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03/02/19 07:00 - Opinićo

Todos vamos, mas assim?

Joćo Pedro Feza

Brumadinho é uma tragédia sem fim. E há um lado didático nisso. Sempre que engenheiros e técnicos se reunirem, em qualquer parte do mundo, para tratar de segurança em barragens, serão Brumadinho e Mariana os fatos relembrados. O problema é: quem quer aprendizado às custas de tanta dor?

Décadas se passaram e, portanto, houve tempo de sobra para dar um jeito naquela montanha de rejeitos. Agora, quase nada sobra - e não tem mais jeito. A realidade: assombros e ausências.

Recebi, como muita gente, vídeo do radialista Sérgio Cursino a declamar, com ênfases e pausas, o texto "A gente vai embora". Imagino que seja o próprio Cursino o autor.

Os apressados trataram de espalhar que era ele o dono da pousada atingida pelo tsunami de lama, o que não procede. Cursino apenas desejou chamar a atenção para a grandeza do desapego na vida cotidiano enquanto cá estamos, afinal, um dia, a gente vai embora. Mas... assim?

Ir embora assim, do nada, sem chance diante da avalanche marrom, não parece um fim digno. Ainda mais quando, a cada dia que passa, consolida-se a percepção de que a lição não aprendida com Mariana é fruto podre de ignorância, burocracia, ganância e incompetência.

A Vale privatizada vai enfrentar condenações e arcar com indenizações. Vai aprender agora? Quem sabe, e tardiamente, após dose dupla do estúpido e estupendo desastre, o Brasil não dá exemplo?

Seja como for, aquelas vidas violentamente soterradas não voltarão. Nem mesmo muitos corpos serão entregues às famílias, o que seria o mínimo do mínimo. Seria, da reparação, só o começo. Brumadinho é uma tragédia sem fim.





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