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05/06/19 07:00 - Opinião

Dia Mundial de Meio Ambiente: cada um precisar fazer a sua parte

Rodrigo Agostinho

Lúcia Neves (63 anos) e Júlia Neves (6) anos - avó e neta -, Marcelo Tavares Marcelino (42), taxista, estão entre as 10 vítimas da maior chuva em 22 anos na cidade do Rio de Janeiro, no dia 8 de abril último. Na ocasião, bairros ficaram submersos e houve muita destruição. Os três são apenas algumas das milhares de vítimas no Brasil e em todo o mundo de tragédias ambientais que poderiam ser evitadas.

Tornados nos Estados Unidos da América, grandes incêndios em Portugal e na Flórida (EUA), erosão costeira, aumento da temperatura do planeta, escassez de água, a desertificação, poluição do ar, contaminação do solo, da água e dos alimentos por agrotóxicos, a transmissão de doenças por animais e insetos, como a dengue, chicungunha e zika, a ocorrência de ondas de calor e secas, trazendo perdas para a agricultura, e também de frio com grandes nevascas - estes fenômenos estão se tornando cada vez mais comuns e intensos e podem desencadear danos irreversíveis nos ecossistemas terrestres. Diagnósticos para cada um deles já temos, com estratégias e planos para enfrentar as alterações climáticas e desafios ambientais, mas colocá-los em prática ainda é algo muito difícil.

Recentemente, o rompimento das barragens da mineradora Samarco no distrito de Bento Gonçalves, em Mariana, em 2015, e da barragem do Córrego do Feijão, da mineradora Vale, em Brumadinho, em fevereiro último, em Minas Gerais, também deixaram um rastro de destruição: juntas são mais de 250 mortos e de 30 desaparecidos. As consequências são catastróficas e os danos vão além das perdas humanas.

Em ambos os casos, milhões de metros cúbicos de rejeitos se espalharam numa avalanche de enormes proporções, vitimando seres humanos e cidades, causando perdas ambientais irrecuperáveis, eliminando a vida, soterrando a biodiversidade.

É muito triste! Para se ter uma ideia, a lama decorrente do rompimento da barragem da mineradora Samarco danificou os corais de Abrolhos, na Bahia. O arquipélago possui a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul. Estamos conseguindo estragar tudo. Até aquilo que fica distante de nós.

A situação de muitas barragens é alarmante. Somente 3% das 24 mil delas voltadas à irrigação e exploração hidrelétrica, abastecimento, uso animal, aquicultura, contenção de resíduos minerais e industriais existentes no país foram vistoriadas. Infelizmente, novos desastres poderão acontecer caso não sejam adotadas medidas preventivas urgentes. Cerca de 3,5 milhões de pessoas vivem em regiões onde estão localizadas barragens em risco de rompimento. É preocupante!

Como presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados além de analisar os projetos de lei que tramitam sobre o assunto, propus a realização de reuniões para debater a importância da questão ambiental no país. É preciso assegurar o que já foi conquistado e muito mais. As questões são muitas. E muitas também são as formas de pensar e de agir, sobre elas. Estamos falando do ar que respiramos, da terra que produz o alimento que é nosso sustento, da água que é nossa fonte de vida, do planeta que é a nossa casa e onde vivemos.

O trabalho é árduo, mas necessário. Somente com uma legislação eficiente e que realmente seja colocada em prática podemos garantir o futuro de novas gerações com qualidade de vida. Exemplos para aprender com eles já temos muitos. Infelizmente parece que as lições ainda não foram aprendidas. O aspecto econômico não pode se sobressair em detrimento do ecológico. O desafio é conseguir o equilíbrio que leve ao desenvolvimento sustentável, aquele capaz de satisfazer às necessidades das gerações atuais, sem colocar em risco a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades.

O autor é deputado federal, ex-vereador e ex-prefeito de Bauru.





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