Bauru e grande região

Bairros

Destinações descartes conscientes

Seja reciclando, doando ou deixando em locais especializados para a coleta, o JC nos Bairros passeia por alguns exemplos de ações responsáveis para com o meio ambiente

por Ana Beatriz Garcia

21/01/2018 - 07h00

Malavolta Jr.
Terezinha Fátima Carvalho da Silva mostra como reaproveita materiais em sua casa

Ao concluir sua vida útil, um material - seja ele qual for - pode ter diversos caminhos. Alguns, repletos de história e de valor sentimental, podem ser guardados por anos tonando-se relíquias. Outros, são passados de mãos em mãos em doações esperançosas pelo bom uso daquele bem. Ainda há os que tomam formas nas mãos de quem recicla e os que, descartados conscientemente, tomem novas formas no futuro.

Independentemente de como se dá essa relação, o respeito ao meio ambiente é uma das preocupações que motiva a destinação ou descarte como novos caminhos para os objetos que já não servem mais. O que, em alguns casos, não é colocado em prática (veja mais abaixo).

Nas mãos de Terezinha Fátima Carvalho da Silva, de 57 anos, por exemplo, os panos velhos, as caixinhas de papelão de produtos diversos e as garrafas, tornam-se novos utensílios para o dia a dia. "Eu acredito que é o que eu posso fazer para ajudar o meio ambiente, reutilizando as coisas que estão boas, podem ter outras utilidades". E acrescenta: "Ainda faz bem pra minha mente. Ao invés de pensar nas coisas ruins do dia a dia, fico fazendo essas coisas e nem vejo o tempo passar", comenta.

Os vasos de planta, potinhos para armazenar mantimentos e guardar sacolas também são uma opção de incremento na renda da dona de casa. "Vendo para os meus amigos, para os vizinhos que se interessam. Aqui em casa, tudo que eu posso, eu reaproveito com essas ideias". 

A ideia que já está nos planos da dona de casa é a transformação da máquina de costura antiga que guarda. "Agora vou fazer alguns enfeites nela, para que vire um objeto de decoração na minha sala", diz. 

MAU EXEMPLO

Ao lado da casa de Terezinha, a realidade é bem distinta do pensamento da dona de casa. "As pessoas não tem cuidado, nem respeito nenhum e jogam lixo no mato. Na porta da minha casa", diz.

O terreno, que fica próximo à quadra 11 da alameda das Primaveras, no Parque Vista Alegre, vem acumulando sacolas, roupas, partes de brinquedos e muitos outros itens que são jogados no local. "Faz tempo que isso acontece e já falamos com a prefeitura. Eu mesma já flagrei essas pessoas vindo deixar lixo aqui. Antes, deixavam em outra rua, até sofá já deixaram por lá. Agora veio para cá".

Para a dona de casa, além dos problemas gerados ao meio ambiente, a preocupação também se dá por conta dos animais peçonhentos que surgem, além das queimadas que, vez ou outra, ela diz acontecer. "Quando ateiam fogo vem aquela fumaça horrível para dentro de casa. Tenho vizinha bem idosa e me preocupo. Isso sem falar que já apareceu escorpião e até cobra em casa", lamenta.

ÁREA PARTICULAR

De acordo com a prefeitura municipal, a área em questão é particular e a Vigilância Ambiental irá enviar fiscais ao local para notificar o proprietário para que realize a limpeza do local. Em nota, a prefeitura ainda pede a ajuda da população para que não deposite entulho e lixo em locais inadequados, mas que os levem a um dos Ecopontos da cidade.

QUANDO O DESTINO FINAL NÃO É O LIXO

Malavolta Jr.
Antônio Alliberty de Castro e Olga Dias da Silva durante encontro para doação de uma máquina de escrever antiga

“Eu fiquei com muita dó. Para mim, as coisas antigas têm muito valor”. Com este pensamento, a moradora do Jardim Bela Vista, Olga Dias da Silva, de 73 anos, deu novo rumo a uma relíquia que seria deixada no lixo, na última semana.

“Uma vizinha ia se desfazer de uma máquina de escrever. Mas isso não poderia acabar no lixo e nem ser jogado de qualquer forma. Com certeza, alguém gostaria de fazer bom uso”, relata a aposentada que, avessa à tecnologia, revirou a lista telefônica em busca de uma nova casa para a Olivetti Línea 98.

“Lembrei da dona Celina Neves que, por anos, teve uma escola de datilografia na cidade. Pensei ‘que fim deram aquelas máquinas?’. Queria encontrar alguém que fizesse coleção e fosse ficar feliz com a doação”, diz. Foi nessa busca que dona Olga entrou em contato com a redação do Jornal da Cidade e o JC nos Bairros pôde acompanhar a destinação da antiga máquina de escrever a um lugar em que poderá contar a história de seu tempo.

PRESERVAR A HISTÓRIA

Assim como a aposentada, Antônio Alliberty de Castro, o Toninho, 55, reconhece, nesses objetos, a memória do passado. “A história é uma coisa bonita, que a gente precisa aprender a preservar e a dar valor. A máquina de escrever lembra a história da minha vida e de muitas outras que conviveram com elas, além de ter escrito, literalmente, parte dessas histórias”, comenta o empresário que recebeu a Olivetti para compor o seu minimuseu, criado em 1994, localizado em uma de suas lojas.

Com uma relação estreita entre esses objetos e sua própria vida, Toninho comenta sua felicidade em receber um novo modelo para o acervo, que conta com cerca de 20 máquinas de escrever e calculadoras de tempos e modelos variados.

“Eu nasci em uma loja de máquina de escrever. Minha vida foi ver esses itens sendo vendidos. Este é um dos últimos modelos de máquina de escrever manual. Eu não tenho essa máquina no meu acervo e fico bastante feliz em recebê-la”, declara.

Além de empresário, Toninho também é presidente de um projeto de coleta de resíduos em Bauru (leia mais abaixo). “É bom ver a preocupação dela em não descartar de forma incorreta esse objeto”, destaca.

DE OLHO NO LIXO

Dona Olga também ficou feliz em achar novo rumo para a Olivetti, bem como fez com quatro bonecas que, certo dia, viu sendo descartadas. “Logo lembrei de uma matéria do jornal, de uma senhora que consertava esses brinquedos. Pedi para a dona e levei para a senhora consertá-las e doá-las”, afirma. E completa: “Estou sempre de olho no lixo dos outros”.

Bem humorada, a aposentada ainda relata que, em sua casa, existem muitos outros itens como panela de ferro e ferro de passar antigos prontos para destinação. “Já está procurando colecionadores ou quem queira as doações. Eu tenho que achar um caminho pra essas coisas, porque eu tenho dó de jogar no lixo. A hora que eu morrer, essas coisas vão para o ferro velho”, conclui.

ECOPONTOS OFERECEM OPÇÕES

Malavolta Jr.
Um dos mais movimentados é o Ecoponto da rua Sorocabana

Além do destino conhecido para o lixo domiciliar, uma das opções para os munícipes é contar com os Ecopontos para descartar, de forma correta, outros tipos de materiais, que causam mais dúvidas na hora de dar fim. Para este ano, a cidade ganhará ainda mais duas unidades para auxiliar no recolhimento destes lixos.

"Há o planejamento de implantação de mais dois Ecopontos na cidade, neste ano. O projeto está em fase de estudo, junto à secretaria de Planejamento, para avaliação de áreas que possam receber os novas unidades em Bauru", afirma a secretária municipal do Meio Ambiente (Semma), Mayra Fernandes da Silva. Ainda de acordo com a titular da Semma, os possíveis bairros que receberão essas unidades são a Vila Independência e o Parque São Geraldo.

Apesar de não serem recicláveis, alguns materiais como pilhas e baterias também devem ser descartados corretamente, para evitar a contaminação do meio ambiente. Estes e outros materiais como entulho (até 1 metro cúbico), volumosos (móveis, colchão, sofás), lixos eletrônicos, madeiras e lâmpadas e óleo de cozinha podem ser descartados nos Ecopontos espalhados por sete regiões da cidade (veja mais no quadro ao lado), para serem destinados às cooperativas.

"Os munícipes que têm responsabilidade ambiental, vem fazendo bom uso desses locais e levando, cada vez mais, os materiais. Além de seguirem os dias e horários corretos", comenta o diretor da Divisão de Controle e Projetos Ambientais Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Luiz Henrique Facin. No entanto, Luiz ainda destaca que algumas pessoas, mesmo que com boas intenções, ainda não estão cientes do melhor momento para realizar a entrega de materiais, devidamente acompanhados por um funcionário do local. "Tem quem leve durante o final da semana, de domingo, após as 17h, eles acabam deixando na calçada, causando um trabalho maior para o recolhimento no outro dia", comenta.

Além disso, Luiz lamenta a ocorrência recente de vandalismo no Ecoponto do Parque Viaduto, localizado na quadra 28 da rua Bernardino de Campos. "Os vândalos tentam adentrar o contêiner dos funcionários, mas, sem encontrar nada de valor, acabam por destruir e atear fogo no Ecoponto. Já tivemos um episódio semelhante no passado no da rua Sorocabana. É uma pena", lamenta.

NA PRÁTICA

Trabalhando em obras em sua casa, o gerente de obras Hélio Fernandes Ribeiro, 69 anos, destaca a importância de fazer uso dos Ecopontos. "Venho, pelo menos, duas vezes por semana para deixar pequenos volumes de materiais. Acho muito importante juntar e descartar de forma correta. Também me preocupo bastante com o isopor, que agora vem sendo recolhido e está ajudando bastante", comenta.

Também com reparos em casa, o analista de suporte Renato Dias Miguel, 41 anos, foi ao Ecoponto Antonio Eufrásio de Toledo - um dos mais movimentados da cidade -, para descartar corretamente os resíduos, na última semana. "tenho costume de deixar juntar em casa e trazer aqui para ser reciclado. Fiz uma pintura em casa e trouxe algumas latas de tinta vazias aqui", comenta. Além disso, Renato comenta que outros materiais recebem destinação correta. "Também costumamos levar outros materiais recicláveis para um mercado próximo de casa que recebe este tipo de produto", conclui.