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Bairros

Sol e calor: haja criatividade para driblar as altas temperaturas

Pelos bairros da cidade, moradores encontram soluções para lidarem com as altas temperaturas deste verão

por Ana Beatriz Garcia

13/01/2019 - 07h00

Ventilador, ar-condicionado, piscinas, sombra e água fresca! Esses são alguns dos artifícios utilizados nesse período do ano. O verão chegou oficialmente há mais de 20 dias, mas o que mais se escuta é que ainda não deu para se acostumar com o calor feito nos últimos dias, com temperatura máxima na casa dos 30 graus (leia mais na página 6).

Na hora de fugir desse calorão, uma sombra sempre é bem-vinda. Tendo que trabalhar embaixo de sol forte, o calceteiro Nivaldo Afonso Nascimento, 53 anos, já arrumou uma saída. "Eu uso esse sombreiro há muitos anos. São 35 anos de profissão e pelo menos há uns 25, toda vez que o calor está forte, eu abro o sombreiro. Onde eu vou ele vai comigo e temos sempre um para cada pessoa. Se tiver dez calceteiros trabalhando, são dez sombreiros", afirma Nivaldo que contava com a ajuda do parceiro, Jorge Luiz Peres Sebastião.

Com os sombreiros coloridos abertos, os dois trabalhavam desde a manhã na reconstrução de uma calçada na quadra 2 da rua Xingu. "A sombra ajuda a gente a não passar tanto calor e ainda nos protege dos raios do sol. Uso o boné também para ajudar", comenta o calceteiro.

TODO DIA

A sombra e a brisa também são aliadas de alguns moradores do Geisel, como Maria Aparecia da Silva Rossini, 69 anos. "Já fiz todos os meus serviços de casa, mas não tem como ficar lá. Está muito quente, muito calor. Esse ano parece que ainda está pior do que os outros anos. E olha que eu moro nessa casa desde 1970", afirma a moradora da rua das Figueiras.

É embaixo de duas árvores da casa vizinha que ela coloca seu banquinho, todos os dias, e fica observando o movimento. "Eu gosto de ficar aqui porque a brisa é muito gostosa, é um lugar tranquilo. Fico vendo os carros passarem e pensando na vida", destaca.

Não muito longe dali, na rua das Castanheiras, mais sombra e mais gente aproveitando. Delciza Pinheiro Queiroz, 63 anos, conta que depois do almoço, passa o dia inteiro na frente de casa. "Não tem condições de ficar dentro de casa. Está muito quente e nem o ventilador 'vence'. Depois do almoço, venho aqui pra frente, sento na sombra e fico até entardecer. Às vezes, vem as crianças, os vizinhos sentam aqui comigo para conversar e, assim, vou passando a tarde", relata a dona de casa.

EM PLENA AVENIDA

Aproveitando a sombra ocasionada pelas árvores da avenida Lúcio Luciano, no Parque Bauru, o motorista Alan Kardec, 64 anos, e o gesseiro Vicente de Paula Oliveira, 40 anos, conversavam quando a reportagem passou pelo local. "Estou dando só um tempinho no trabalho, aproveitando a sombra e já volto", diz Vicente.

Já Alan Kardec se refrescava com uma cerveja na mão em frente sua casa. "Sempre que posso, sento aqui na sombra da árvore para aproveitar o vento que bate. A cervejinha é para refrescar", comenta.

COM A FAMÍLIA

Ana Beatriz Garcia
Benedita Alves Bastos com o sobrinho neto Carlos Daniel Souza Vicente e as sobrinhas bisnetas Ana Clara Souza Gomes e Ana Beatriz Souza Gomes

Dona Benedita Alves Bastos, mais conhecida com dona Bel, de 70 anos é proprietária de um bar no Parque Bauru. Além de acompanhar o movimento do estabelecimento, ela faz questão de reunir os sobrinhos netos e bisnetos em frente ao local para conversar e fugir do sol forte. "Eles passam o dia aqui comigo, brincando e conversando. Ficamos para fora do bar, na sombra da árvore porque lá dentro é muito quente. Esse ano o calor está demais, a gente foge como pode", diz

Verão promete ser mais quente e chuvoso, diz climatologista

 Ana Beatriz Garcia
Laura Pinheiro Bergamaschi só sai de casa com sua sombrinha

Os bauruenses buscam formas de se esquivar do calor que vem fazendo neste verão, que promete ser mais quente e chuvoso do que o anterior. De acordo com prognósticos do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC-Inpe), a temperatura média em todo o Brasil no trimestre dezembro, janeiro, fevereiro deverá superar os 31.5 graus registrados no mesmo período de 2017 a 2018.

A explicação para isso, segundo a climatologista Alice Macedo, do Grupo de Previsão Climática do CPTEC, está na ocorrência do fenômeno El Niño, que também vai causar alterações no regime pluviométrico em boa parte do país.

Ana Beatriz Garcia
Maria Benedita Svicero mostra o ar-condicionado que salva as noites de calor

"Embora desta vez ele esteja classificado como de intensidade de fraca a moderada, é característico dele que eleve a temperatura do Brasil", explica. "O El Niño também está envolvido no aumento de chuvas. Na região norte haverá um aumento, mas nos demais locais do Estado de São Paulo o que pode ocorrer são pancadas mais fortes e não o aumento pluviométrico", explica.

PARA SAIR

Fica difícil sair de casa para caminhar em baixo do forte calor, mas não tendo opção, uma solução é sair se protegendo. É o que faz Laura Pinheiro Bergamaschi, de 70 anos. A moradora do Geisel não costuma sair muito de casa nesse tempo de calor, mas para ir, rapidamente, à padaria utilizou a sombrinha para se esquivar do sol. “Sempre que saio uso a sombrinha. É uma forma de não tomar muito sol. Não gosto de sair nesse calor, fico bastante em casa, mas já que saí, não pude deixar de me proteger”, afirma a aposentada.

Ana Beatriz Garcia
André Luiz Zambelo aproveitou a tarde quente para lavar seu carro

Quem também não sai durante a tarde é a aposentada, Maria Benedita Svicero, de 67 anos, moradora do Jardim Madureira. “Deixo para sair quando cai um pouco o sol porque não tem condições, está muito quente. Fui fazer minha caminhada às 7h e já passei muito calor, está cada ano pior”, relata. Em casa, Maria Benedita conta com piscina e ar condicionado para aliviar o calorão. “O ar condicionado é ótimo, pena que consome muita energia. Então, não deixamos ele ligado muito tempo. Usamos mais à noite, para conseguir começar a dormir”, afirma.

MOMENTO BOM

Ana Beatriz Garcia
Denise Simpriano, Artur Simpriano com o pequeno Miguel Simpriano, Nadir Braulio e Nádia Fonseca aproveitavam a tarde na sorveteria

Em meio as altas temperaturas, o professor André Luiz Zambelo, de 44 anos, morador da Vila Camargo, aproveitou para lavar seu carro na varanda de sua casa. “Essa época é boa para mexer com água. Estava limpando a varanda e aproveitei para jogar uma água no carro para ver se refresca”, comenta.

Outra opção para se refrescar na casa do professor é a piscina de plástico de três mil litros. “Nessa época a família toda usa bastante. Temos ela já faz um tempo e montamos sempre que faz um calor mais forte”, afirma.

Refresco para todo verão

Ana Beatriz Garcia
Ana Luiza Machado se deliciava com seu sorvete de morango, seu preferido

Claro que o verão também é conhecido pelo aumento na procura de guloseimas como os sorvetes, que refrescam e adoçam a rotina dos consumidores de todas as idades. Chegando de uma viagem de férias, o calor fez com que a família de Denise Simpriano, 44 anos, se reunisse em uma sorveteria do Altos da Cidade. “Meu marido deu a ideia e viemos para cá. O calor pede por um sorvete e todos nós gostamos”, comenta enquanto finaliza uma casquinha de sorvete.

Em uma mesa próxima, a pequena Ana Luiza Machado, de 3 anos, saboreia seu sorvete preferido: de morango. A mãe, Vanessa Machado, de 37 anos, comenta que passavam perto da sorveteria quando pensou na possibilidade. “Vim trazer ela no médico, está com alergia, justamente, por causa do calor. Ela ama sorvete de morango e quando passamos em frente à sorveteria, já pensei em parar”, confessa.

Diversão e frescor em piscinas

Temperatura que sobe é sinal de piscina montada na casa de Danieli Fávero, 40 anos, moradora do Jardim Olímpico. A opção chegou no Dia das Crianças, para a felicidade de Manuela Fávero, 5 anos. "Ela fica esperando, ansiosa, pela hora que a piscina vai estar pronta para ela nadar", relata a mãe da garotinha.

Para quem não tem essa opção em casa, as piscinas do Sesc e do Sesi são exemplos de uma saída para quem deseja se refrescar neste verão. Além das piscinas, a 24ª edição do projeto Sesc Verão, que segue até o dia 5 de março, conta com cerca de 1800 atividades e programação diversificada e inteiramente gratuita. Para ter acesso às piscinas, basta ter a credencial plena ou credencial atividade atualizada e exame dermatológico válido.

Também o Sesi, oferece solário com espreguiçadeiras, piscinas semiolímpica e recreativa (ideal para crianças), temperatura da água climatizada e guarda-vidas para a segurança dos banhistas. Toda a comunidade tem direito de utilizar o espaço. Basta fazer a carteirinha e ter livre acesso a toda estrutura oferecida na unidade, como quadras poliesportivas, espaço recreativo para as crianças e diversas atividades voltadas à saúde e bem-estar.

DIVERSÃO EM FAMÍLIA

Claudinei Aguiar, 54 anos, tirou seu dia de folga no açougue onde trabalha para curtir uma tarde de sol na piscina do Sesc.

"Vim com a minha filha e o meu neto. Não tenho costume de frequentar a piscina, mas como estou de folga e está muito quente, resolvi passar a tarde aqui", comenta.

Já na piscina de menor profundidade, para crianças, Angelita Vasconcelos, 35 anos, acompanhava a filha de 3 anos, Laura Vasconcelos.

"Ela ama água. Então, sempre que dá, principalmente agora nas férias, trago ela para se divertir. E, para protege-la do sol, ainda coloco um boné e camiseta de manga cumprida, além do protetor solar", afirma Angelita.

A piscina também atraiu a família de Kênia Patrícia Soares Amaro Caetano, 28 anos, no Sesi, durante essa semana. "Estou de férias, aproveitando para vir tomar sol e usar as piscinas do Sesi com a minha filha e minha cunhadinha", comenta. "Em casa é muito quente, não tem condições de não ir para um espaço aberto e, principalmente, as piscinas", completa.

NO TRABALHO

Tem ainda quem consiga fugir um pouco do calor enquanto trabalha. É o caso de Ilda Meca, 64 anos, gerente de uma loja de ventiladores no Centro de Bauru. Com cerca de 150 ventiladores em exposição, o frescor da loja chega a ser um chamariz para as vendas. "Tivemos um aumento de 90% nas vendas neste verão. Os fabricantes estão até com dificuldade para repor o estoque nesse período de final de ano", comenta. Já para ela, trabalhar ali não é tarefa difícil no calorão. "Claro que também sentimos calor, mas é bem mais refrescante trabalhar em frente aos ventiladores", brinca.

Quem também não reclama do calor é Lauriane Neri, 37 anos, que há cinco, vende coco na avenida Getúlio Vargas. "Nós temos uma clientela fixa, mas durante esse período cresce muito a procura. Isso porque as pessoas nem sabem o quanto a água de coco, além de ser refrescante, ainda traz diversos benefícios para a saúde", diz. Lauriane ainda comenta que, aproveita a sombra e a água de coco nos dias de maior calor. "Sempre que posso bebo um copo de água de coco para matar o calor. E, para parar o carrinho, sempre escolho a mesma sombra", finaliza.