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20/03/19 07:00 - Opinião

Terror, violência e diversão, juntos

Wellington Anselmo Martins

Será que os games de violência estimulam a agressividade dos jogadores? Na mesma linha de tiro, talvez os filmes de terror e horror diminuam a sensibilidade de tais cinéfilos?

E, enfim, adeptos da pornografia de sexo explícito alargam os seus limites morais de desejo e prática eróticas?

Hipoteticamente, sim: as narrativas midiáticas persuadem os consumidores e reforçam comportamentos. E o dano deseducativo é maior se o acesso à cultura de violência como entretenimento se torna vício e, ainda, se o público-alvo submetido for de adolescentes e jovens.

Pondere-se, no entanto, a partir do argumento contrário. A antítese dessa hipótese sustenta: a violência midiática, via de regra, atenua a violência real dos usuários, isto é, serve-lhes de válvula de escape.

Ora, contra tal posição, do extravasamento, lembramos enfaticamente que o estímulo ao exercício físico, às competições justas e aos esportes também cumprem a mesma função de administração e disciplina das pulsões e energia da agressividade e da ludicidade.

Lembramos o mesmo, também, da prática artística, especialissimamente a música e o teatro.

Sem dúvida, porém, está em ascensão o mercado das telas; o lucro com games, cinema e erotização é crescente - similar ao crescimento do sedentarismo no mundo. Por isso, então, é difícil a defesa do esporte e das artes: "que lucro daria novos e numeroso grupos de canto coral?"; "quanto menor é o giro financeiro dos esportes para amadores com foco em saúde se comparados às populares franquias dos games de morte?".

Enfim, a violência é um vício, ensinado e vendido à juventude como entretenimento. O resultado dessas más educação e publicidade é o mundo que conhecemos, destacadamente o cenário horroroso do Brasil atual. Porém, uma outra educação é possível!

Certamente um novo discurso menos lucrativo para o curto prazo, mas mais humanizador do nosso caminho histórico.

O autor é mestre em Comunicação (Unesp); mestrando em Filosofia (Unesp); graduado em Filosofia (USC).





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