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19/05/19 07:00 - Tribuna do Leitor

Sobre a saúde pública em Bauru: (Des)caso e desrespeito com os idosos

Cris Deziró - professora e escritora

"Quero contar aqui o caso de um descaso que aconteceu comigo aqui nesta cidade. Na verdade é mais um descaso...

Meu nome é José, tenho 65 anos. Além de hipertenso, ultimamente tenho sentido muitas dores na região lombar. Sou trabalhador autônomo e ganho o suficiente somente para sobreviver.

Apresentando dores fortíssimas no peito esquerdo e na região das costas compareci ao UPA Central. Dei entrada às 7h e fui atendido às 8h. Diante do meu quadro, me deram soro. Fiquei tomando o mesmo até o horário do almoço, mais ou menos... Depois me levaram para fazer exames de sangue.

Infelizmente vou ter que falar aqui o que todos ou a maioria das pessoas falam quando procuram um serviço de saúde público: "os médicos nem olham na cara da gente". Mas também entendo que o trabalho deles é exaustivo e o poder público não contrata médicos suficientes para a demanda...

Também percebi que na troca de plantões ocorre alguma falta de comunicação, não sei da parte de quem... No meu caso, eu tive que alertar um dos médicos da troca de plantão que o exame solicitado pelo mesmo já tinha sido realizado anteriormente...

Resumo desse dia: após mais de 12 horas sem nenhum médico retornar e me dar uma informação sobre os exames realizados, impaciente e já sentindo fome, cansaço e ainda com dor, saí por conta às 19h30 da unidade.

Continuei a vida, mas não suportando as dores, consegui marcar consulta, depois de muitos dias, num posto perto de casa... Após o relato dos meus problemas e dores, o médico me prescreveu alguns medicamentos e pediu exames de sangue e radiografia e encaminhamento para um ortopedista.

Já no AME, na consulta com o médico ortopedista, fui informado que a radiografia não estava lá... Questionei insistentemente, mas não obtive resposta... Além disso, sem esse exame que poderia dar a resposta sobre minhas fortes dores lombares, o médico não pôde diagnosticar meu problema. Aí me disseram que eu poderia reclamar na ouvidoria...

Fui na ouvidoria e a moça de lá me disse que não podia fazer nada a meu respeito... "Mas aqui não é a ouvidoria, minha senhora?". Então me orientou que fosse procurar a radiografia ou fizesse a reclamação por escrito.

Seguindo o caminho mais rápido, me dirigi até o posto perto de casa e pedi para conversar com o responsável. Muito estranho que daí alguns minutos de conversa, meu exame apareceu... Fiquei aliviado... Só por um minuto... Pois fui informado que deveria aguardar até cerca de 6 meses para novo retorno aos médicos... "Mas não foi culpa minha que o exame não estava no consultório do médico no dia agendado, moça...". E ela... "Não podemos fazer nada."

Conclusão: após dois meses de tudo isso ocorrido, ainda continuo com as dores, tendo que me automedicar, pois alguns remédios prescritos não fizeram bem pra mim e estou aguardando um "anjo da guarda" me ligar para marcar nova consulta...

Se todos sabem que para a maioria de nós idosos torna-se mais difícil a mobilidade, a compreensão, além da difícil situação financeira e muitas vezes da falta de apoio familiar, por que o poder público dificulta ainda mais nossas vidas? Por que tanta complicação? Por que não fazem a saúde ser realmente acessível a nós?

Acho que tenho a resposta... Sou mais um velho José. Um Zé véio honesto e trabalhador a mais e, infelizmente, sou mais um caso do descaso e do desrespeito para com os idosos dessa cidade e desse país."

Esse (des)caso acima foi baseado em fatos reais ocorridos em Bauru.

 





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