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14/04/19 07:00 - Opinião

O gol que é salvar

João Pedro Feza

Apaixonado por futebol, o jornalista Juca Kfouri já disse que trocaria todas as conquistas profissionais que já teve para ser Basílio no momento do gol que tirou o Corinthians da fila em 1977. O chorado gol em cima da Ponte Preta, naquele 13 de outubro, valeu o fim de um longo jejum de títulos - quem revê o lance hoje, no ótimo documentário "23 anos em 7 segundos", sabe do que estou falando.

A vibração de Basílio remete a outras do tipo: Galvão Bueno e Pelé logo após o apito final da Copa de 1994; Oscar na estupenda vitória brasileira sobre o basquete dos EUA nos Jogos Pan-Americanos de 1987. E por aí vai. É alegria e choro numa explosão emocional que, sabe-se lá como, o coração aguenta.

O esporte é pródigo nessas situações-limite. Imagine, então, vibrar e chorar por ajudar a salvar vidas? Em semana (mais uma, aliás) tão difícil para o Rio de Janeiro, a forte emoção dos bombeiros durante resgate de um homem ferido no desabamento de prédio na comunidade de Muzema foi a imagem triunfante do mês.

Os bombeiros, aliás, sequer pararam para conceder entrevista porque queriam seguir com o difícil trabalho. Um deles, identificado como Ricardo, agradeceu a Deus depois da cena de tirar o fôlego: o helicóptero pairando a centímetros da laje, piloto e equipes ao redor com comunicadores, tudo para evitar acidente e levar logo o homem machucado ao hospital mais próximo. Deu certo.

O gol que é salvar: em meio a uma tragédia com mortos, toda a vida preservada é um troféu sem comparações. Não gosto muito desse negócio de "já deu, 2019", em alusão ao ano difícil que estamos enfrentando, mas, de fato, teremos problemas em dezembro para fazer as tradicionais retrospectivas - tamanho é o volume de notícias impactantes. E ainda estamos em abril.

Algumas dessas cenas fortes têm, contudo, final feliz (como o resgate bem-sucedido de vítimas). Graças a Deus. E graças aos bombeiros e socorristas em geral que aliam perícia e coragem para superar cansaço e pressão nos instantes críticos de uma operação. Eles têm todo o direito de vibrar e de se emocionar. Os gols que marcam renovam a crença na vitória quando o jogo mais parece perdido.

O autor é editor executivo do JC.





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