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01/12/18 07:00 - Opinião

Escorpiões, desmatamento e ação humana

Sidney Aguiar e Antônio Carlos Perucci Jr.

Os escorpiões são animais resistentes às maiores tragédias naturais já registradas na história da humanidade assim como as baratas e outros insetos. É um aracnídeo predominante de áreas florestadas com forte adaptação ao meio urbanizado das cidades com clima tropical e temperado. Entre os meses de novembro e fevereiro ocorre sua quebra de dormência e são bem avistados andando pelas matas e centros urbanos.

A sua migração para as áreas urbanas ocorre em função do desmatamento de áreas florestadas ou cobertas por vegetação rasteiras causadas por queimadas, intervenções não-planejadas em áreas naturais, descarte de resíduos em lugares inadequados, falta de limpeza em quintais e terrenos baldios.

Geralmente, a ocorrência de acidentes envolvendo esse animal peçonhento está a poucos metros de onde o animal está alojado ou onde ocorrem os focos que contribuem para a infestação. A incidência dessa infestação aracnídea ocorre em todo o Brasil, mas em maior escala em lugares onde ocorre intervenção humana nos seus habitats naturais fazendo com que esses animais migrem para áreas habitadas onde encontram oferta abundante de alimento e abrigo. Esses desiquilíbrios ecológicos são resultados diretos da falta de consciência ambiental das populações, ao invadirem locais de preservações ambientais, jogar lixos em lugares inadequados e não respeitar os limites de convívio entre os animais e os humanos.

Quando esses limites são desrespeitados, os resultados são desiquilíbrios ambientais como as invasões de animais no meio social urbano com possibilidades de acidentes graves ou fatais. Assim como muitos desastres naturais, calamidades e acidentes, essas ocorrências epidêmicas de invasões de pragas urbanas são consequências diretas do comportamento humano em relação ao convívio social e ambiental.

O que podemos fazer para controlar e equilibrar pragas urbanas como os escorpiões? Primeiro precisamos entender que existem ações a serem tomadas em todos os níveis. Os governos, em todas as suas esferas, devem levar em conta a questão ambiental em seus planejamentos, ações e obras. Antes disso, porém, cada um de nós precisa fazer a sua parte: limpar quintais, cuidar do próprio lixo e dos espaços públicos. Quase sempre somos o reflexo e a causa daquilo que reclamamos.

O problema com os escorpiões é sério, exige de nós atenção para evitar acidentes, exige organização dos órgãos de saúde para o socorro em caso de picadas, exige, sobretudo, que repensemos nossa relação com a natureza, onde estas ocorrências nos lembram que somos uma parte, e bem frágil, de um delicado equilíbrio ambiental. Mais do que nunca vale o adágio: "Deus perdoa sempre, os homens às vezes e a natureza nunca! "





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