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22/02/07 00:00 - Cultura

A (R)evolução de Champignon

Depois de abandonar o Charlie Brown Jr., baixista lança primeiro CD à frente da nova banda Revolucionnários

Adriana Fricelli
Nada de skates, praias e mulheres. Depois da saída tumultuada do Charlie Brown Jr, o ex-baixista do grupo, Champignon, tenta se livrar do estigma de Chorão ao se aventurar por uma vertente mais politizada à frente da banda Revolucionnários. Sem abandonar as referências musicais do Charlie Brown, o primeiro CD da nova fase do músico, “Retratos da Humanidade”, traz nas 14 faixas novos temas sobre a mesma fórmula que consagrou a banda santista: a mistura de reggae, hip hop e hardcore.

“Na verdade não é a mesma fórmula”, adverte o baixista, que neste projeto também enfrenta o vocal. De fato, o Revolucionnários se diferencia da musicalidade do antigo grupo ao incorporar percussão e duas guitarras. “Este tipo de formação dá uma cara diferenciada à banda. Na verdade era um projeto paralelo de anos e que foi acelerado com minha saída do Charlie Brown”, afirma.

Aceleradíssimo, por sinal. Sem explicar muito bem os motivos que o levaram, junto com mais dois músicos, a abandonar a banda santista em 2005 - ou seja, a continuação é apenas de Chorão - e alegando que não ficaram mágoas, em menos de um ano, Champignon já estava em estúdio com a nova banda gravando o primeiro CD.

Grana para isso o vocalista conseguiu ao longo dos oito anos de carreira. Com o dinheiro, o baixista montou o selo Champirado Records para divulgar a banda e outras que venham a surgir. “Estou de olho em dois grupos, um de Florianópolis e outro de Santos, que devo lançar em breve”, avisa.

Produzido por Tadeu Patolla (também ex-Charlie Brown Jr.), “Retratos da Humanidade” foi masterizado por Rodrigo Castanho e distribuído pela gravadora Universal Music e só não chegou antes às mãos do mercado por burocracia da EMI, gravadora do Charlie Brown Jr. “Era para o disco ter saído em março do ano passado, mas a EMI demorou para me liberar e só conseguimos lançar no final do ano”, conta o vocalista.

Ideologias

Nas letras das músicas, o vocalista se mostra um pregador da consciência política ao falar sobre cultura, religião, valores sociais e outras situações do mundo contemporâneo sem abrir mão da crítica a essa sociedade “carente, romântica, violenta e implacável”, como descreve no material de divulgação do álbum. “Não sou o dono da verdade, mas sim, as pessoas podem aprender um pouco mais da vida com as experiências que já vivi”, cita Champignon no texto.

Cinco símbolos impressos no encarte do CD retratam o conceito da banda: o “om”; o “f” da filosofia grega; a preservação da humanidade; a balança da justiça e, no centro, o yin yang. Para explicar a simbologia, o vocalista resume: “a música e a filosofia são as razões que mantêm a humanidade em equilíbrio”, diz.

Para dar som às idéias, Champignon suga de todo tipo de música, mesmo as que fogem à sua praia. “Fiz três anos de violão clássico e isso abriu meu leque”, explica. Mas a influência maior do vocalista continua sendo o bom e velho rock’n’roll. “Sou um pesquisador de som, escuto muito bandas novas, mas as tradicionais Pantera e Motörhead, por exemplo, eu não abandono”, diz.

Com batidas eletrônicas, a banda abre o CD com o single “Revolucionnários”, que faz um chamativo no refrão com a frase: “Não se deixe levar/ Pela ignorância”. A faixa ficou em execução nas principais rádios durante cinco meses, além de ter dado origem a um videoclipe exibido na MTV, Multishow e TV MIX. Agora, a banda trabalha sobre a quarta faixa do CD, “Como num Sonho Perfeito”.

O resultado, segundo o vocalista, tem agradado o público, principalmente os fãs do Charlie Brown. “Eu só tenho recebido elogios da galera que estava ansiosa para ver meu novo trabalho e eu também fiquei muito feliz com o resultado”, afirma Champignon.

Mas se atualmente o Charlie Brown parece um grupo de um homem só, o Revolucionnários corre o mesmo risco. Seus integrantes Nando Martins (guitarra), Fábio Cavêra (guitarra), Diego Righi (percussão) e Pablo Silva (bateria) parecem ser apenas coadjuvantes do show estrelado por Champignon, responsável pela fala, projeto, investimento e todas as letras da banda.




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