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12/05/19 07:00 - Opinião

Duplas, nomes e dúvidas

João Pedro Feza

Dan Corrêa toca seu violão nas ruas de Bauru. No feriado de 1 de Maio, Dan foi surpreendido por Mathias, da dupla com Matogrosso, que saía do Bauru Shopping e parou para cantar com ele na esquina. A cena foi registrada em vídeo. Dan, claro, curtiu o momento, mas algumas pessoas que viram as imagens ficaram em dúvida: "Mas esse aí não é o Mathias!". É e não é.

O músico que canta com Matogrosso é Rafael Belchior. Ele é o terceiro Mathias e está nessa desde 2009. Antes, o "papel" foi desempenhado por Isaac Jr. (em 2006) e Anísio Roberto de Carvalho (o original, dos anos 70, que mora (ou morou) em Bauru e forma dupla com Matão). Essas confusões são recorrentes no cenário sertanejo.

Neste ano, a música raiz perdeu Cacique - da dupla com Pajé. Era o Cacique original mesmo (Antônio Borges de Alvarenga), mas o Pajé já havia mudado umas três vezes desde os primórdios da dupla, no fim dos anos 50. Pajé, aliás, já canta com um "novo" Cacique por aí.

No ano passado morreu Amaraí, que formou icônica dupla com Belmonte. Em shows recentes, o público era apresentado à dupla Belmonte e Amaraí - mesmo o Belmonte original estando morto desde 1972 (acidente de carro). Quem vinha adotando o nome Belmonte é Francis Jr., filho de Amaraí.

O episódio mais recente é de Léo Canhoto e Robertinho - dupla inovadora formada em 1969. Pois Léo Canhoto e Robertinho acabam de gravar uma música com Leonardo, mas o Léo Canhoto que aparece ali é outro. O original cedeu os direitos do uso do nome para que Robertinho seguisse com a dupla com outro parceiro.

São coisas que dão um nó na cabeça dos fãs e começam a gerar polêmica em grupos temáticos no WhatsApp. Afinal, é certo uma dupla trocar de parceiro sem mudar o nome? Como imaginar um Milionário & José Rico sem o falecido José Ricol?

Alguns defendem que, diante da nova formação, a dupla adotasse um nome parecido, não exatamente o mesmo. Então, fazendo um exercício de imaginação, teríamos Matogrosso & Messias; Milionário & Jonas Rico; Téo Canhoto e Robertinho.

Daniel achou outra solução - assim como Leonardo: nunca buscaram um "novo" João Paulo ou Leandro e engataram logo duas bem-sucedidas carreiras solo. É o mais certo? Com a palavra, o mundo sertanejo de raiz - tão rico artisticamente quanto único.

 





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