Bauru e grande região

Bairros

Comunidade de mãos a obras contra a dengue

Em meio à epidemia vivida em Bauru, moradores adotam iniciativas de limpeza no próprio bairro e se tornam exemplos de cidadania por diminuir o risco de proliferação do mosquito

por Marcele Tonelli

10/03/2019 - 07h00

Divulgação
Quantidade de lixo recolhido em área de mata de preservação ambiental impressionou moradores

O avanço progressivo de casos dengue registrados em Bauru fez com que a Prefeitura Municipal decretasse situação de emergência na cidade na última semana de janeiro. Com o decreto, o poder público adotou algumas iniciativas para tentar limpar ao máximo a cidade. Conscientes de seu papel cidadão e preocupados com o atual cenário, moradores de alguns bairros e de entidades no município têm se unido e somado esforços com o poder público, promovendo "faxinões" comunitários e voluntários em seus bairros,  promovendo exemplos de cidadania.

Um dos exemplos da boa ação ocorre no Jardim Colonial, bairro próximo à Unesp. Unidos pelas redes sociais, moradores realizaram uma força-tarefa em um sábado à tarde para recolherem lixo espalhado por terrenos no bairro. A ação terminou com 4 caçambas cheias de inservíveis, como plásticos, móveis quebrados e até roupas.

Divulgação
Secretário Sidnei Rodrigues conversa com moradores do Jardim Colonial durante ação voluntária de limpeza

No Jardim Carolina, a Associação de Moradores criou uma ação própria e paralela a da prefeitura para a limpeza de terrenos considerados locais de risco para proliferação do mosquito Aedes aegypti. Cerca de 60 lotes que estão com mato alto ou acumulam lixo no bairro foram cadastrados e devem ser limpos, nos próximos dias, por equipes de profissionais. Neste caso, a entidade realizou uma campanha e obteve permissão de limpeza pelos proprietários.

Esta edição também traz ações de conscientização e limpeza realizadas por escolas de Bauru com crianças, nas últimas semanas. Além de um mutirão realizado pela própria prefeitura, que terminou com 88 toneladas de lixo recolhidas nos bairros Núcleo Edson Francisco Silva, Nova Esperança e Jardim Prudência (leia mais nas próximas páginas).

JARDIM COLONIAL

No sábado de 23 de fevereiro, cerca de 30 moradores do Jardim Colonial utilizaram a tarde de folga para se conhecerem melhor e faxinar no bairro, que possui várias áreas de preservação ambiental. Munidos de luvas, sacos plásticos e muita disposição, eles se reuniram na avenida principal, a Osvaldo Alvarenga Tavano, e seguiram recolhendo lixo e eliminando focos de dengue pela região.

"Eu nunca tinha visto algo assim, todos unidos pela saúde pública. Quem não pôde participar da limpeza, nos ajudou levando água, café e até bolo. Foi montada uma mesa no canteiro central da avenida", conta o morador Marco Aurélio Ducatti, 40 anos. "Combinamos tudo por WhatsApp, depois de saber de pessoas que tiveram casos de dengue na família por lá. O bacana é que muitos de nós nem nos conhecíamos pessoalmente. Foi uma oportunidade bacana", completa o morador.

O secretário municipal do Meio Ambiente (Semma), Sidnei Rodrigues, acompanhou parte dos trabalhos e enviou quatro caçambas para recolher o lixo retirado pelos moradores.

No local, o titular da Semma ouviu ainda sugestões de melhorias propostas pela vizinhança e prometeu atender o que fosse possível como, por exemplo, ajudar a transformar a área de mata na rua Mario Fabiano em um bosque para o lazer dos moradores.

Mutirão no Carolina

O grave e progressivo avanço nos casos dengue registrados em Bauru fez com que a Prefeitura Municipal decretasse situação de emergência na cidade na última semana de janeiro. Com o decreto, o poder público adotou algumas iniciativas para tentar limpar ao máximo a cidade.

Conscientes de seu papel cidadão e preocupados com o atual cenário, moradores de alguns bairros e de entidades no município têm se unido e somado esforços com o poder público, promovendo "faxinões" comunitários e voluntários em seus bairros,  promovendo exemplos de cidadania.

Um dos exemplos da boa ação ocorre no Jardim Colonial, bairro próximo à Unesp. Unidos pelas redes sociais, moradores realizaram uma força-tarefa em um sábado à tarde para recolherem lixo espalhado por terrenos no bairro. A ação terminou com 4 caçambas cheias de inservíveis, como plásticos, móveis quebrados e até roupas.

No Jardim Carolina, a Associação de Moradores criou uma ação própria e paralela à da prefeitura para a limpeza de terrenos considerados locais de risco para proliferação do mosquito Aedes aegypti. Cerca de 60 lotes que estão com mato alto ou acumulam lixo no bairro foram cadastrados e devem ser limpos nos próximos dias por equipes de profissionais. Neste caso, a entidade realizou uma campanha e obteve permissão de limpeza pelos proprietários.

Esta edição também traz ações de conscientização e limpeza realizadas por escolas de Bauru com crianças, nas últimas semanas. Além de um mutirão realizado pela própria prefeitura, que terminou com 88 toneladas de lixo recolhidas nos bairros Núcleo Edson Francisco Silva, Nova Esperança e Jardim Prudência (leia mais nas próximas páginas).

JARDIM COLONIAL

No sábado 23 de fevereiro, cerca de 30 moradores do Jardim Colonial utilizaram a tarde de folga para se conhecer melhor e faxinar no bairro, que possui várias áreas de preservação ambiental. Munidos de luvas, sacos plásticos e muita disposição, eles se reuniram na avenida principal, a Osvaldo Alvarenga Tavano, e seguiram recolhendo lixo e eliminando focos de dengue pela região.

"Eu nunca tinha visto algo assim, todos unidos pela saúde pública. Quem não pôde participar da limpeza, nos ajudou levando água, café e até bolo. Foi montada uma mesa no canteiro central da avenida", conta o morador Marco Aurélio Ducatti, 40 anos. "Combinamos tudo por WhatsApp, depois de saber de pessoas que tiveram casos de dengue na família por lá. O bacana é que muitos de nós nem nos conhecíamos pessoalmente. Foi uma oportunidade bacana", completa o morador.

O secretário municipal do Meio Ambiente (Semma), Sidnei Rodrigues, acompanhou parte dos trabalhos e enviou quatro caçambas para recolher o lixo retirado pelos moradores.

No local, o titular da Semma ouviu ainda sugestões de melhorias propostas pela vizinhança e prometeu atender o que fosse possível como, por exemplo, ajudar a transformar a área de mata na rua Mario Fabiano em um bosque para o lazer dos moradores.

Escolas preparam alunos para a luta contra o Aedes

Douglas Reis
Professora Silvia Helena caminha com crianças pelas ruas do Parque Viaduto ensinando que lixo se torna criadouro em potencial do mosquito que transmite a dengue

Essencial na formação da comunidade, a escola também tem participado da luta contra o mosquito em Bauru. Nos últimos dias, ao menos três escolas municipais infantis em bairros distintos da cidade realizaram trabalhos nas ruas da cidade pautados pela eliminação do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti.

As ações teriam sido reforçadas após recomendação da Secretaria Municipal de Saúde feita para a pasta da Educação, em virtude da epidemia e da situação de emergência decretada no município (leia mais abaixo).

Localizada no Parque Viaduto, a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Claudete da Silva Vecchi realizou um leque de atividades internas e externas da instituição.

Após aprenderem sobre o mosquito transmissor em palestras, cerca de 25 crianças de 5 a 7 anos, estudantes do 1.º ano do Fundamental, foram desafiados a eliminarem focos da dengue em suas casas e na casa de vizinhos, preenchendo uma planilha para ser entregue em classe.

DESAFIO

E, no dia 10 de fevereiro, a professora Silvia Helena Firmino levou os pequenos para uma espécie de desafio na casa da familiar de uma das alunas vizinhas da escola, que preparou "armadilhas" inspiradas no tema dengue como forma de avaliar o aprendizado dos estudantes.

"Eles conseguiram apontar quais eram as armadilhas. Os vasos sem areia, as garrafas e as com água no quintal, eles também colocaram sabão em pó nos ralos. Foi uma experiência bem produtiva", cita a coordenadora pedagógica da escola Talitha Alvares Tomaz.

Na mesma data, eles caminharam pelo bairro aprendendo sobre a importância de manter as ruas limpas para afastar insetos.

Além das atividades a campo, a escola também desenvolve outros trabalhos com níveis diferentes do ensino. "A dengue tem sido tratada de forma ampla por outros professores com trabalhos de leitura e escrita, e também na alfabetização. São atividades focadas principalmente neste primeiro semestre", completa a coordenadora.

'XÔ MOSQUITO'

Na região da Vila Ipiranga e do Jardim Terra Branca, onde ficam as Escolas Municipais de Ensino Infantil (Emeis) Chapeuzinho Vermelho e Antônio Guedes de Azevedo, respectivamente, outras 350 crianças foram para as ruas em passeata, nos últimos dias.

Com cartazes e máscaras, os pequenos realizaram a passeata "Xô Mosquito", visando demonstrar que a união da população é imprescindível para o combate à dengue. Junto das professoras, as crianças distribuíram panfletos da luta contra o mosquito aos moradores dos bairros onde ficam as escolas.

A ação integrou um trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação por meio das Emeis. Professora da Escola Antônio Guedes de Azevedo, Ana Paula Escuredo conta que "o projeto foi desenvolvido com crianças, entre 1 ano e 8 meses a 5 anos, devido à epidemia de dengue".

A professora destaca que, unindo atividades lúdicas e informação, as crianças aprenderam a importância da conscientização sobre os perigos e necessidade de combater a doença.

Você Sabia?

O tempo médio de vida de um mosquito transmissor da dengue adulto é de 30 dias. Durante este período, a fêmea pode colocar cerca até 2 mil ovos. Após a eclosão do ovo, o desenvolvimento até a forma adulta pode levar até 10 dias. Por isso, a eliminação de criadouros deve ser realizada pelo menos uma vez por semana, de modo a interromper este ciclo. Vale ressaltar que o Aedes aegypti tem hábitos preferencialmente diurnos e alimenta-se de sangue humano, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer, mas também pode picar à noite.

Dengue em Bauru: epidemia, decreto de emergência e limpeza em terrenos

Essencial na formação da comunidade, a escola também tem participado da luta contra o mosquito em Bauru. Nos últimos dias, ao menos três escolas municipais infantis em bairros distintos da cidade realizaram trabalhos nas ruas da cidade pautados pela eliminação do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti.

As ações teriam sido reforçadas após recomendação da Secretaria Municipal de Saúde feita para a pasta da Educação, em virtude da epidemia e da situação de emergência decretada no município (leia mais abaixo).

Localizada no Parque Viaduto, a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Claudete da Silva Vecchi realizou um leque de atividades internas e externas da instituição.

Após aprenderem sobre o mosquito transmissor em palestras, cerca de 25 crianças de 5 a 7 anos, estudantes do 1.º ano do Fundamental, foram desafiados a eliminarem focos da dengue em suas casas e na casa de vizinhos, preenchendo uma planilha para ser entregue em classe.

DESAFIO

Douglas Reis
Crianças da Emef Claudete da Silva Vecchi, no Pq. Viaduto, no momento de saída da escola para atividade contra a dengue

E, no dia 10 de fevereiro, a professora Silvia Helena Firmino levou os pequenos para uma espécie de desafio na casa da familiar de uma das alunas vizinhas da escola, que preparou "armadilhas" inspiradas no tema dengue como forma de avaliar o aprendizado dos estudantes.

"Eles conseguiram apontar quais eram as armadilhas. Os vasos sem areia, as garrafas e as com água no quintal, eles também colocaram sabão em pó nos ralos. Foi uma experiência bem produtiva", cita a coordenadora pedagógica da escola Talitha Alvares Tomaz.

Na mesma data, eles caminharam pelo bairro aprendendo sobre a importância de manter as ruas limpas para afastar insetos.

Além das atividades a campo, a escola também desenvolve outros trabalhos com níveis diferentes do ensino. "A dengue tem sido tratada de forma ampla por outros professores com trabalhos de leitura e escrita, e também na alfabetização. São atividades focadas principalmente neste primeiro semestre", completa a coordenadora.

Ação no Bauru 16 recolhe 88 toneladas de 'criadouros'

Apesar do esforço das comunidades citadas, a luta contra a dengue ainda requer mais adesão no município. Para se ter ideia, 88 toneladas de materiais com risco potencial em se tornarem criadouros do mosquito Aedes aegypti foram recolhidas em apenas um final de semana em um mutirão realizado pela Prefeitura Municipal, na região do Bauru 16. Cerca de 5 mil imóveis foram visitados na força-tarefa.

O mutirão, que ocorreu no final de semana de 23 e 24 de fevereiro, foi o primeiro de uma série de ações que ainda devem ser feitas pela prefeitura na cidade. Batizado de “Limpeza pra Valer”, nome também dado ao aplicativo lançado pelo poder público para que a população denuncie os sujões (leia mais abaixo), o trabalho de limpeza contou com 200 funcionários.

Além dos agentes de combate às endemias da Secretária Municipal de Saúde, participaram servidores das Secretarias Municipais das Administrações Regionais (Sear), Saúde, Meio Ambiente (Semma), Obras, Emdurb. O prefeito Clodoaldo Gazzetta conversou com todas antes do início dos trabalhos, reforçando a importância das inspeções para que a cidade se livre da epidemia.

“É uma ação de cidadania, de mobilização, onde precisamos da ajuda das pessoas, permitindo a entrada dos agentes, porque o engajamento dos moradores na limpeza do município pode nos ajudar a reduzir os casos de dengue não só nesses três bairros, mas em outras regiões da cidade”, enfatizou Gazzetta.

O MUTIRÃO

Prefeitura Municipal/Divulgação
Prefeito Clodoaldo Gazzetta conversa com servidores que participam do mutirão Limpeza Pra Valer, que terá mais ações nas próximas semanas

Prefeitura Municipal/DivulgaçãoDurante o dia da campanha os agentes visitaram 5.070 imóveis, sendo que 3.118 eram terrenos e 1.952 locais fechados. Foram recolhidos 233 pneus de carro e 145 de moto, além de outros diversos tipos de materiais com potencial acúmulo de água.

A escolha dos bairros Edson Francisco da Silva, Nova Esperança e Jardim Prudência se deu para completar a ação de nebulização que também aconteceu na área, região da cidade que registrou grande número de casos de pessoas com dengue.

PRÓXIMO MUTIRÃO

Os mutirões de final de semana da prefeitura focarão outros bairros nas próximas edições e receberão o reforço dos atiradores do Tiro de Guerra e de mais reeducandos do sistema prisional.

Ontem, a Sear realizou uma ação com 100 pessoas nos bairros Joaquim Guilherme, Vl. Giunta, Vl. Souto, Jd. Jussara, Vl. Rocha, Vl. Falcão, Vl. Paraíso e Vl. Industrial.

'CATA-TRECO'

Gazzetta acertou ainda a compra de dois caminhões que serão usados como 'cata-treco' e percorrerão a cidade, recolhendo materiais inservíveis. Em todas as regiões, o veículo passará uma vez por mês e, assim, pessoas que não conseguem levar o material nos Ecopontos poderão aproveitar o caminhão, que será comprado através da Semma.

APP denuncia sujões!

Outra forma de combate à doença é por meio da denúncia de terrenos sujos e de criadouros do mosquito. Por meio de um aplicativo desenvolvido pela prefeitura, e que passou a funcionar nesta semana, é possível denunciar imóveis e terrenos com anonimato garantido.

O App batizado de Limpeza Pra Valer não está disponível na “Play Store” ou “Apple Store”. Mas seu uso é simples. Basta acessar o site da prefeitura www.bauru.sp.gov.br ou app.bauru.sp.gov.br e clicar no banner do aplicativo, na capa do portal.

Após a denúncia, o morador deve gravar as informações e anotar o número de protocolo para acompanhamento do caso.

Está limpando seu terreno? Descarte os resíduos corretamente

Apesar do esforço das comunidades citadas, a luta contra a dengue ainda requer mais adesão no município. Para se ter ideia, 88 toneladas de materiais com risco potencial em se tornarem criadouros do mosquito Aedes aegypti foram recolhidas em apenas um final de semana em um mutirão realizado pela Prefeitura Municipal, na região do Bauru 16. Cerca de 5 mil imóveis foram visitados na força-tarefa.

O mutirão, que ocorreu no final de semana de 23 e 24 de fevereiro, foi o primeiro de uma série de ações que ainda devem ser feitas pela prefeitura na cidade. Batizado de "Limpeza pra Valer", nome também dado ao aplicativo lançado pelo poder público para que a população denuncie os sujões (leia mais abaixo), o trabalho de limpeza contou com 200 funcionários.

Além dos agentes de combate às endemias da Secretária Municipal de Saúde, participaram servidores das Secretarias Municipais das Administrações Regionais (Sear), Saúde, Meio Ambiente (Semma), Obras, Emdurb. O prefeito Clodoaldo Gazzetta conversou com todas antes do início dos trabalhos, reforçando a importância das inspeções para que a cidade se livre da epidemia.

"É uma ação de cidadania, de mobilização, onde precisamos da ajuda das pessoas, permitindo a entrada dos agentes, porque o engajamento dos moradores na limpeza do município pode nos ajudar a reduzir os casos de dengue não só nesses três bairros, mas em outras regiões da cidade", enfatizou Gazzetta.

Denúncia também pode ser feita por telefone, e-mail ou no Poupatempo

Caso a pessoa não consiga usar o APP, a denúncia poder ser feita por outro canal, entre eles a Ouvidoria, pelo telefone (14) 3235-1156, das 8h às 18h, de segunda-feira a sexta-feira. Outra possibilidade é o e-mail [email protected], e ainda no Posto de Atendimento da prefeitura no Poupatempo.