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08/01/19 07:00 - Opinião

Esse mistério...

Arnaldo Pinzan

As aulas de Crescimento e Desenvolvimento Craniofacial, no início do meu curso de mestrado pela FOB-USP, nos idos de 1975, ministradas pelo professor doutor da USP Flávio Velline Ferreira, que vinha semanalmente de São Paulo, me despertaram para uma paixão pelo seu conhecimento e mistério, que me fascina até hoje.

Pai de 3 filhas que me presentearam nesses últimos 16 anos com 7 netos, em todas as gestações, senti as mesmíssimas emoções, como da primeira vez. Procuro entender como milhões de espermatozoides procuram penetrar no óvulo, via trompa, e somente um irá fecundá-lo. A meu ver, nesse momento da fecundação dispara o cronômetro da vida, apontando seus segundos, horas, dias, meses até finalizar o período intrauterino, que promoverá a passagem para a vida extrauterina. Desde o início, o corpo feminino recebe informações para se preparar para a sua implantação uterina (nidação), mesmo ainda não sabendo que está grávida. Se não ocorrer essa fecundação, resulta naturalmente na menstruação.

O que sempre me vem à cabeça é como a união inicial de apenas duas células, fundindo seus núcleos, originará um contingente complexo e diferenciado de 130 células, que totalizarão aproximadamente 10 trilhões no indivíduo, resultarão nos diversos órgãos, em 206 ossos, de 650 a 840 músculos, uma rede de aproximadamente 100 mil quilômetros de veias, artérias e arteríolas (dados obtidos no Google)? A meu ver, comparo cada ser humano a uma galáxia, formando um organismo complexo e perfeito, centrado no coração que nos exames de ultrassom, e pude assistir a vários, numa tela de monitor parecida com uma televisão sem antena, onde se tem chuvisco e sabiamente o médico vai apresentando as estruturas e que emociona ao ouvir o acelerado batimento cardíaco do bebê.

Acredito que se soubessem de todos essas delicadezas na sua formação, não teríamos esportes tão radicais onde o corpo é golpeado violentamente, e que ainda resiste a tantos desaforos.

A fragilidade e a dependência do bebê à presença da mãe também é fascinante pela riqueza alimentar do leite materno que o faz crescer e desenvolver sob sua proteção, durante a época em que ainda seu sistema imunológico está se preparando para as diversidades de situações que irá enfrentar. O que será que passa num cérebro de um recém-nascido, onde um mundo diferente daquele onde foi gerado lhe é exposto por sons, cores, estímulos e meios que tem de se defender? O crescimento e desenvolvimento também receberá a influência das atitudes, alimentação e meio ambiente, que seguirá uma sequência natural e cronológica universal e humana de infância, adolescência, adultícia e senilidade.

Poderemos ter maior quantidade e/ou qualidade de vida que podem depender das opções que fizermos, principalmente na senilidade. A vida é fantástica e precisamos valorizá-la, pois, no meu caso, não dei conta dos 70 anos que já atingi. No final, teremos uma lápide com nosso nome e as duas datas, de nascimento e morte, sem nenhuma informação sobre o quê ocorreu nesse período.

Cristo proclamava: "Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância." Por que desperdiçar esse tempo que nos foi dado com pequenas situações sem alguma importância? Por que não dar maior atenção ao nosso corpo? Por que não ser um voluntário que propicie melhores condições àqueles desafortunados? Nesse Natal, minha primeira das 3 netas, moradora no Equador, sensibilizou-me, agradecendo a oportunidade de reunir todos os primos, primas, tios e tias em casa, comemorando o espírito de amor familiar.

Não tem preço e marca pro resto da vida.

O autor é professor da FOB-USP, M.E.C.E.- Paróquia S. C. J. e Lions Clube de Bauru Centro.





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