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10/02/19 07:00 - Tribuna do Leitor

O gol mais pesado do rádio silenciou

Alexandre Colim

Foi há uns 13 ou 14 anos. Conheci o Tony de Paula na extinta 710 Jovem Pan. Na época, a rádio funcionava no ginásio Panela de Pressão. Eram os momentos finais daquela fase áurea trazida por Damião Garcia e Celso Zinsly. Graças ao Amarildo de Oliveira, eu ingressava no radiojornalismo depois de duas experiências na TV (Record Bauru, hoje Record TV Paulista, e Rede TV, em SP) e de ter começado, lá no início dos anos 2000, no rádio FM, na tbem extinta Líder.

Nessa época, trabalhava o dia todo e fazia faculdade à noite. Perto das 17h, começava e chegar na rádio uma turma que gostava de uma resenha pesada. Ô turma que conversava alto. Só futebol. Noroeste, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, entre outros, eram os temas principais. Ora riam como crianças. Ora quebravam o pau feito gente gde, e o mais impressionante: as rusgas não existiam ou duravam, no máximo, até o outro dia. Eu via e ouvia aquilo extasiado. Tony de Paula, J. Martins, Zé Carlos Gonçalves, Rafael Antônio, J. Junior, e aí vinham na mesma onda Carlos Alberto Soares, o Carlucci, Cláudio Petroni, Zé da barca, Luís Antônio Silva, e mais uma turma boa de papo.

Mal sabia eu que às 18, pontualmente, aquilo tudo iria ao ar pelas ondas do rádio AM. De tanto ficar perto deles, de fazer amizade, não tão facilmente ( já já explico por que), de esperar até o fim do dia pra vê-los informar e discutir o futebol, o Tony sentiu que eu poderia "virar alguma coisa" no esporte. Ele, já narrando o Amadorzão, me deu a chance de ir pra beira do campo. Algum tempo depois, no profissional tbem.

Ali começavam lições tão valiosas que serão honradas toda vez em que eu empunhar um microfone. Não tô falando só do aspecto profissional, não. Falo das lições pra vida inteira. Como eu disse, comecei a trabalhar com essas feras depois do início no rádio Fm e de duas experiências em Tv. Só que o problema da televisão é que, no começo, vc é picado por um bichinho que te infecta com a falta de humildade. Terrível essa TV pra quem é jovem. E esse vírus pode não ter cura e ser fatal. Pois bem. Depois disso, no meio de tanta gente humilde, mas gigante no microfone, eu saquei, a duras penas, que até ali eu não sabia po..a nenhuma. E esses caras sabiam que, normalmente, a "coisa" funciona assim.

Daí aquele "pé atrás" deles em relação a mim. Foi naquele momento em que eu entendi que tinha a obrigação de aprender com eles. Qdo demonstrei isso, as amizades ficaram tão sólidas que serão pra sempre. Obrigado, Tonhão, o locutor bola cheia, o gol mais pesado do rádio, o bem nutrido, o baita amigo. Mesmo sem ter a aparência de uma pessoa humilde, vc me ensinou o que é humildade, me vacinou contra o tal bichinho e me curou. Vai com Deus, meu amigo. Não sei se é possível, mas narra uns gols do Norusca daí. Mas vê se, agora, não dorme com o microfone na mão, hein!





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