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14/05/19 07:00 - Opinião

13 de Maio e a Luta Antirracista

Roque Ferreira

Atualmente estamos vivendo uma profunda crise do sistema capitalista. A burguesia e seus governos, como o de Bolsonaro, usam todas as armas para retirar direitos e conquistas da classe trabalhadora, como a reforma da previdência, reforma trabalhista, o congelamento dos gastos em serviços públicos, como faz agora com a retirada de recursos das escolas e universidades públicas.

A vitória de Bolsonaro, em outubro, com seu programa de ampliação dos planos de austeridade e a difusão de valores reacionários como o racismo, machismo, homofobia, exigirá do proletariado, e entre estes os negros, uma elevação de sua organização enquanto classe para travar o combate e para se defender e avançar.

Ao se falar em "pobres" no Brasil, automaticamente estamos falando da maioria da população negra, que será a mais prejudicada pelas políticas recessivas anunciadas pelo governo, que atingirão em cheio os serviços públicos - previdência, saúde, educação - como o que já ocorre com o congelamento de gastos públicos. Violência oficial do Estado: para colocar em prática todas as medidas anunciadas, Bolsonaro será obrigado usar todo o aparato repressivo do Estado como a polícia, o Judiciário e outros para sufocar qualquer movimento da classe trabalhadora e das massas contra seus planos de austeridade.

A pretensão de Bolsonaro é sufocar a luta de classes por meios policiais. Isso aumentará de maneira substancial a violência contra a população negra, como vimos nestes quatro meses de governo, com aumento substancial no número de assassinatos de negros, principalmente de jovens. O Brasil é o segundo país do mundo em população negra ficando atrás somente da Nigéria.

Mais de 51% da população são esmagados pela pobreza e pela violência do racismo através da discriminação e dos preconceitos, que naturaliza a violência oficial do Estado via seus aparatos repressivos, especialistas em assassinar jovens negros e pobres (são mais de 63 mil mortos a bala por ano no Brasil, a maioria sendo jovens, homens e negros).

A repressão policial, em particular os assassinatos cometidos nas "incursões" nos bairros operários, nas periferias das grandes cidades, sempre tem jovens negros mortos como consequência.

O que fazer? A política de integrar a população negra ao sistema e à ordem capitalista, que tem muitos adeptos no meio universitário e acadêmico, é uma política de manutenção do racismo e da exploração, pois o sistema capitalista nesta sua fase de apodrecimento necessita cada vez mais excluir milhões e dividir a classe trabalhadora para continuar a garantir a manutenção da taxa de lucro dos banqueiros e das grandes corporações, assim como os privilégios da exploração de classe.

A tarefa central para o próximo período para a população negra e para a luta antirracista é estar junto à classe trabalhadora, aos sindicatos, aos movimentos populares no combate contra este governo e ao que ele defende e representa, ou seja, o capitalismo. Nessa dinâmica vigorosa da luta de classes, como trabalhadores, devemos ter como perspectiva a construção de um partido, de fato, dos trabalhadores, que se coloque claramente como um partido da revolução socialista, onde a classe trabalhadora negra e sua juventude se sinta representada e seja protagonista.

O autor é presidente do PSOL Bauru e coordenador nacional do Movimento Negro Socialista.





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