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04/12/18 07:00 - Opinião

Lógica da exclusão entre maioria contra a minoria

Luís César Alves Moreira Filho

Alguém pode se perguntar, onde está essa lógica da exclusão? A contradição que leva a exclusão inicia em Kant na crítica da Modernidade, ao colocar em dúvida o eu penso de Descartes nas distinções da apercepção em vista da unidade, afinal pensar não é conhecer, ao mesmo tempo, pensar dever ser um ato espontâneo. Hegel na busca pelo reconhecimento evidência a luta na Fenomenologia do Espírito (1807) com a relação entre o senhor e o escravo, por outro lado, Karl Marx numa crítica ao Hegel trata da falta de reciprocidade transformada em luta de classes.

O agir unilateral criticado por Hegel ao Kant, conduz que o conhecimento deve ter reconhecimento em Hegel e não pode ser unilateral a construção do conceito como objeto de análise, por outro, Karl Marx substitui a relação senhor e escravo por dois coletivos a burguesia caracterizada pela lei geral da acumulação capitalista no cap. 23 do primeiro volume d'O Capital (1867). O destaque a esse capítulo se dá em como um burguês deve agir, então ensina como um proletário que queira ser burguês deve agir. Os críticos ao marxismo defendem a potencialidade do proletário em se tornar burguês, disto resulta um liberalismo anacrônico dividido por alguns entre direita conservadora e direita libertária, pois se volta ao comportamento e nega a economia como ciência. O conhecimento científico não é libertador, mas pertence à razão instrumental, neste caso a matemática não faz milagre.

Na obra A inclusão do outro: estudos de teoria política (1996), Habermas toma o liberalismo político como inclusão das diferenças a partir das singularidades, portanto alguns iriam colocá-lo numa direita libertária, lei do engano, pois o pensamento de esquerda de Habermas não exclui o aspecto científico da economia proposto por Karl Marx, mas nega a luta de classes na relação maioria do proletário contra a minoria burguesa, portanto o discurso marxista não é de inclusão de minorias nem se pode legitimar a frase de que a democracia é ditadura da maioria.

Na sociedade atual existem vários coletivos, mas a lógica da exclusão será com base na lei 12.711 de 2012 sobre o sistema de cotas entre social e racial. A lei define que 50% das vagas dos cursos de ensino técnico de nível médio e de graduação devam ser destinados aqueles que estudaram integralmente no ensino fundamental em escolas públicas como no ensino médio em escolas públicas para graduação, contra os 50% que não estudam. Inclusive pode economizar quem estuda em escolas particulares, pois as pessoas podem trocar e fazer aula particular de reforço ou mesmo cursinho pré-vestibular logo no primeiro colegial, afinal liberdade é escolha sem as restrições dos códigos de ética. Karl Marx questiona justamente a liberdade perante o sistema econômico, temos consciência do que é liberdade? Sem entrar na questão moral e consciência na ética, outro exemplo, seriam as cotas raciais reguladas pelo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE reforçado com a lei nº 13.409, de 28 de dezembro de 2016. Nisto entra o governo Dilma Roussef e do Michel Temer que no plano geral cada Estado destine 50% das vagas, nesta relação entre autodeclarados negros, pardos e indígenas e pessoas com deficiência na proporção respectiva remete à população da unidade da Federação onde está instalada a instituição.

Na proporção entre ensino público e privado a contradição está em 50%, sem incluir orientação sexual entre LGBTI, como mulheres e homens, mas por ser racial em nome da dívida histórica. Quando se inclui 20% de alguma raça nos 50%, se exclui 80% da mesma raça. Como a matemática não faz milagre, como a exclusão de 80% irá promover o fim da desigualdade? Afinal, o término da destruição das famílias se resolveria em cotas?

O autor é doutorando em ciências sociais, Unesp Marília, professor de filosofia e ciências sociais, atual mente é professor temporário na Unesp Bauru.





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