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12/03/19 07:00 - Opinião

Putz! Esqueci...

Roberto Magalhães

O homem, que já inventou tanta coisa, não para de inventar. O problema é que tudo que ele inventa é bom, mas é ruim. Claro, tudo na vida tem dois lados, o filé e o osso. A vida, para quem não sabe, é bi. Os incorrigíveis otimistas dizem não existir mal que não venha senão para o bem. Não dá pra discordar, só que eles esquecem que tudo que está ruim pode ficar pior.

O homem descobriu primeiro o fogo ou inventou a roda? Não sei. Só sei que, depois que ele descobriu o fogo, começou a se queimar. Esse é o lado ruim. Mas também sem fogo, de que vale a picanha? Esse é o lado bom. Quando o homem só andava a pé, ele não colidia, não capotava, nem multa tomava. Mas também sem roda, de que valem as malas e as férias?

Da minha parte, a invenção que angustiadamente espero está longe de acontecer. Tão boa ela seria, que eu não consigo ver um possível lado ruim. Eu e os meus amigos da melhor idade (sacanagem de expressão!) estamos, roendo as unhas, esperando uma simples engenhoca: a "maquininha do acha tudo". Não sei por que as coisas fogem tanto da gente neste momento difícil da vida. "Alguém viu as chaves do carro?" "A desgraçada da carteira?" "O maldito talão de cheque? Eu juro que coloquei ele aqui!" Acho que elas somem só pra emputecer a gente. Só pode ser isso.

O que me irrita nisso tudo é que já temos tecnologia de sobra para produzir a "maquininha do acha tudo". Alguém, por acaso, desconhece o GPS? Um leve "touch" (isso um dia já foi toque) e uma breve digitação acionariam o satélite que, em bom português, nos daria o exato destino da coisa procurada: "Seus óculos estão na última gaveta do gabinete do banheiro, embaixo daquela revista Playboy". Também não precisa entregar tanto, né...

Que atire a primeira pedra o provecto senhor ou a provecta senhora que não adorariam ter essa desejada maquininha? Outro dia, eu comentava essa imperdoável lacuna tecnológica com meus amigos, quando um deles me questionou: "Cara, não vai adiantar nada, você vai perder essa maquininha também. E daí, vão ter que inventar maquininha de achar maquininha? Esquece!" Jamais deveriam ter inventado gente assim!

Todo mundo fala que não perdemos a cabeça porque ela está grudada no pescoço. Mas eu vivo perdendo meus óculos, justamente quando pendurados no pescoço. Sabendo que não posso confiar na memória, sempre escolho, com muito cuidado, um lugar bem seguro para guardar aquilo que me é importante. Desgraça! Depois, eu me lembro da coisa importante, mas nunca do lugar seguro. Basta que eu pôr o pé fora de casa, já me interrogo: Será que tranquei a porta? Pela cidade, ando rodando muito, fazendo trajetos absurdos para chegar ao destino desejado.

Todavia, o que eu queria mesmo dizer de fundamental nesta crônica é uma coisa só: Que o ... Um segundinho só, me deu um branco. Que o... Deus meu, não posso empacar justamente neste momento. Eu queria dizer que... Não adianta, ferrou! Inútil pedir socorro à desgraçada da memória, ela só vai me atender alguns dias depois. Por culpa exclusiva dessa merda de memória, a crônica vai ficar sem final. Fazer o quê? Também não inventaram até hoje uma maquininha de encontrar final de crônica. Então, vai sem final mesmo. Sem final, mas profundamente verdadeira.

O autor é professor de redação e autor de obras didáticas e ficcionais - [email protected]





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