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Bairros

Vigilante tentava renovar benefício

Sérgio Costa alegava problemas psiquiátricos após se envolver em tiroteio durante trabalho; pedidos foram indeferidos

por Tisa Moraes

30/08/2012 - 02h15

Desde abril, o vigilante Sérgio Vieira Costa, 39 anos, tentava renovar o benefício de auxílio-doença, que havia sido negado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de Bauru. Morador de Jacuba, bairro rural de Arealva, ele alegava sofrer de problemas psiquiátricos desde que envolveu-se em um tiroteio durante o trabalho.

Segundo informações prestadas pela assessoria de imprensa no INSS, Costa ficou afastado do trabalho, recebendo o auxílio, de agosto de 2005 a novembro de 2010. Logo depois, tentou obter outros dois benefícios, que foram indeferidos por não ter sido reconhecida sua incapacidade para o trabalho.

Mas, entre 3 de março e 9 de abril de 2012, teria voltado a receber o auxílio. Quando o benefício foi suspenso, recorreu dessa decisão por meio de Pedido de Prorrogação (PP), Pedido de Reconsideração (PR) e recurso à Junta de Recursos da Previdência Social. Todas as tentativas, conforme o INSS, foram indeferidas.

Segundo apurou o JC, desde abril Costa teria apresentado diversos laudos médicos para tentar comprovar que sofria de transtornos psiquiátricos que o impediam de voltar a trabalhar. Há cerca de um mês, segundo familiares, ele teria escrito uma carta em que dizia ter “ouvido vozes” que o mandavam incendiar o prédio do INSS.

Na manhã de ontem, antes de sair de casa em direção à agência da Previdência, deixou um bilhete para a esposa, informando que estava “indo para a guerra” e alertando a família de que “poderia morrer”. Tudo leva a crer que o ato tenha sido planejado, mas a polícia ainda não descarta a possibilidade de surto psicótico.

 

Surto

De acordo com o psiquiatra Evandro Luís Pampani Borgo, o surto é caracterizado pela perda da noção de realidade, que leva um indivíduo a agir de maneira estranha ou inesperada, devido à sua incapacidade momentânea de pensar racionalmente. “Mas, geralmente, os pacientes não costumam ser agressivos, a não ser que já tenham um perfil agressivo ou um histórico violento na família”, frisa.

De qualquer maneira, ele frisa que apenas uma avaliação médica detalhada poderá detectar o que houve com Costa. “Ele pode ter tido uma motivação delirante, mas pode ter agido simplesmente por vingança. É algo que precisa ser investigado”, frisa.

Ainda que tudo leve a crer que o vigilante realmente sofra de problemas psiquiátricos, Borgo destaca que a atitude extremada de um indivíduo não necessariamente comprova que ele esteja doente. “A pessoa, num momento de raiva extrema, pode ter uma explosão de agressividade e não ser, clinicamente, detectada com algum transtorno mental”, completa.


Polícia Federal de Bauru vai investigar o ocorrido

O vigilante Sérgio Vieira Costa não foi autuado em flagrante porque precisou ser sedado e internado no Hospital Thereza Perlatti, em Jaú. Mas, por ter atacado um prédio do governo federal, ele responderá a inquérito instaurado pela Polícia Federal de Bauru.

Segundo o delegado federal Ênio Bianospino, o crime de incêndio doloso em prédios públicos prevê pena de quatro a oito anos de reclusão. Mas, caso ficar comprovada insanidade mental do réu, ele poderá ser considerado inimputável e absolvido de qualquer condenação.

“Trata-se de uma perícia que ainda terá de ser requisitada pelo juiz. Mas, inicialmente, coletamos alguns depoimentos de funcionários e testemunhas, além de reunir documentos iniciais para a instauração do inquérito”, frisa o delegado.