seleção do Japão ter sido a primeira na história da Copa do Mundo a se classificar às oitavas de final pelo critério de disciplina é congruente com a atitude de seus torcedores, já observada há quatro anos no Brasil, de levar saquinhos às arenas russas, para recolher os resíduos de alimentos e bebidas que consomem durante os jogos. O ponto de congruência entre o fair play dos atletas e a cidadania do seu público encontra-se na educação.

Embora considerado muito rígido por algumas correntes de pensamento, o sistema escolar japonês é bastante eficiente. A taxa de alfabetização e de frequência para o Ensino Fundamental, compulsório, é de praticamente 100%.

Embora não seja obrigatório, o Ensino Médio tem mais de 96% de matrículas em todo o país, chegando a quase 100% em algumas cidades. A evasão escolar é de apenas dois por cento.

Em contraste com esses dados, ainda temos no Brasil mais de 12 milhões de analfabetos e, segundo o último relatório De Olho nas Metas, do movimento Todos pela Educação (TPE), 3,6 milhões de crianças e jovens entre 4 e 17 anos estão fora da escola em nosso país. O déficit também é grande entre na faixa etária de entre quatro e cinco anos: um milhão. Além da qualidade pedagógica, há algo importante no sistema educacional japonês: o estímulo à cidadania e práticas na vida, com a valorização dos conceitos de higiene, pontualidade, cooperação, trabalho em grupo e preocupação com a comunidade. Os alunos desenvolvem tarefas que promovem a responsabilidade, o respeito pelo próximo e os mais velhos e o bem-estar dos grupos nos quais convivem. Há uma divisão de tarefas e os estudantes assumem funções cotidianas, como a preparação do lanche escolar e limpeza das salas de aula.

A atividade escolar reflete-se no dia a dia da sociedade: todos os cidadãos, independentemente de suas profissões, fazem a limpeza das calçadas, estacionamentos e áreas adjacentes ao seu local de moradia e trabalho.

É o mesmo padrão de comportamento ao qual assistimos nos estádios da Copa do Mundo e que também garantiu histórica classificação da seleção japonesa no mundial da Rússia.

Nós, brasileiros, somos pentacampeões na mais importante competição esportiva do Planeta. Agora, precisamos começar, também, a ganhar títulos nos campos da educação, civismo e conhecimento, para almejarmos um futuro melhor!

O autor economista pela FAAP e MBA pela Duke University (EUA), é Senior VP Latam da ACCO Brands Corporation e diretor do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (Sindigraf-SP).





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