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08/05/19 07:00 - Opinião

Modernidade cada dia mais distante

Rafael Moia Filho

Quando olhamos para a América do Sul podemos por instantes, mesmo que fugazes, achar que nossa realidade de atraso em relação ao mundo moderno não é tão severa como imaginamos. Porém, quando nosso olhar é direcionado para além do Oceano Atlântico, as lágrimas começam a escorrer por nossas faces lívidas e sem nenhuma comiseração.

Enquanto aqui no Brasil não temos saneamento básico em 70% dos municípios, 60% da população é analfabeta ou alfabetizado funcional, mal conseguindo interpretar um texto, percebemos que no chamado primeiro mundo, seja na América do Norte (EUA e Canadá) Europa ou alguns países da Ásia, a evolução tecnológica, científica e humana é anos luz à nossa frente.

Na maior parte das cidades brasileiras, seus moradores jogam lixo orgânico, reciclável e de construção civil em terrenos públicos ou privados, contribuindo para o surgimento de doenças graves no país. Se a população não contribui, o Estado também não faz a sua parte, não investe em educação ambiental, não coloca lixeiras modernas por toda cidade, não dá o exemplo, mantendo terrenos públicos imundos.

O país que tem os impostos mais altos do mundo, sem dar necessariamente nada em troca, não investe em energia alternativa. Sua frota antiga de carros, caminhões e ônibus não são elétricos, consumindo diesel, gasolina e etanol. Com isso a poluição é cada dia maior em todo território nacional.

Quando olhamos para a Espanha nos deparamos com serviço automático de recolhimento de lixo via subterrânea, redes de fiação elétrica por debaixo das ruas e avenidas e a utilização da energia solar em várias cidades. Na Noruega, a sua capital Oslo está para se tornar a primeira cidade do mundo a instalar sistemas de recarga sem fio para táxis elétricos, na esperança de tornar a recarga rápida e eficiente o suficiente para acelerar a chegada de táxis não poluentes. O projeto usará tecnologia de indução, com placas de carregamento instaladas em pontos de táxi ligados a receptores instalados no veículo, informou a empresa finlandesa Fortum.

A energia eólica e a solar são realidades em várias cidades europeias, abastecendo milhões de pessoas ao invés de utilizar energia poluente como a Termoelétrica que queima carvão ou a hidroelétrica que, apesar de limpa, causa destruição ao meio ambiente com a inundação de milhares de hectares de terras.

Nosso atraso na maior parte se deve aos políticos corruptos que destinam a maior parte dos nossos recursos financeiros na manutenção de uma máquina administrativa pesada, inútil e ultrapassada. Se boa parte destes recursos não caísse na vala da corrupção e pudesse ser destinada a pesquisa, desenvolvimento de tecnologias de ponta e educação, muitas coisas poderiam ser diferentes e melhores no país.

Aqui em nossa cidade temos atraso na entrega da ETE, sistema de transporte público sujo, sem qualidade e conforto, ruas mal iluminadas, desperdício obsceno de água em vazamentos que superam 45% quando deveriam estar na casa de 15%. Além da ausência de vídeo monitoramento, telemetria e tantas outras coisas que poderiam compensar os impostos elevados que pagamos e ainda atrair investimentos com geração de empregos.

O autor é escritor, blogger e gestor público.





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