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Trânsito é causa de reclamação unânime na região da avenida Castelo Branco

Excesso de velocidade, retirada de lombadas e falta de semáforos são apontados como principais problemas por quem mora e trabalha no local

por Ana Beatriz Garcia

21/04/2019 - 07h00

Ana Beatriz Garcia
Avenida Castelo Branco liga região central à sudoeste da cidade

Ela nasce na Praça Primaz Chujiro Otake - mais conhecida como Praça do Relógio - e segue por 38 quadras até o Jardim Ouro Verde, margeando bairros como Vila D'Aro, Vila Independência, Vila Nipônica e Jardim Ferraz. A avenida Castelo Branco, importante via de ligação do Centro à região sudoeste da cidade, enfrenta como maior desafio os problemas relacionados ao trânsito e os acidentes, comuns na região.

Unânime entre os moradores e comerciantes, o assunto é motivo de indignação e reivindicação. "Além de trabalhar aqui, eu moro aqui na rua de baixo. Vejo as crianças passando por aqui para irem para a escola e os carros sempre correndo. Já vi diversos acidentes, desde carro com carro, com moto e atropelamentos também", conta Agnaldo Nonato de Lima, 44 anos, proprietário de uma loja de troca de óleo instalada há oito anos no local. "A gente precisava de mais semáforos e das lombadas que tiraram para controlar esse problema", completa.

Inclusive, conforme o JC noticiou em março deste ano, um acidente na quadra 27 da avenida Castelo Branco, no cruzamento com a rua Antônio Valderramas D'Aro, em que um motociclista de 46 anos "voou" após colidir com um carro. Ele ficou internado na UTI do Hospital de Base (HB), contudo, morreu na madrugada do dia 30 de março. Já na época, a população cobraram a instalação de um semáforo no local.

DE ANOS

Ana Beatriz Garcia
Agnaldo Nonato de Lima mostra ponto em 

que já presenciou acidentes na avenida Castelo Branco

Quem confirma a afirmação do comerciante é o advogado Ronaldo Leitão de Oliveira, 50 anos, que tem seu escritório na avenida desde o ano 2000. "Nesses 19 anos, acompanhei as mudanças e o crescimento dessa região. Antes, era um bairro residencial, hoje, temos claramente uma avenida comercial que atraiu pessoas de todos os pontos da cidade. Mas, nos últimos anos, o trânsito e os problemas com a falta de lombada e semáforos têm se agravado", afirma.

Segundo ele, as lombadas foram retiradas recentemente e, dessa forma, os motoristas estão cada vez mais velozes na via. "Os carros e motos querem pegar o semáforo aberto lá na frente e passam 'voando' por aqui. Isso sem contar o acúmulo de carros nos horários de pico, pela manhã e final de tarde, que engarrafa a saída para o Centro", diz.

BARULHO

Assim como Ronaldo, Izac de Andrade, 72 anos, também conhece a avenida há muitos anos. O aposentado mora com a família há 17 anos, na Castelo Branco. "Aqui é muito movimentado, passam muitos carros, caminhões e motos. Eu tive que subir bem o meu portão e proteger a janela que dá para a frente da casa por conta do barulho que a avenida faz", conta o aposentado.

Reprodução
Praça do Relógio é entrada e saída da Castelo Branco

Ainda que com ressalvas em relação ao trânsito, ele destaca que gosta de morar no local. "Onde eu moro é perigoso atravessar, temos que tomar bastante cuidado. Também é um pouco difícil sair com o carro da garagem por conta do trânsito, mas tenho um ponto de ônibus, praticamente, em frente à minha casa, que me ajuda muito. Além disso, aqui a gente tem de tudo por perto", finaliza.

Emdurb afirma que novo semáforo vai ser implantado neste semestre

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) informou, em nota, que há previsão para implantar mais um conjunto semafórico, ainda neste semestre, no cruzamento da avenida Castelo Branco com a rua Antônio Valderramas D'Aro. Porém, não há data definida. O último semáforo no local foi implantado em setembro de 2018, no cruzamento com a rua José Santiago.

A empresa também comentou sobre a retirada das lombadas apontadas pelos moradores. De acordo com a Emdurb, até a data da nova resolução do Contran 600/16, eram implantados obstáculos de solo seguindo a resolução 39/98. Quando a resolução 600 entrou em vigor, fez-se necessária a análise dos obstáculos implantados anterior a essa data para ver se os mesmos estão de acordo com a nova resolução.

A Adeciba entrou com uma ação solicitando retirada e/ou adequação dos obstáculos de acordo com a nova resolução. Desta forma, a Emdurb afirma que está levantando todos os processos e os estudos técnicos referentes às implantações de obstáculos de solo para verificar se as referidas lombadas atendem a legislação vigente.

Avenida Castelo Branco apresenta multiplicidade de serviços

Como uma avenida comercial que é, a diversidade está bastante presente na Castelo Branco. Na via que liga o Centro ao Jardim Ouro Verde e até a Piratininga, encontram-se serviços automotores, marmitaria, academias, supermercado, padaria, cabeleireiro e barbearia entre outros segmentos de serviços. Para quem mora na região e, até para quem trabalha por ali, essa ‘vizinhança’ é destacada positivamente.

Moradora de uma das últimas quadras da avenida, Aparecida Maria Floriano, de 58 anos, está gostando do novo endereço. “Estou morando aqui faz três meses. Ainda estou me acostumando, mas gosto que tem tudo perto para a gente se resolver. Facilita bastante pra mim que ando a pé”, conta.

A proximidade com um supermercado também é comemorada por uma funcionária de uma clínica veterinária e pet shop situada na avenida. “Sempre que precisamos de qualquer coisa, temos o supermercado e outros serviços aqui por perto. Eu moro do outro lado da cidade e venho para cá todos os dias. É bom ter essa variedade por aqui”, comenta Thaynara Freitas, de 23 anos, destacando, ainda, que a própria clínica ganha bastante visibilidade pelo bom movimento no local.

BOM MOVIMENTO

Quem também comemora a passagem intensa de pessoas pela região é Alexandre do Prado Lima, de 42 anos, proprietário de uma barbearia na avenida. “Estou aqui há dois anos e sei dos vários problemas com o trânsito. Mas por ter essa alta movimentação por aqui a publicidade acaba sendo boa. Isso sem contar que temos todo tipo se lojas nessa avenida, o que chama diversos públicos para cá”, afirma. 

O barbeiro ainda destaca que o intenso fluxo de carros causa alguns problemas diários. "Eu ando de moto, então facilita um pouco. Mesmo assim, eu já sofri acidente voltando do trabalho, quando um carro fechou a minha moto. Aqui o trânsito é muito intenso, com muitos carros, principalmente, no começo da manhã e no final da tarde", finaliza.

Comissão de Obras da Câmara Municipal discute ampliação da praça do Relógio

A Comissão de Obras, Serviços Públicos, Habitação e Transportes da Câmara Municipal de Bauru reuniu-se nesta semana para discutir as necessidades estruturais visando a melhoria do fluxo de trânsito na rotatória da praça Primaz Chujiro Otake. Conhecida como praça do Relógio, o dispositivo liga as avenidas Alfredo Maia, Castelo Branco e a rua Vereador Gomes dos Santos.

Uma das possibilidades apontadas para desafogar o tráfego do local é o aumento do diâmetro da rotatória, de forma a facilitar a entrada e saída dos veículos.

Presidido pelo vereador Manoel Losila (PDT), o grupo recebeu a secretária de Planejamento, Letícia Kirchner, o secretário do Meio Ambiente, Sidnei Rodrigues, o presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Elizeu Eclair, e o gerente de Planejamento e Sinalizações da Emdurb, Aníbal Ramalho.

Segundo a secretária Letícia Kirchner, o trabalho deve ter início com a realização de uma análise topográfica do local. “Com esses dados em mãos, pretendemos apresentar um projeto com a previsão de recursos financeiros necessários para a obra”, disse.

A Comissão de Obras é formada ainda pelos parlamentares Markinho Souza (PP) e Luiz Carlos Bastazini (PV).

Sentido Piratininga

Ana Beatriz Garcia
Funcionária de uma clínica veterinária, Thaynara Freitas conta que aproveita da proximidade com outros estabelecimentos

Como uma avenida comercial que é, a diversidade está bastante presente na Castelo Branco. Na via que liga o Centro ao Jardim Ouro Verde e até a Piratininga, encontram-se serviços automotores, marmitaria, academias, supermercado, padaria, cabeleireiro e barbearia, entre outros segmentos de serviços. Para quem mora na região e até para quem trabalha por ali, essa 'vizinhança' é destacada positivamente.

Moradora de uma das últimas quadras da avenida, Aparecida Maria Floriano, 58 anos, está gostando do novo endereço. "Estou morando aqui faz três meses. Ainda estou me acostumando, mas gosto que tem tudo perto para a gente se resolver. Facilita bastante para mim, que ando a pé", conta.

A proximidade com um supermercado também é comemorada por uma funcionária de uma clínica veterinária e pet shop situada na avenida. "Sempre que precisamos de qualquer coisa, temos o supermercado e outros serviços aqui por perto. Eu moro do outro lado da cidade e venho para cá todos os dias. É bom ter essa variedade por aqui", comenta Thaynara Freitas, 23 anos, destacando, ainda, que a própria clínica ganha bastante visibilidade pelo bom movimento no local.

BOM MOVIMENTO

Quem também comemora a passagem intensa de pessoas pela região é Alexandre do Prado Lima, 42 anos, proprietário de uma barbearia na avenida. "Estou aqui há dois anos e sei dos vários problemas com o trânsito. Mas por ter essa alta movimentação por aqui, a publicidade acaba sendo boa. Isso sem contar que temos todo tipo se lojas nessa avenida, o que chama diversos públicos para cá", afirma. 

O barbeiro ainda destaca que o intenso fluxo de carros causa alguns problemas diários. "Eu ando de moto, então facilita um pouco. Mesmo assim, eu já sofri acidente voltando do trabalho, quando um carro fechou a minha moto. Aqui, o trânsito é muito intenso, com muitos carros, principalmente, no começo da manhã e no final da tarde", finaliza.

Avenida marcada por protestos e reivindicações

Aceituno Jr
Protesto interdita avenida Castelo Branco por falta de pediatria e serviço odontológico na Upa da Vila Ipiranga

Além dos problemas com o trânsito, moradores dos diferentes bairros no entorno da avenida Castelo Branco também reivindicam por melhorias em outros setores e fazem uso desta via para se manifestar pedindo mudanças ao Poder Público. Conforme o JC vem noticiando, a prática não é de agora, já que existem registros de protestos nesta avenida em anos anteriores.

O caso mais recente foi, no último dia 11, quando a população protestou com cartazes e faixas, na quadra 28 da Castelo Branco, para que a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Ipiranga passe a contar com pediatria e serviço odontológico. A via foi interditada pelo grupo, o que causou lentidão no trânsito.

"Vamos seguir fazendo esses atos até o prefeito Gazzetta vir falar com a gente", disse Aline Rafaele Pedrioli Torquatro dos Santos, uma das organizadoras, que é mãe de cinco filhos. Segundo ela, cerca de 50 pessoas estiveram presentes. "Além da pediatria, pedimos semáforos aqui na Castelo. Só tem dois semáforos", reclamou.

Na oportunidade, a Secretaria Municipal de Saúde alegou que a atual gestão da saúde foi a única dentre todas anteriores que ampliou a atenção em pediatria na rede de urgência. Em relação à manifestação para colocação de pediatria na UPA Ipiranga, a pasta diz que mantém todos os compromissos previamente firmados, pois faz parte do plano de governo descentralizar a pediatria para as UPAs.

"Infelizmente, a cidade passa por um momento de epidemia de dengue que interfere no cronograma, inclusive orçamentário. Contamos com a colaboração e compreensão de todos", apontou o texto.

TRANSPORTE

Em fevereiro de 2017, cerca de 50 pessoas, entre pais e alunos de escolas estaduais, efetuaram bloqueio do trânsito na quadra 32 da avenida Castelo Branco com entulhos em protesto com palavras de ordem. Eles criticaram corte do transporte escolar por parte do Estado desde o início deste ano.

O protesto foi organizado por pais de estudantes da Escola Estadual (E.E.) Professor Antônio Serralvo Sobrinho, no bairro Vila Ipiranga. São estudantes que há anos eram beneficiados e perderam o direito com a sistematização do processo.

“Não temos carro e nem condições de pagar perua particular. A escola é mais de dois quilômetros e o bairro é perigoso para ela andar sozinha. E não tenho condições de sair neste sol, todos os dias, com um bebê de 7 meses”, reclamou, na época, a cuidadora Roberta Francine da Silva Cunha. Ela também é mãe da Tatielly, de 7 anos, aluna da 3.ª série da E.E. Antônio Serralvo.

OUTROS ANOS

A avenida também já foi interditada, em anos anteriores, para reivindicações em outras temáticas como a falta d’água. Na época, em 2014, cerca de 100 moradores de um condomínio no Jardim Ouro Verde protestaram com barricadas de fogo e interromperam o fluxo dos veículos na quadra 38 da avenida Castelo Branco.

Os moradores do residencial Monte Verde protestaram por estarem sem água por uma semana. Eles colocaram fogo em pneus e os dois sentidos da avenida ficaram interditados. Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar acompanharam o movimento, que seguiu de modo pacífico.

Ainda em 2007, moradores da Vila Independência queimaram pneus na quadra 5 da avenida Castelo Branco, em protesto contra o número de atropelamentos que acontecem no local. Segurando cartazes e gritando palavras de ordem, os manifestantes reivindicavam a instalação de um semáforo naquele ponto da avenida.