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Ciência dia a dia: É "solidão" ou "solitude"?

por Alberto Consolaro

29/08/2016 - 07h00

Como você sabe? Onde aprendeu isto? São frases que ouço todos os dias. Nem lembro mais a fonte e o espanto foi tão grande que volto a procurar para confirmar, afinal posso ter errado na interpretação e checo a informação.

Alguns nomes uso por hábito por que me familiarizei por alguma razão qualquer e soam esquisito para outros que nunca ouviram. Um exemplo: “anfractuosidades” são irregularidades em uma determinada superfície como osso ou dente. Agora até evito, embora seja perfeita para certas situações. Poucos sabem, mas depois que aprendem gostam, acham sofisticado e passam a usar! 

Outro exemplo! Quando alguém no discurso diz ... caro e incipiente professor ... se não tenho texto antecipado ou se não aparece no telão fico com uma enorme vontade de perguntar: é incipiente com “s” ou “c”? Se for com “c” significa novato ou iniciante, mas se for com “s” quer dizer ignorante ou insensato. Paira uma dúvida se devo agradecer ou não!
Tendemos achar que todos deviam saber certas coisas, mas que nada, cada um deve saber o que considera importante e fim! Quando for preciso as pessoas buscarão e aprenderão! Quando a água sobe na cintura, aprendemos a nadar! 

Um dia desses me dirigi a duas pessoas e disse: - que interessante, os seus sobrenomes são Fernandes e Rodriguez. Seus pais se chamam Fernando e Rodrigo, certo? Não, me responderam, por quê? Esses dois nomes são patronímicos e significam relativo ao pai. Assim como os nomes suecos terminados em Son e Sen: Johansson e Petersen são filhos de João e Pedro. Ou terminados em Vic e Ski tal como Djokovic e Polanski ou filhos de Djoko e Polan. Não sabíamos, vamos falar aos nossos pais! Eu disse: - cuidado, vocês podem ser mal interpretados!

São exemplos simples, mas uma palavra pode guardar diagnósticos, sentimentos e significados. Quando usada de forma equivocada e ou mal interpretada, uma única palavra pode machucar. Veja a diferença entre as palavras Solidão e Solitude.

Solidão está relacionada com vazio, incompletude e períodos dolorosos. Enquanto isto, Solitude tem a ver com a paz interior, serenidade consigo mesmo, ficar sozinho por opção e ao mesmo tempo estar feliz. Certa vez li Flávio Gikovate afirmar que uma pessoa está preparada para ser feliz com outra quando estiver feliz sozinha! O solitário não precisa ser triste ou neurótico.

Ao ouvir músicas e ler poemas tenho a nítida impressão que os poetas não sabem diferenciar o que é Solidão de Solitude. As famílias e as escolas não ensinam as pessoas a curtir sua própria companhia, a apreciar o ao redor com alegria, sem precisar de alguém ou algo especial. Nem sempre precisamos estar conectados ao mundo, não precisamos participar de tudo que está acontecendo, não precisamos estar conectado ao mundo exterior o tempo todo!

“A linguagem criou a palavra Solidão para expressar a dor de estar sozinho. E criou a palavra Solitude para expressar a glória de estar sozinho”. Esta frase foi cunhada por Tillich, um importante filósofo da religião do século XX.  Muitas pessoas tem pavor, mais que medo, de ficar sozinhos, mesmo que por algumas horas. No Brasil 15% das pessoas moram sozinhas e na Inglaterra, 29%. A Solitude está associada à maior liberdade e independência; seremos socialmente melhores quando a experimentamos, mesmo que em breves períodos.
A Solitude propicia tempo, espaço e silêncio para que se faça algo de útil e belo. A Solitude propicia o ócio, o não fazer nada, aflora a espiritualidade, a auto-aceitação, sem precisar que outros aprovem! Solitude é não ser obrigado a ir na pizzaria ou cinema para agradar, é dar espaço para o silêncio e reflexão, sem aturar conversa chata.

Para a “Solidão” Adriana Maciel e Zeca Baleiro cantam que “a solidão é uma poeira leve e oferece a sua casa dizendo que na vida quem perde o telhado, recebe em troca as estrelas para rimar e, de soluço em soluço, esperar” na música “Só” de Tom Zé.  

Lindo também foi o que disse o poeta Fernando Pessoa sobre a “Solitude”: “Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes é necessário ser um.”

E você, já havia pensado nesta diferença entre solidão e solitude?

Observatório

“Limpinhos” – Fazer pesquisas com ratos e camundongos de laboratório, criados e vendidos apenas em laboratório, podem estar com dias contados. Pesquisa revelou que o sistema imunológico e o organismo desses animais não respondem igual ao do homem. As respostas dos experimentos são melhores quando se usam animais criados com os camundongos e ratos domésticos e expostos às intempéries da vida comum.

“Sujinhos” – Os animais de laboratório têm sistema imune adulto insatisfatório parecidos com os dos bebês humanos. Células de memória imunológica tipo T CD8+ são indetectáveis nestes animais, ao contrario dos animais domésticos de celeiros ou lojas de vendas de animais. Quando se misturam animais de laboratórios com domésticos, 20% morrem, os restantes ficam fortes com sistemas imunes  bem desenvolvidos. Publicado na “Nature” por Masopust e colaboradores!