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09/11/18 07:00 - Opinião

Cérebro Triúno

Francisco Habermann

Pode parecer engraçado, mas os músicos, poetas e artistas já sabem o que os cientistas tanto procuram em nosso cérebro.

Penso que os políticos também...

Refiro-me aos segredos da nossa cachola - que os estudiosos chamam de encéfalo - essa máquina de evolução milenar que hoje nos domina ou nos engana no dia-a-dia. Percebemos essas nuances quando focamos nossos hábitos, por exemplo.

Hábito é algo interessante e até intrigante. A gente os tem, cultiva-os e nem os percebemos. Ficam tão arraigados em nossa rotina diária que a vida só nos parece boa se nada mudar no cotidiano. Caso mude, vem a crise e sofrimentos. O que não valorizamos são os ensinamentos advindos dessas crises. Aprendemos (ou não) com as mudanças. É nesse ponto que queria chegar.

O assunto hábito tem tudo a ver com a neurofisiologia cerebral nossa, considerada desde os primórdios da evolução dos organismos vivos aqui na Terra. Vale recordar que a estrutura encefálica vem evoluindo desde o unicelular.

Considerando os milhões de anos dessa trajetória orgânica, foram nas crises e nas modificações da rotina existencial que as alterações dos circuitos cerebrais propiciaram as necessárias modificações de hábitos. Estudiosos da evolução histórica desta máquina dizem que ela tem três andares: o reptiliano ( mais antigo, instintivo - no tronco encefálico ), representando o passado; o intermediário, racional, cortical, representando o presente; e o lobo frontal - fonte superior de idealismo elevado, representando nosso futuro.

Visão particularíssima sobre esse assunto é abordada no livro 'O cérebro triúno' dos professores Irvênia L.S. Prada, Décio Iandoli Jr e Sérgio L.S. Lopes (AME Editora, SP,2018, 561 páginas). Outros aspectos correlatos serão tratados no XV Congresso de Saúde e Espiritualidade, nos dias 10 (sábado) e 11 (domingo) próximos, no Salão Nobre da Faculdade de Medicina de Botucatu - Unesp (www.inscricoes.fmb.unesp.br).

Nossos circuitos cerebrais necessitam ser religados aos andares superiores urgentemente. Os poetas e artistas do belo e superior já fazem isso com o pensamento. Fernando Pessoa (na voz de Alberto Caeiro) já dizia há muito tempo ('Guardador de Rebanhos'): "Sou um guardador de rebanhos, / O rebanho é os meus pensamentos...".

No Brasil de hoje, o tema sugere uma bela reflexão!





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