Bauru e grande região

Bairros

A Bauru dos consertos

Com pequenos estabelecimentos espalhados pela cidade, eles continuam dando vida nova aos utensílios do dia a dia

por Ana Beatriz Garcia

28/04/2019 - 07h00

Ana Beatriz Garcia
José Luiz Bueno da Silva o negócio com o pai, em 1960

A máquina de lavar já não lava mais como antigamente. A geladeira também deu um "piripaque". Quebrou uma peça do micro-ondas e o ferro de passar não esquenta. Problemas assim são comuns e, pelos bairros de Bauru, diversas "portinhas" estão espalhadas resolvendo problemas como estes. E mais, roupas e sapatos também não ficam de fora quando o assunto é reformar e consertar. São estabelecimentos que resistiram ao tempo, tomaram certo fôlego com a crise dos anos recentes e permanecem atendendo seus clientes fiéis.

Como é o caso de José Luiz Bueno da Silva que conserta eletrodomésticos em Bauru desde 1965. O negócio que começou com ele e o pai, atualmente, permanece com a parceria do neto, ainda no mesmo ponto, no Centro da cidade. "Meu pai e eu éramos de Jaú e fazíamos bate e volta todos os dias, por dois anos, para vir trabalhar na loja. Sempre foi só essa porta aqui e a oficina ali no fundo. Naquela época, consertávamos fogão elétrico, forno elétrico e ferro comum", comenta.

Malavolta Jr.
Geneci Bernardo de Azevedo faz consertos em micro-ondas, geladeiras e lavadoras
José Rinaldo Pelegrina conserta máquinas de costura 

Segundo ele, ao longo dos anos, a clientela permaneceu firme, mesmo com as mudanças. "Hoje, nós consertamos mais ventiladores, micro-ondas e ferros à vapor e a gente percebe que a clientela vai mudando de pai para filho. A gente cria amizade com a família e, quando vê, já não é nem cliente, é amigo", afirma José Luiz que realiza, em média, 15 consertos ao dia.

UMA MÁQUINA

Há 30 anos, também no Centro de Bauru, a especialidade no conserto de máquinas de costura passou de geração em geração. "Tudo começou com o meu avô e um sócio. Depois, ficou para o meu pai e hoje eu trabalho com ele na manutenção das máquinas", conta José Rinaldo Pelegrina, 47 anos.

Ele diz que, mesmo sendo uma loja pequena, a clientela é fiel e vem de todos os lugares. "Por ser uma loja tradicional e a única de Bauru a fazer esse trabalho, ajuda também. Temos muitos clientes, de todas as partes da cidade e até da região. Muitas pessoas ainda usam suas máquinas de costura e estão sempre precisando de ajuda no reparo", finaliza.

EQUIPAMENTOS MAIORES

Na Vila Alto Paraíso, o morador do bairro Geneci Bernardo de Azevedo, 46 anos, abriu seu próprio negócio para consertar eletrodomésticos. "Eu já trabalhava com consertos em outros lugares. Uns 6 anos atrás, abri a loja para atender os clientes do bairro. Hoje, a gente recebe pedidos de todas as partes da cidade. Atendemos o Alto Paraíso, mas temos clientes no Mary Dota, Geisel e Pousada, por exemplo", afirma.

Na loja, localizada na rua Bernardino de Campos, Geneci conserta principalmente máquinas de grande porte, como micro-ondas, lavadora de roupas, geladeiras e fogões. "Já tivemos períodos melhores, em que as pessoas buscavam mais consertar do que vender e comprar novos. Mas nosso trabalho nunca parou. Conserto, em média, dois a três eletrodomésticos por dia", finaliza o empreendedor.

Uma 'mãozinha' com roupas e sapatos

Malavolta Jr.
O sapateiro Dorival Aparecido Cardoso atende no Geisel

Não só os eletrodomésticos precisam de uma "mãozinha" quando param de funcionar, mas as peças de calçados e vestuário também. E os profissionais responsáveis por "salvar" esses itens comemoram, já que, segundo eles, a clientela vem aumentando nos últimos tempos.

Há quase 20 anos como sapateiro, Anísio Alves da Silva Junior, 58 anos, mantém com a esposa sua oficina em sua própria casa, no Centro de Bauru. "Neste ponto, estamos atendendo há 14 anos. Muitas pessoas daqui de perto já nos conhecem, mas a clientela vem aumentando cada vez mais. As pessoas estão procurando mais consertar do que comprar calçados novos. Nos últimos tempos, não temos do que reclamar", afirma o sapateiro.

Quem confirma é Maria Eunice dos Santos Silva, 54 anos, esposa de Anísio e responsável por recepcionar os clientes. "Nossos clientes são antigos e permanecem com a gente, sempre trazendo novos pares de sapatos. Nós atendemos nosso bairro, os nossos vizinhos, mas também muitas pessoas de cidades vizinhas", afirma.

O mesmo ocorre com a costureira Edna Rodrigues do Prado, 47 anos, que abriu, há dois anos, um pequeno ateliê na avenida Nossa Senhora de Fátima. "Recebo aqui peças de todos os lugares de Bauru e até da região. Eu amo meu trabalho e adoro a relação que se cria com o cliente", comenta.

Entre as diversas peças que recebe, até em cama de pets Edna já deu jeito. "Aqui eu conserto roupa, cortina, tecidos e até cama e almofada de cachorrinhos eu já consertei", diz. "Mas percebo que a clientela vem crescendo e não há uma predominância entre peças novas e usadas, é meio a meio. Metade de consertos em peças antigas e metade com serviços como barras de mangas, vestidos e calças novos", conta.

'Apego' leva pessoas a optarem por consertos

Malavolta Jr
Maria Eunice dos Santos Silva recebe encomenda de serviço da cliente Fernanda Nicoletti Nassula

"Às vezes a gente gasta comprando outro e, por menos, poderíamos continuar usando o mesmo que já temos, ainda mais quando faz pouco tempo." É como Fernanda Nicoletti Nassula, 47 anos, define sua escolha de consertar as peças que usa no dia a dia. "Como as coisas estão hoje em dia, com desemprego e crise financeira, é complicado, sempre melhor arrumar", completa.

Com um sapateiro de confiança, há anos, a dona de casa deixa seus pares de sapato no local para arrumar uma coisinha ou outra. E não só os calçados, mas qualquer item que ele possa "salvar".

"Hoje, estou pegando uma bolsa. Achei tão boa a escolha de consertar, que já estou trazendo mais uma, que usei só uma vez, para consertar um detalhe. Mas já venho há uns quatro anos arrumando os meus sapatos e o trabalho sempre é muito bom", afirma a moradora do Jardim Redentor que leva suas peças na sapataria localizada no Centro.

APEGO

Quem também, praticamente, atravessa a cidade para consertar suas peças é Stella Maris Cruz, 47 anos, que mora na região central e leva suas roupas em uma costureira no Jardim América. "Ela sempre me salva. Levo peças para ela arrumar, já há muitos anos. Gosto de peças de malha, mas elas acabam esgarçando um pouco com o tempo. Então, peço para ajustar e eu volto a usar a roupa como nova", comenta.

Segundo ela, essa prática já garantiu uma "segunda vida" a peças queridas. "Tanto quando estraga de última hora quanto aquelas que você não quer perder, mando para consertar e não fico sem. Até as novas, quando precisam de um ajuste ou outro, vão para lá também", afirma Stella.

Fique atento aos Direitos do Consumidor em caso de defeito

Nem sempre o tempo é o culpado pelas falhas em um eletrodoméstico. Quando o item não é entregue em perfeitas condições, o consumidor deve ficar atento para exigir seus direitos. Após a compra de um aparelho, a pessoa tem até 90 dias para reclamar de eventuais defeitos, de acordo com o artigo 26 a lei federal 8.078/90 que regulamenta o código do consumidor.

A empresa, por sua vez, deve fazer o conserto em até um mês. Caso não o faça, ela três opções: substituir o item por outro, devolver a quantia paga ou oferecer um desconto para o comprador.

Além da garantia de três meses, há ainda a contratual e a estendida. A primeira não pode ser cobrada e dá direito ao reparo sem custos. Já a segunda vai funcionar como uma espécie de seguro e deve ser paga pelo cliente.

Descarte consciente

Vale lembrar que, quando não há jeito para conserto, a população deve buscar os locais adequados para o descarte de eletrodomésticos. O indicado é encaminhar esse tipo de materiais aos Ecopontos para que a prefeitura, através da Secretaria do Meio Ambiente (Semma), faça a destinação correta.

Esses locais ficam abertos de segunda a sábado das 8h às 12h e das 13h às 17h nos seguintes endereços: Antonio Eufrásio de Toledo (rua Sorocabana, quadra 2); Mary Dota (rua Americo Finazzi, quadra 4); Jardim Redentor/Geisel (rua Noé Onofre Teixeira, quadra 3); Pousada 1 (rua 41, quadra 1, entre as ruas Joaquim Gonçalves Soriano e Maurício Pereira de Lima); Edson Francisco da Silva (rua Dulce Duarte Carrijo, quadra 4); Parque Viaduto (rua Bernardino de Campos, quadra 28) e Octávio Rasi (rua Manoel Lopes Neves, quadra 1).