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09/05/19 07:00 - Opinião

Não jogue a toalha!

Reinaldo Cafeo

A projeção de crescimento econômico brasileiro para este ano, que já foi de 2,5% em termos reais (acima da inflação), sofreu rebaixamentos sucessivos pelos operadores do mercado financeiro e os dados mais recentes apontam para uma modesta projeção de menos de 1,5%. Não precisa ser grande conhecedor de economia para entender os motivos que levaram a revisão, para baixo, do desempenho da economia brasileira.

Entramos no segundo quadrimestre do ano sem nada de concreto que alterasse o modelo econômico brasileiro. Mesmo com sinalizações para uma nova matriz econômica, a utilização dos instrumentos macroeconômicos para controle a da economia são os mesmos do governo Temer.

Senão vejamos: política fiscal, ou seja, a política tributária e a política de gastos foram mantidas e ainda com mais rigor. Nada que alavanque o crescimento econômico. A política monetária continua a mesma. Nenhum afrouxamento monetário que ampliasse o crédito e estimulasse o consumo das famílias. Nada contundente nas linhas de crédito de longo prazo, vindos principalmente do BNDES. O setor financeiro continua cauteloso e seletivo com receio de inadimplência. A política cambial foi mantida, com livre definição do valor da moeda estrangeira pelo mercado, e nenhuma decisão mais importante no tocante à política comercial com o resto do mundo foi tomada.

Sem estímulo ao consumo, com desemprego elevado, tendo perdido o timing da retomada da confiança (afinal, é um novo governo), os investimentos não vieram e com menor superávit comercial a coisa não acontece. Está faltando empenho ao governo para sacudir positivamente o mercado. Há evidente perda de tempo com questões menores, ligadas a costumes e ideologias, enquanto a verdadeira "mina de ouro" que são as reformas estruturantes, entre elas a reforma da previdência social, não tem articuladores. Apesar desta leitura, diria realista, confirmando que efetivamente a economia brasileira se voltar a crescer de maneira mais firme será no fim do segundo semestre, não é hora de jogar a toalha.

A equipe econômica do governo Bolsonaro, comandada pelo economista Paulo Guedes, é competente. A ideologia liberal é o que de melhor podemos esperar para modernizar a economia brasileira, sendo que o diagnóstico, bem como o prognóstico para sustentação do crescimento econômico são certeiros e indicam a direção correta. Há reformas estruturantes em curso e isso é bom.

O voto de confiança no atual governo deve ser mantido pelo conjunto da obra. Não é possível imaginar que o Brasil cometerá os mesmos erros do passado recente que nos levou a dois anos de recessão. Não é possível que reproduzamos modelos que jogaram na fila do emprego mais de 13 milhões de brasileiros. Não é possível que não sejamos capazes de eliminar as desigualdades sociais e ofereçamos vida digna ao cidadão brasileiro.

Seria muita, mas muita incompetência não acertar a mão desta vez. Muitos projetos estão sendo estruturados nos vários Ministérios. É questão de tempo para sejam colocados em prática. É certo que temos que conviver com uma classe política sediada em Brasília com baixo ou nenhum comprometimento com o grosso da população, mas a sociedade civil organizada juntamente com o restante da população podem e devem exigir que as coisas mudem. Não jogue a toalha! Continue revendo suas estratégias de curto, médio e longo prazos. Continue canalizando energias no setor produtivo, fazendo mais com menos.

Acima de tudo, seja proativo. As coisas podem demorar a mudar, mas a única certeza que temos é que mudarão. Então, esteja preparado.

Esmorecer jamais!

O autor é economista, articulista do JC. Está no Youtube, no canal Planeta Economia.





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