Bauru e grande região

JC Criança

Carlos César e Cristiano por aqui

Há dois anos dupla tem nova formação com um ‘segundo’ Carlos César, que também cantou com o original, e do qual herdou nome e versatilidade

por João Pedro Feza

09/12/2017 - 07h00

Fotos: Reprodução
Contracapa de um dos discos da dupla com o primeiro Carlos
Carlos César e Cristiano em programa da TV Aberta Comunitária de São Paulo: música e legado

Bauru recebe, neste sábado (9), show de Carlos César e Cristiano. Fácil lembrar dois grandes sucessos: "O Vai e Vem do Carreiro" (Carreiro vai, Carreiro vem / Beirando matas, cordilheiras, Campos e espigões..." e "Caminheiro" ("Caminheiro que lá vai indo / Pro rumo da minha terra / Por favor faça parada / Na casa branca da serra"). Nem tão simples é explicar a volta da dupla.

Ocorre que o Carlos Cezar original morreu em 2002 e, há dois anos, o cantor Gardel assumiu o posto e o nome ao lado de Cristiano.

Gardel foi amigo do primeiro Carlos Cezar e, curiosamente, já havia cantado com ele justamente em ausências pontuais de Cristiano em algumas apresentações entre 1990 e 1998.  

"É um caso bem incomum no mundo artístico: cantar, em tempos diferentes, com um e com outro da mesma dupla", conta Gardel, por telefone, de sua casa em Campinas. "O mais importante é esse legado incrível que eles construíram ter continuidade. É uma dupla muito marcante na música sertaneja". 

Gardel/Carlos César também já foi Olair, Odair e De Marcos em outras formações com demais parceiros de palco (seu nome de batismo é Odair Minucci).

A dupla que se apresenta neste sábado por aqui também procura manter uma característica da original: por vezes, alternam-se em primeira e segunda vozes até na mesma música.

GUINADA

Voltando um pouco mais no tempo, Gardel lembra: "Eu era cantor de boleros. Trabalhei com Miele [famoso multiartista e produtor, morto em 2015], viajei muito com Roberto Luna [cantor com 60 discos gravados], com o Althemar Dutra [falecido em 1983]. Não faltaram estradas e turnês".

Onde, então, a música sertaneja passou a fazer parte de sua vida profissional?

Gardel aproveitou o momento em que as vozes agudas da música raiz começaram a dividir espaço com entonações mais fortes nos anos 70 e 80. Afinal, ele próprio tem vozeirão, como seu antecessor - e o sucesso de Milionário & José Rico, por exemplo, colaborou para abrir espaço e firmar essa tendência.

"Foi aí que fiquei anos em shows com o time de artistas do Marcelo Costa [cantor que virou apresentador do programa 'Especial Sertanejo', da Record, após ser revelado no 'Canta Viola', de Geraldo Meirelles, morto em 2013).

PASSADO PRESENTE

O sertão se mostrou fértil para ele que, hoje, também se vê relembrando uma passagem por Bauru, ainda em 1974, como cantor de uma orquestra.

"Os Incríveis também tinham se apresentado e nós demos conta do recado. Tanto que um delegado da época, de nome Chicão, levou a gente para confraternizar na casa dele e todos estavam muito entusiasmados. Bauru não saiu da minha cabeça desde então".

SERVIÇO

Carlos César e Cristiano: 9/12, hoje à noite, no Clube da Vovó. Casa abre às 20h. Convites: R$ 20,00 na portaria. Rua Santos Dumont, 7-80, Bela Vista. Detalhes: (14) 3222-4223.