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De 'hosana' a 'crucifica-o!', Domingo de Ramos rememora início da última semana de Cristo

De hoje até o próximo domingo, fiéis católicos relembram os últimos dias de Jesus e revivem os momentos de traição, calvário, paixão e ressurreição, em celebrações pela cidade

por Ana Beatriz Garcia

14/04/2019 - 07h00

Douglas Reis
Com o Domingo de Ramos, católicos iniciam celebrações da Semana Santa em toda cidade

"Hosana ao nosso rei!" é a exclamação que milhares de católicos reproduzem no dia de hoje, no mundo todo, nas missas e procissões do chamado Domingo de Ramos. Após o período de 40 dias de reflexão que a Quaresma sugere, a partir das celebrações deste domingo os católicos mergulham na vivência dos últimos momentos da vida terrena de Jesus e se preparam para celebrar o evento mais importante do catolicismo: a Páscoa.

Samantha Ciuffa
Dom Rubens Sevilha destaca Semana Santa como ponto alto da liturgia católica

Na Catedral do Divino Espírito Santo, em Bauru, o Domingo de Ramos conta com missas às 7h30, 10h - com a presença do bispo de Bauru dom Rubens Sevilha - e às 19h. Em todas elas, a concentração será em frente à igreja. Nestas missas, os fiéis são convidados a levarem os seus ramos para que sejam abençoados.

A festividade rememora a chegada triunfal de Jesus a Jerusalém, montado em um jumento e aclamado como rei pelo povo que empunhava e jogava pelo caminho ramos de oliveira, dias antes do mesmo povo exclamar "crucifica-o!", no momento de sua condenação. A celebração marca o início do período conhecido como Semana Santa, que culminará com a celebração da Páscoa.

"O ponto alto da nossa liturgia é a Semana Santa, que tem início neste domingo e revive toda a última etapa da vida de Cristo. No Domingo de Ramos nós fazemos a procissão e bênção dos ramos de uma forma simbólica, revivendo aquilo. Em nossa liturgia católica, trata-se de um celebrar não como uma recordação de algo de 2 mil anos atrás, mas como uma vivência, como se estivesse acontecendo novamente", explica dom Rubens Sevilha, bispo de Bauru.

FRATERNIDADE

CNBB/Divulgação
Em todos os anos, a Campanha da Fraternidade é apresentada como caminho de conversão quaresmal, neste ano com o tema 'Fraternidade e Políticas Públicas'

Como em todos os anos, a celebração de Ramos também inclui a Coleta Nacional da Solidariedade, da Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que, neste ano, teve como tema "Fraternidade e Políticas Públicas", com o lema inspirado pelo versículo bíblico: "Serás libertado pelo direito e pela justiça" (Is 1, 27). As ofertas arrecadadas no Domingo de Ramos são destinadas para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), para a Regional do Estado de São Paulo e para a Diocese de Bauru.

"Essa coleta é destinada somente para obras sociais. Tanto pela CNBB quanto em nossa diocese. Aqui, temos cerca de 30 pedidos de obras sociais para que distribuamos essa oferta dos fiéis. Este é um gesto concreto para que as intenções da Quaresma e da Páscoa sejam colocadas em favor do outro", diz o bispo.

A CNBB apresenta a Campanha da Fraternidade como caminho de conversão no período da Quaresma. É uma atividade ampla de evangelização que pretende ajudar os cristãos e pessoas de boa vontade a vivenciarem a fraternidade em compromissos concretos, provocando, ao mesmo tempo, a renovação da vida da igreja e a transformação da sociedade, a partir de temas específicos.

Você sabia?

1- ''Hosana' é um termo proveniente tanto do latim como do hebraico e significa "Salva-nos, te imploramos" ou "te imploro". A interjeição também pode ser traduzida como exclamação de alegria, de triunfo.

2 - Os ramos usados na missa do Domingo de Ramos surgiram com o povo judeu, que utilizou essas plantas para exaltar a entrada de Jesus em Jerusalém. Os ramos, naquela época, eram de oliveiras, comuns na região. Hoje, aqui, são usadas folhas de palmeiras. Pela tradição, depois de secos os ramos são queimados e se transformam em cinzas para a Quarta-Feira de Cinzas.

Semana Santa é tida como momento de fortalecer a fé e a esperança

Com atividades todos os dias, fiéis católicos vivenciam todas as fases que antecedem a morte e ressurreição de Cristo​

Fotos: Samantha Ciuffa
Como em todos os anos, padres de toda a diocese se reúnem na missa dos Santos Óleos, na Catedral do Divino Espírito Santo

Em celebração na quarta-feira da Semana Santa, o bispo abençoa os óleos que serão utilizados nos sacramentos do batismo, crisma e unção dos enfermos

Missas e vias-sacras, que relembram os últimos dias da vida terrena de Jesus, serão celebradas nas paróquias da cidade durante a semana que tem como ponto alto a celebração do Tríduo Pascal, celebrado de quinta a sábado. Já na quarta-feira (17), as atividades serão concentradas na Catedral do Espírito Santo, às 20h, onde todos os padres e agentes pastorais de Bauru e de toda a diocese se reunirão para a Missa dos Santos Óleos.

Toda a comunidade está convidada para cerimônia em que o bispo dom Rubens Sevilha abençoará os óleos usados nos sacramentos do batismo, crisma e unção dos enfermos, além das ordenações sacerdotais e consagrações de igrejas.

“É uma missa única e especial. Este é um momento que celebra a unidade de todo o clero quando o bispo se reúne com todos os padres da diocese. Também, nessa oportunidade, os padres renovam seu sacerdócio, diante do bispo de toda a comunidade, além de levarem para suas paróquias os óleos abençoados”, explica dom Rubens Sevilha, bispo de Bauru.

TRÍDUO PASCAL

Na quinta-feira santa (18), os católicos iniciam o chamado Tríduo Pascal. São as celebrações de quinta, sexta e sábado que compõe uma só grande missa e revisitam desde a última ceia até a ressurreição de Jesus. "Na quinta, celebramos a última ceia, em que temos a instituição da Eucaristia – quando Jesus parte o pão e pede que se faça isso em memória dele – e o Lava Pés, como sinal de serviço e humildade, em que os fiéis participarão. Não damos a bênção final, neste dia, pois a celebração só tem fim na Vigília Pascal, no sábado", destaca o bispo. Na Catedral, a missa do Lava Pés terá início às 20h.

Em silêncio, os fiéis iniciam as orações que se estendem até a celebração da Paixão e morte de Jesus, já na sexta-feira (19), às 15h. "Nesta sexta-feira, não tem missa em nenhum lugar do mundo. O que existe é essa celebração que dá continuidade ao Tríduo, onde se lê toda a Paixão e morte de Jesus e a veneração da cruz", comenta dom Rubens. Às 19h, os fiéis ainda são convidados a participarem da Procissão do Senhor Morto, que passará pelas ruas do Centro da cidade.

O Tríduo é finalizado na missa da Vigília Pascal, que, na Catedral, será realizada às 20h. "A Semana Santa não é a preparação para a morte, mas para a ressurreição de Cristo. O sábado de Aleluia, como é chamado, é o auge. Tudo se inicia na escuro e fora da igreja para a bênção do fogo, que simboliza a luz. Com essa luz, acendemos o Círio Pascal, que adentra a escuridão da igreja, com a simbologia de que a luz de Cristo vem para iluminar nossas vidas e nos tirar da escuridão, essa é a nossa fé. Deus é a luz", diz.

O bispo de Bauru ainda destaca que esta celebração vem para fortalecer a fé e a esperança dos fiéis. “A mensagem principal que essa celebração passa é alimentar a nossa fé. Nós precisamos de Deus, precisamos de fé, precisamos de luz e a Semana Santa é um presente que Deus nos dá para que, através desses ritos humanos, possamos fortalecer a nossa fé para caminhar com mais ânimo e esperança. A Semana Santa é um banquete espiritual para que alimentemos a nossa fé”, finaliza dom Rubens.

Arquivo Pessoal
Vinicius Fahl Regalin (ao centro) interpretando Jesus Cristo na última edição da encenação, no Parque Vitória Régia

Paixão de Cristo no Vitória Régia

Pelo 16.º ano, a Paróquia Santa Luzia e a Congregação Missionária de Santo Inácio de Antioquia apresentam, nesta terça (16), a encenação da Paixão de Cristo. Como em todos os anos, o espetáculo será no Parque Vitória Régia, a partir das 20h. “Pedimos sempre como um gesto concreto a doação de um quilo de alimento não perecível, com exceção de sal, para a doação posterior a entidades carentes”, explica frei Alfredo Francisco de Souza, pároco da igreja.

Com texto e direção de frei Alfredo e cerca de 150 pessoas envolvidas, a encenação também aborda a temática da Campanha da Fraternidade deste ano. “Mostraremos como a falta de direitos e de cidadania causam sofrimento e são as cruzes que muitos carregam. Como a fome, a morte e a violência, por exemplo”, finaliza frei Alfredo.

Pelo segundo ano, quem interpreta o papel de Cristo é Vinicius Fahl Regalin, de 32 anos. Paroquiano da igreja Santa Luzia e membro do movimento Encontro de Casais com Cristo (ECC), Vinicius já havia participado também como um dos soldados. “A emoção e a gratidão por participar da encenação é igual, interpretando um soldado ou Cristo. Mas a responsabilidade de encenar Jesus é maior e é muito especial. Poder mostrar essa história para o público é muito emocionante e toca as pessoas que nos assistem”, conta.

Você sabia?

“Via Sacra” é um exercício de piedade segundo o qual os fiéis percorrem mentalmente com Cristo o caminho que levou o Senhor do Pretório de Pilatos até o monte Calvário; compreende quatorze estações ou etapas, cada uma das quais apresenta uma cena da Paixão a ser meditada pelo discípulo de Cristo. Em relação ao seu significado, que também pode ser “Via Crucis”,  significa em latim “O caminho da Cruz”.

USC realiza tradicional Via Sacra amanhã e terça

A Universidade do Sagrado Coração (USC) realiza nos dias 15 e 16 de abril a encenação da sua tradicional Via Sacra. Neste ano, as apresentações serão na escadaria da entrada principal no Bloco A, às 20h30 e é aberta a toda comunidade. “Ágape” é o tema da edição de 2019, uma palavra de origem grega que significa o amor desinteressado, puro e genuíno.

A produção teatral é do curso de Artes e estudantes de outros cursos também compõem o grupo formado por 22 pessoas. Para a coordenadora do curso de Artes Prof.ª M.ª Valéria Biondo é um momento importante para os estudantes que podem colocar em prática os conteúdos aprendidos em sala de aula. “É uma oportunidade para o aluno participar de uma atividade envolvente, que aproveita o potencial e o talento que cada aluno possui na produção das diferentes partes do espetáculo. A direção, por exemplo, é de Beatriz Sabino, aluna do segundo ano do curso de Artes. Todo o figurino foi idealizado e feito pelo aluno Vitor Grassi, do curso de Teatro. Dessa forma, os alunos em formação vivenciam um grande aprendizado para sua vida profissional”, comenta.

Relógio da Paixão: as últimas 24 horas de Jesus

Como a fé católica narra, hora a hora, os últimos momentos de vida de Cristo, da traição ao sepultamento​