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Abaixo-assinado pede a retirada de gado e cavalos das ruas do Pousada

Moradores reclamam da sujeira e risco de acidentes; crianças quase foram ?atropeladas? pelos animais, segundo testemunhas

por Marcus Liborio

02/10/2015 - 07h00

Fotos: Alex Mita
Em rápida volta pelo Pousada 2, a reportagem encontrou os animais andando pelas ruas do bairro
Rosangela mostra abaixo-assinado que exige providências

Moradores do Pousada da Esperança 2, em Bauru, enfrentam um problema recorrente: o de animais de grande porte soltos em via pública. A agente de saúde Rosangela Felix Silva, 49 anos, relatou que duas crianças, de 3 e 8 anos, escaparam por pouco de serem atingidas por cavalos e bois, quando brincavam na rua, há alguns dias.  

Sem legislação rígida para punir os proprietários e tendo em vista que o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) não tem local e nem recursos humanos para atender toda a demanda do município, Rosangela fez uma abaixo-assinado no qual reivindica que o poder público faça a retirada dos animais do local.

Com cerca de 200 assinaturas, a solicitação será entregue hoje ao chefe de Gabinete da prefeitura, Arnaldo Ribeiro. Ao ter conhecimento do assunto pelo Jornal da Cidade nessa quinta-feira (1), ele adiantou que irá intermediar a discussão do problema junto ao poder público. “Vou contatar o responsável pelo CCZ para debater o que pode ser feito”, disse.

Em nota enviada pela prefeitura, o órgão alega que não recebeu reclamações de moradores do bairro Pousada 2 e que, inclusive, não teria registrado aumento no número de animais aprendidos nos últimos meses (leia mais abaixo).

Comendo lixo

Rosangela registrou uma cena inusitada nesta semana: um cavalo comendo lixo em uma sacolinha plástica, próximo à residência dela, na quadra 1 da rua Valdevino Sobreira. “A gente convive com bois, vacas e cavalos passando pela rua diariamente e ninguém toma providências”, reclama a moradora.

Nessa quinta (1), a reportagem do JC percorreu o Pousada 2 e flagrou uma motociclista disputando espaço na via com bois que passeavam tranquilamente pelo local. Porém, nem sempre os animais estão tranquilos como mostra o fragrante.

“Esses dias, escutei um barulhão e, quando saí de casa, vi cavalos e bois em disparada. Por pouco, não atropelaram duas crianças (de 3 e 8 anos) que brincavam na rua”, conta Rosangela, acrescentando que moradores do bairro conseguem os animais por meio do próprio CCZ. “Eles nem têm condições de cuidar, mas fazem questão de buscá-los no CCZ”.

‘Preso em casa’

O soldador Lucas Portela de Faria, que também mora na quadra 1 da rua Valdevino Sobreira, “não vence” limpar o lixo espalhado na frente de sua residência. “Todo dia vem cavalo revirar a lixeira”, reclama. A situação o leva a privar o filho Lucas Gabriel, 4 anos, de brincar em frente do imóvel. “Ele vive preso dentro de casa, pois temos medo de acontecer algum acidente”.

A esposa do soldador, Alessandra de Brito, 25 anos, reforça a preocupação. “Eu brincava com meu filho aqui em frente, quando, de repente, surgiu uma boiada. Não sabia para onde correr. Por pouco não fomos atingido”, lembra.

Sem reclamação?

Em nota enviada pela prefeitura, o CCZ diz não ter recebido nenhuma reclamação de animais de grande porte soltos em via pública no bairro Pousada da Esperança 2 e reforça que a denúncia pode ser feita pelo telefone (14) 3103-8050, de segunda à sexta, das 8h às 17h. Nos demais horários, o reclamante deve acionar a PM pelo 190.

Após a apreensão dos animais, o proprietário tem o prazo de cinco dias para retirá-los. Do contrário, “eles ficam à disposição da prefeitura, que pode doá-los para uso em ações beneficentes ou encaminhá-los para adoção, se apresentarem bom estado de saúde”.

O responsável fica sujeito ao pagamento da taxa de apreensão de R$ 105,00 do valor da diária, R$ 52,00 pelos dias de permanência do animal nas dependências do órgão, além da multa que varia de R$ 121,11 a R$ 4.602,00, conforme a reincidência do ato.

O CCZ disse ainda que “não observou aumento do número de animais apreendidos nos últimos meses”. A média mensal de apreensão em Bauru em 2015, segundo o órgão, é de cerca de 15 animais de grande porte. Os números do ano passado não foram fornecidos.