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19/05/19 07:00 - Tribuna do Leitor

O que se deve entender por valorização do professor?

Prof. Joaquim Eliseo Mendes - Membro efetivo da ABLetras

Será pagar melhor ou bem o professor? E quanto seria esse "bem" ou "melhor"? Sinceramente não posso precisar, pois eu, modéstia à parte, que tive uma carreira brilhante no magistério paulista como professor, diretor, inspetor (concurso de provas e títulos) e diretor regional de Ensino de Bauru, há 37 anos aposentado, recebo como proventos menos de sete mil reais.

E a história continua a mesma: nada mudou nestas três décadas porque o professor, esse profissional abnegado, continua mal remunerado. Outra questão: será que, utopicamente, se triplicasse o que o professor ganha, ele estaria sendo valorizado? Não. Pois estar-se-ia compensando apenas uma parte que seria ganhar bem, o justo, porém com péssimas condições de trabalho.

É o que, infelizmente, estamos vivenciando hoje em dia. Realidade trazida a público recentemente pela Apeoesp através de publicação do JC em edição do dia 21 passado: "51% dos professores já foram agredidos" (ali estão dados compilados na região de Bauru).

Imaginemos nos centros maiores. Dados estatísticos estes que infelizmente estão sendo reforçados com os acontecimentos que ocorrem nestes dias na tradicional EE "Ernesto Monte" em nossa cidade com uma situação incontrolável sob domínio de pânico entre os professores, próprios alunos, funcionários e merendeiras, provocada por alunos punidos que pulam os muros e que circulam por seus corredores e classes ocupando espaços físicos e pretendendo marcar território como se tem conhecimento pela TV.

Situação com domínio de pânico que atinge diretamente professores e funcionários e que deve ser discutida pela APM, Conselho de Escola, comunidade representada pelos pais dos outros alunos, aqueles que querem estudar e não conseguem e do Ministério Público.

A meu ver esses transgressores "alunos" responsáveis devem ser compulsoriamente transferidos. Não há meio termo, conciliação, a autoridade tem que ser exercitada. Para que não aconteça como em Suzano.

Estes fatos literalmente ocorrem com conhecimento e cobertura de muitos pais que se mostram despreparados para o seu uso, formando famílias ou grupos se servem de WattsApp para cobrarem os professores por determinadas medidas tomadas em relação a seus filhos. São pais com críticas infundadas, humilhantes, não construtivas, reforçando comportamentos e atitudes negativas dos filhos. Confirmando a máxima criticar é fácil, difícil é fazer. Finalmente, o que deve ser feito para valorizar o professor?

Remunerá-lo bem, justamente e oferecer-lhe boas e ideais condições para o seu dedicado trabalho. Segurança física sem necessidade de se defender contra agressões, respeito moral, alegria, despreocupação em relação a sua pessoa física e aos seus bens. E para que este estado realmente ocorra, há necessidade urgente de se mudar o entendimento de auto defesa da escola em relação à violência.

Pontualmente, não há como a escola se autodefender. Defesa não é alçada da educação, mas formar, orientar. A estrutura física da escola tem que ser reinventada mediante a participação efetiva de assistentes sociais, psicólogos, instalação de câmeras e, principalmente, a contratação de seguranças formados para tal fim.

Sim, parece inconcebível mas chegou o momento em que determinadas escolas terão que ter um ou mais seguranças com o objetivo único da proteção do professor e do patrimônio durante o período escolar. Seguranças como dos bancos e empresas em geral. Seguranças que serão mantidos pelo Estado, poder público municipal ou pelas próprias APMs (Associação de Pais e Mestres). E, nesta última hipótese, há necessidade de que a abertura seja regulamentada por lei

Para o enfrentamento deste gravíssimo problema que vem afligindo nossas escolas e que tende ao agravamento tem-se que considerar o seguinte, ele é pontual, não ocorre em todas, tanto estaduais como municipais, pois há milhares, principalmente nas cidades pequenas que são verdadeiras ilhas de paz e tranquilidade com ótima qualidade de ensino.

Mas, infelizmente, a exceção constitui a maioria. Um fato é notório: de que a situação não pode continuar, pois a escola está perdendo para uma minoria e, a continuar assim , pelos motivos expostos, não haverá mais professor pois será uma profissão de alto risco. E jamais o robô tomará o seu lugar.

 





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