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12/07/18 07:00 - Opinião

País sem líder enfraquece a economia

Reinaldo Cafeo

O Livro "O Monge e o Executivo", de James Hunter, indica que liderança "é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem com entusiasmo, visando atingir objetivos identificados como sendo para o bem comum". Esta afirmação permite refletir sobre a sucessão presidencial em curso no Brasil, sobre os líderes e os reflexos na economia.

Tenho cada vez mais tenho ouvido e constatado que há uma crise de liderança no Brasil. Isso se instalou tanto no setor público como no setor privado. Inúmeras organizações carecem de pessoas capazes de fazer a diferença e liderarem pessoas e projetos que efetivamente interfiram, para melhor, na vida das pessoas. No setor público isso fica mais evidente. Neste recorte, vamos nos concentrar nos políticos que ocupam ou postulam cargos eletivos, e não especificamente o funcionário público.

Já foi o tempo em que todos admiravam e mudavam o comportamento, para melhor, quando se deparavam com um político, tanto do Legislativo como do Executivo. A população enxergava nestes políticos pessoas capazes de efetivamente fazerem a diferença e os respeitavam como tal. Hoje a realidade é outra. A classe política não cuidou de sua imagem e aqui no Brasil a corrupção, os desmandos, o individualismo assumiram tamanhas proporções que infelizmente falar de político, em boa parte dos casos é fazê-lo de maneira pejorativa.

Tomemos como exemplo a recente paralisação dos caminhoneiros. Sem líderes a coisa se arrastou por um tempo mais elevado do que se imaginava e todos, todos mesmo, pagam e pagarão um preço elevado por isso. Já tivemos o reflexo na inflação, que saltou de 0,41% em maio deste ano para 1,26% agora em junho. Além disso, o desempenho econômico enfraqueceu fazendo com que a previsão de crescimento da economia, que inicialmente seria acima de 2,5% para este ano, fosse revista para baixo, ficando entre 1% e 1,5%.

Não foi somente na crise dos transportes que a falta de liderança trouxe consequências negativas a nossa economia. As tão preconizadas reformas estruturais que dariam e darão sustentação ao crescimento do Brasil não foram implementadas. O governo federal foi incapaz de articular no Congresso Nacional uma agenda positiva. O comando do Brasil se perdeu em meio a denúncias e do "salve-se quem puder".

Levando em conta tudo isso, nos vem a pergunta: e os postulantes ao cargo de presidente da República, são líderes positivos? Capazes de liderarem mudanças importantes no Brasil? Novamente vem o desalento.

Os líderes nas pesquisas eleitorais se valem de discursos oportunistas, com programas inconsistentes, prevalecendo o populismo o qual sinaliza ao eleitor soluções fáceis, sem a menor consistência permitindo que o Brasil efetivamente saia do marasmo em se inseriu.

Sem um modelo econômico consistente, que possua premissas técnicas adequadas, com pilares que permitam a sustentação do crescimento ao longo do tempo, conviveremos com especulações de toda ordem, gerando uma verdadeira crise de confiança dos agentes econômicos. É duro ter que escolher um novo presidente no olhar do "menos ruim", mas (tomara que eu esteja errado) a constatação é que será esse o caminho que trilharemos.

Efetivamente, um País sem líderes políticos enfraquece a economia. Mesmo acreditando no potencial brasileiro, pela leitura do quadro sucessório atual será difícil projetar dias melhores.

Infelizmente não vislumbro naqueles que estão na frente da corrida presidencial ninguém com habilidade suficiente para influenciar pessoas para trabalharem com entusiasmo, visando atingir objetivos identificados como sendo para o bem comum.

O autor é economista, articulista do JC. Está no Youtube através do canal Planeta Economia.





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