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08/03/19 07:00 - Opinião

Dia Internacional da Mulher: pouca coisa a se comemorar

Vanderlei F. de Lima, professor da ITE e Procurador do Estado; Ana Cláudia P. F. Lima, juíza Federal

Desde o ano de 1910, houve a necessidade da escolha de uma data para celebrar a luta feminina por melhores condições de vida e de trabalho para a mulher. Então, dia 8 de março foi escolhido como o Dia Internacional da Mulher!

Decorrido mais de um século, embora tenha havido alguns avanços, estamos muito longe de poder celebrar de forma plena essa data. Para tanto, basta que se lance um olhar sobre as condições das mulheres, notadamente daquelas que integram as classes sociais mais baixas da população.

É de se descer lágrimas de nossos olhos! Mas todos os dias, na mídia escrita, falada e televisiva, se retratam casos de violências absurdas contra a mulher. Muitos deles perpetrados por esposos, companheiros e familiares. É o que se pode chamar de verdadeiramente "convivendo com o inimigo".

Alguns desses casos nos causam perplexidade: um caso em que o ex-companheiro jogou ácido na cabeça da ex-companheira como se enxaguasse seu cabelo; casos de esfaqueamentos no qual o agressor desfere diversas estocadas contrata a vítima a ponto de esquartejá-la, de estrangulamentos, de estupros e outras condutas violentas contra a mulher.

Vejam! Não estamos nem falando de violência psicológica. Estamos falando de violência física! Como pode o ser humano ser capaz de tamanha barbárie?

É interessante notar que nos casos de violência conjugal, aquele homem que um dia dirigiu palavras de amor, diante do rompimento da relação amorosa possa sentir tanto ódio de sua ex-companheira a ponto de praticar tamanhas violências.

Nas ruas e locais públicos, não é incomum a sexualização da mulher. Vejam! Não estamos falando de condutas de conquista levadas pela beleza da mulher. Estamos falando de condutas nas quais o homem vê a mulher apenas como objeto de satisfação de seus desejos sexuais.

O problema da desigualdade entre os gêneros e a discriminação da mulher no mercado de trabalho é algo preocupante! Embora a participação da mulher no mercado de trabalho tenha se intensificado ao longos dos anos, a subjugação da mulher nas relações de trabalho é retratada pela preferência dada ao homem na contratação; na diferença salarial; no preenchimento de cargos de direção e outras formas de discriminação. Apesar de tantas lutas, a desigualdade entre o homem e a mulher é um fato marcante nas relações de trabalho.

A cultura social que reduz a mulher à condição de dependência psicológica, afetiva e econômica do homem é um outro fator que só fortalece a discriminação em suas mais variadas formas.

É preciso rever e reverter essas práticas sociais nas famílias, nas escolas e no seio social, que colocam a mulher no papel de ser frágil e dependente do homem, para garantir-lhe a autonomia, liberdade e independência, a fim de a mulher que possa ditar suas escolhas e seus desígnios na sociedade e no exercício de seus direitos como ser humano. E que ela seja feliz com aquilo que ela escolher.

É certo que a Constituição Federal e demais leis consagraram à mulher o direto à igualdade. Mas é preciso mais! É preciso educar o homem a respeitar a mulher como ícone de amor, que foi escolhida por Deus para ser Mãe!





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