Bauru e grande região - Quarta-feira, 17 de julho de 2019
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19/05/19 07:00 - Tribuna do Leitor

O poder

Patrícia Santos

Preso nas mãos de poucos, mas poucos que comandam muito, é assim o poder do povo. Limitado. Nos prendem em uma cortina de fumaça, inauguram um hospital que não se mantém, uma creche sem qualidade, e é nossa política de pão e circo do século XXI.

Citando um exemplo fácil de visualizar, um renomado hospital de Bauru atende 68 cidades da região, além da cidade-sede, é claro, e a propaganda disso é "fantástica capacidade" quando, na verdade, deveria ser: "É muito para um único local".

Deveria funcionar maravilhosamente, mas já não suporta a demanda de pacientes que aumenta a cada dia com a velocidade de um carro com nitro, mas a velocidade das vagas cresce a pé, pisando em vidro.

E aonde estão as prefeituras que juntas deveriam pressionar a DRS, o Estado, o Ministério da Saúde, gritando socorro por estarem com listas de espera intermináveis?

Estão preocupados se dão seta para o governo da esquerda ou da direita, enquanto uma centena de pacientes que dependem do SUS esperam ANOS por uma consulta com reumatologista.

O plano escrito do SUS é tão lindo que chega arrancar lágrimas dos olhos mais sensíveis. E a nossa constituição? Um primor de cláusulas bem escritas, mas por que quase ninguém lê?

Porque isso causaria indignação e vontade de lutar por uma causa ganha, por direitos já nos é dado e protegido. Mas nos tornamos reféns da preguiça e da cegueira implantada na mente.

Sim, é um gasto milionário manter um hospital, mas também não é isso manter a folha de pagamento e convênio médico particular de tantos políticos?

As prioridades precisam ser revistas, o mundo está se tornando inóspito para seu próprio povo, porque nos separamos do propósito, que era viver em harmonia com o próximo e com a natureza.

Por que aceitamos as migalhas que nos dão enquanto assistimos calados o espetáculo de cada sessão da câmara? Aonde está o espírito de sobrevivência humana?

Tiraram isso de nós quando nos disseram "escolham um representante"?

O propósito não era esse, era escolher representantes para não haver balbúrdia desnecessária, e que esses representassem o povo, lutassem pelo bem estar do povo, no coletivo, e não para uma parcela mínima de privilegiados, e nos calamos como se devêssemos ser submissos a essas pessoas, quando na verdade é o contrário.

Deixem os grandes homens eleitos utilizarem o SUS com suas famílias, deixe que andem de ônibus, deixe que sobrevivam com salário mínimo, deixemos que eles se lembrem que assumiram um compromisso pelo bem maior e não pelo maior bolso cheio de notas.

Que a revolução comece em cada um de nós, ou caminharemos para o fim bem antes do armagedom chegar.

 





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