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10/05/19 07:00 - Opinião

A real causa do alto preço do combustível

André Luiz dos Santos Alvarez

Não se assuste, mas a causa do alto preço dos combustíveis não é o preço do barril de petróleo. Mesmo porque o valor do barril de petróleo em dólares hoje (2019) é quase o mesmo de 2006, girando em torno dos US$ 63,00. Entretanto, temos o preço do combustível em sua maior alta, chegando aos R$ 4,21 (gasolina). Com esses dados em mãos podemos chegar à conclusão de que o alto preço dos combustíveis não tem relação direta com o preço do barril de petróleo, mas um outro dado importante, como o preço do dólar em reais, nos leva a uma outra direção.

Com a cotação do dólar em torno dos R$ 3,91 - muito longe dos R$ 2,27 de 2006 - e considerando que para importar petróleo a Petrobras precisa trocar reais em dólares, pois o real não é uma moeda de circulação internacional, concluímos que o encarecimento dos combustíveis no Brasil não se deve a algum tipo de crise na distribuição de petróleo ou qualquer conflito no Oriente Médio; a causa da disparada nos preços dos combustíveis é uma só: a nossa moeda está fraca. E essa fraqueza não se dá apenas pelo preço dos combustíveis, como também pela verificação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que vem registrando sua maior alta desde março de 2015.

Uma moeda fraca não afeta somente os preços das importações como atinge diretamente todos os preços internos, inclusive de produtos 100% nacionais. Isso ocorre porque se a moeda está enfraquecendo significa que precisamos de uma maior quantidade para adquirir o mesmo bem. Aliás, essa é a definição de uma moeda fraca: é necessária uma maior quantidade de moeda para se adquirir o mesmo bem que antes podia ser adquirido com uma menor quantidade, logo, se tivéssemos uma moeda forte não passaríamos nenhum susto cada vez que fossemos abastecer.

Entendido que a causa do aumento dos combustíveis é a nossa fraca moeda, como a fortalecer? As soluções são várias, mas só uma parece plausível nesse mar de soluções: a reforma da previdência.

Com a economia estimada em R$ 800 bilhões em 10 anos, a sua aprovação dará uma folga fiscal ao governo que poderá, por exemplo, reduzir o PIS/COFINS dos combustíveis, reduzindo imediatamente o preço dos combustíveis nas refinarias em R$ 0,41 e R$ 0,21, respectivamente.

Outra consequência da folga fiscal é o restabelecimento da confiança de investidores e empreendedores, tanto nacionais e estrangeiros, que voltarão a investir no Brasil, o que acarreta em entrada de capital estrangeiro diminuindo o preço do dólar. É óbvio também que investidores não são desavisados e sabem que em um governo com altos déficits em suas contas acarreta em aumento de impostos.

A conclusão é simples: a atual alta do preço dos combustíveis não tem relação direta com o preço do barril de petróleo, mas está ligada diretamente ao atual estado de "fraqueza" de nossa moeda que pode e deve ser logo corrigida.

O autor é publicitário, gestor público, além de estudioso das áreas de administração pública, políticas sociais, economia e políticas públicas.





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