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06/01/19 07:00 - Opinião

Sobre slogans e sentidos

João Pedro Feza

Sempre achei interessante esse negócio de resumir, numa frase bem sacada, todo um conceito de algo amplo e complexo. Os slogans se prestam a isso. E, na tal coisa pública, não é diferente.

O governo Bolsonaro já definiu o seu: "Pátria Amada Brasil". Sem a vírgula depois do "Amada" para, provavelmente, enfatizar o ritmo linear da leitura e não pausar o impacto visual da frase na logomarca.

Pode-se até criticar a escolha com o argumento de que apenas se apropriaram da última frase do Hino (e isso seria falta de criatividade), mas é fato que a famosa frase, tornada slogan, resume bem o espírito nacionalista dos novos donos do poder.

Parece até haver a insinuação de um duplo sentido se você trocar o "amada" por "armada" - e não estaria errado. Afinal, é público e notório que o presidente é fervoroso defensor do conceito de cidadão armado.

Não por acaso, o presidente da Associação da Indústria de Armas e Munições e da fabricante Taurus, Salesio Nuhs, esteve na posse do vitorioso capitão reformado.

Mas, em matéria de duplo sentido, esse sim assumido, ninguém supera o Paraná que, um dia, adotou o seguinte: "Um Estado de Amor pelo Brasil". Não sei se segue vigente, mas é um slogan eficiente para passar duas ideias em uma. Aliás, há até quem defenda a inclusão da palavra "amor" antes do "ordem e progresso" na bandeira nacional.

Pensando bem, e pegando carona nas frases-panfleto, que tal "Mais amor e nenhum terror" como slogan de todos nós, de qualquer país, em qualquer estado emocional? Fica a dica para uma bela e prolongada governança no interior da gente.

 





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