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14/01/05 00:00 - Esportes

Basquete: Previdello troca Bauru pela Uniara

Técnico dirigiu equipe adulta bauruense no Campeonato Paulista e trabalhava nas equipes de base desde 1995

David Cintra
Depois de dirigir times das categorias de base por dez anos e ter comandado o time adulto do Bauru Basquete no Campeonato Paulista do ano passado, o técnico Hudson Previdello trocou Bauru pela Uniara de Araraquara. Com isso, o basquete bauruense não perde apenas um treinador, mas um formador e descobridor de talentos.

Hudson tem um extenso histórico no basquete de Bauru. Foi jogador da Luso até 1996, mas já treinava o juvenil em 1995. Na campanha de acesso à Divisão Especial, em 96, foi cestinha da equipe e do torneio. Foi auxiliar-técnico da equipe adulta do Tilibra-Copimax, campeão Paulista (99) e brasileira (2002).

Nas categorias de base tem diversos títulos regionais e estaduais como técnico. Além disso, foi auxiliar-técnico da Seleção Paulista campeã brasileira no infanto-Juvenil, em 2000, e técnico do time cadete do Estado campeão dos Jogos da Juventude em 2001.

O convite para dirigir o time juvenil da Uniara, atual tricampeão estadual, e ser auxiliar-técnico da equipe principal que disputará o Nacional, além de coordenar o trabalho nas categorias de base, partiu do João Marcelo Leite, atual técnico do time de Araraquara.
Segundo o técnico, o momento de indefinição por que passa o Bauru Basquete, que no próximo dia 18, vai eleger uma nova diretoria ou manter a atual, em contraste com um trabalho mais sólido desenvolvido em Araraquara, pesou a favor de sua decisão.

“Não posso ficar esperando algo que não sei o que vai dar. De repente não sai nada aqui e eu não poderia perder essa oportunidade. Araraquara é um clube de ponta, nas últimas 20 finais dos campeonatos que participou, a Uniara esteve presente em 16 delas. Eu gostaria de ficar em Bauru se tivesse uma estrutura melhor, com condições de trabalho, com tempo e planejamento, mas como não tem...”

Para Hudson, a única maneira de mudar a atual situação do Bauru Basquete é investir mais nas categorias de base. “É preciso ter uma filosofia de valorizar mais quem é da casa. O pessoal tem essa cultura de valorizar muito mais quem é de fora. Apesar de ter bons valores aqui, não sei por que se teima em valorizar mais quem vem de fora, que nem sempre é melhor”, opina.

Para ilustrar seu pensamento, ele usa os exemplos de dois jogadores formados pelo Bauru Basquete. “Tem jogadores que saíram daqui, como o Gaúcho ( Uniara) e o Quiroga (Hebraica), por causa de 200, 250 reais. Isso é muito pouco para um menino como o Quiroga, que é um jogador de ponta”, revela.

Para ele, se algo não for feito em relação às categorias de base de Bauru, o basquete na cidade corre risco até de desaparecer. “Acho que se Bauru não repensar o modelo de categorias de base e não oferecer uma estrutura para os profissionais trabalharem e os meninos se desenvolverem, vai ficar difícil manter o basquete por muito tempo e, se manter, não será um basquete de qualidade”, analisa.

Sobre sua primeira experiência num time adulto, quando comandou o Sukest/Bauru no Paulista do ano passado e o time por muito pouco não foi rebaixado, Hudson lembra das condições em que assumiu o time.

“Foi muito rápido, não ia ter nada, não íamos nem participar e derepente montou a equipe, em cima da hora, sem dinheiro, sem estrutura adequada. Foi difícil para mim porque eu não pude desenvolver o trabalho que gostaria. Mas tínhamos dois objetivos básicos que conseguimos atingir. O primeiro era montar o time e o segundo era não cair para a Segunda Divisão”, detalha o treinador.

Para este ano, as perspectivas do Bauru Basquete parecem não ser muito diferentes do que aconteceu em 2004. “É difícil falar agora, porque está tudo muito indefinido, a gente não sabe se vai continuar o mesmo presidente (José Martha), se o patrocínio vai ser mantido. Eu só poderia comentar algo depois do dia 18. Mas para recuperar o que foi perdido nos últimos anos vai demorar”, avalia.

Sobre um possível retorno, Hudson é claro e aproveita para fazer algumas críticas. “Eu conversei com a diretoria, expliquei porque estou saindo. Vou com as portas abertas e espero voltar para Bauru, mas numa situação diferente, porque sou daqui, tenho muitos amigos na cidade. Espero voltar e encontrar uma estrutura melhor, que dê oportunidade para crescer junto, que seja mais profissional, o que não tem acontecido nos últimos anos”, desabafa.

No entanto, apesar das críticas, o técnico não deixa de reconhecer a agremiação que lhe deu oportunidade de mostrar seu trabalho. “Agradeço muito ao Bauru Basquete por ter me dado oportunidade de participar das categorias de base e das campanhas vitoriosas da época da Tilibra-Copimax, por ter tido a experiência de treinar uma equipe adulta, mesmo sem ter as condições ideais. Agradeço também à torcida que apoiou o trabalho no bom momento e soube compreender também quando os objetivos eram mais modestos”, finaliza.




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