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09/03/19 07:00 - Opinião

'Não se nasce Mulher... torna-se'

Luiza Carvalho

Não é preciso que se determine um dia para homenagear uma mulher. Não faz diferença se ela é negra ou branca, magra ou gorda, bonita ou fora dos padrões de beleza "exigidos" pela sociedade; se é mãe, irmã, avó, tia, sobrinha, prima, cunhada, madrinha, amiga, ou simplesmente Mulher!

Todo dia é o seu dia!

Podemos falar de Maria da Penha, Marielle Franco, Elaine Caparróz, Simone de Beauvoir, Golda Meir, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Princesa Diana, Leila Diniz, dona Antônia, dona Balbina, minhas irmãs, a colega de trabalho, a amiga inseparável e tantas outras tão especiais quanto.

Mirem-se nas "Mulheres de Atenas", cantadas por Chico Buarque, que quando amadas se perfumam, se banham com leite, se arrumam suas melenas. Lembremo-nos daquelas que revolucionaram o mundo, quando ocuparam o chão das fábricas, ao verem seus maridos partirem para a guerra. A escrava Anastácia, que segundo a lenda, por ser dona de extrema beleza, seu dono apaixona-se por ela. Sua esposa, por ciúme, manda que a escrava seja sentenciada a usar uma máscara até sua morte, o que a deixou com rosto deformado.

Quantas hoje são sentenciadas à morte simplesmente por não desejarem continuar um relacionamento? Nossas mulheres são usadas como arma de guerra, em quase todos os países que entram em conflitos; os relatos de estupros coletivos chegam-nos aos montes. Ela tem jornada tripla; seu salário é sempre menor que do homem, e se for negra e pobre, sua situação é ainda pior.

Considerada sexo frágil, ela chega ao Século 21 fortalecida, mas continua tendo que provar sua força. Tente fazer parte da rotina de uma delas, e verá o quanto são fortes. Sua sapiência é divina; dá o peito ao filho, satisfaz o ego de seu companheiro; finge ser submissa, mas é ela quem enfeitiça. É meio bruxinha, tem o sexto sentido; descobre os segredos mais secretos sem ser espiã, apenas pela intuição.

Em agosto de 2006 uma lei forte, revolucionária e reconhecida como o maior instrumento de proteção à mulher, foi sancionada. A Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, foi criada após a mulher que leva seu nome, ter sofrido duas tentativas de assassinato, por seu marido. No livro "Sobrevivi...posso contar", Maria da Penha relata a cruel, dolorosa e covarde violência que sofreu. Esta lei cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, e dano moral ou patrimonial.

Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social. Todos os dias os noticiários nos trazem relatos lamentáveis e incontáveis de Feminicídios; mulheres são perseguidas e assassinadas intencionalmente, por seus companheiros.

A violência contra a mulher chegou aos ringues. Por quatro horas seguidas, Elaine Caparróz travou a maior luta de sua vida; sobreviveu à brutal e cruel batalha que lhe impôs seu algoz. Mulher...fique atenta aos sinais emitidos pelo agressor. Denuncie qualquer tipo de violência, NÃO se cale!

Querido leitor e leitora, espero ter conseguido, ao longo dessas linhas, demonstrar minha admiração por essas "criaturas" adoráveis. Quero finalizar minha homenagem com uma célebre frase de Simone de Beauvoir: "Não se nasce Mulher... torna-se."

A autora é ex-conselheira do Conselho Municipal de Políticas para Mulheres, Membro do Grupo Literário Expressão Poética e Grupo Sarau Versos no Canto.





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