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Avó de garoto picado 2 vezes por escorpião: "Achei que morreria"

Indignados, moradores do residencial onde a criança mora, no Fortunato Rocha Lima, realizaram uma manifestação

por Ana Beatriz Garcia

01/06/2019 - 07h00

Samantha Ciuffa
Vanderleia Aparecida Veronese mostra a área verde e o cemitério que ficam ao lado do residencial
Ana Beatriz Garcia
Avó capturou o escorpião

Foi um grande susto quando Pablo Afonso da Silva, de 10 anos, acordou a avó aos gritos no apartamento onde moram, no Núcleo Fortunato Rocha Lima, na manhã da última quinta-feira (30). Os berros se justificaram pelas duas picadas de escorpião que o garoto sofreu. Ele foi levado para a UPA do Bela Vista e, posteriormente, encaminhado para o Hospital Estadual (HE), onde chegou a ficar em observação na UTI Pediátrica. Ontem, foi para leito comum da pediatria, onde segue internado e passa bem. Além de deixar a família em pânico, o caso gerou protesto dos moradores.

"Pensei que ele fosse morrer. Foi um susto. Eu cuido dele desde que nasceu", comenta a avó do menino, Maria José da Silva, de 73 anos.

Ela e Pablo moram juntos em um apartamento do Residencial Chácara das Flores 1, próximo ao Cemitério Cristo Rei. "Ele dorme para o lado da janela e nosso apartamento é virado para aquele matagal. Do nada, ele começou a gritar. Eu pensei que fosse câimbra, mas ele falava que algum bicho tinha picado sua perna e, depois, veio o vômito. Ele passou muito mal", lembra. "Fui puxando os lençóis para ver se caía algum bicho e, quando puxei a cama, encontrei o escorpião. Guardei, ainda vivo, em um potinho e, depois, matamos", comenta Maria José mostrado o animal em um pequeno recipiente de temperos.

O menino, que foi picado pelo aracnídeo na coxa direita e no joelho esquerdo, foi socorrido pelo síndico do residencial, que o levou para a UPA do Bela Vista. "Lá, ele tomou o soro. Depois, no hospital, ele ficou em observação na UTI, mas, agora, está no quarto e está bem, está calmo", conta a avó.

INDIGNADOS

Vanderleia Aparecida Veronese, de 39 anos, mora no mesmo residencial que Pablo e a avó. Ela conta que a maioria dos vizinhos já encontrou escorpiões em casa e teme por também ter filhos pequenos. "Esse terreno aqui do lado é abandonado. O cemitério está sempre sujo e isso tudo chama esses bichos. Tem muita barata, escorpião, até cobra já viram. No meu apartamento, eu nunca vi, mas os meus vizinhos sempre contam. O que a gente sente é que estamos esquecidos aqui", lamenta a dona de casa, que tem filhos de 6, 12 e 15 anos.

PROTESTO

Ainda na noite da última quinta-feira, moradores do Residencial Chácara das Flores e familiares da criança se reuniram em uma manifestação.

Com pneus em chamas, eles alertaram sobre a quantidade de escorpiões e outros animais peçonhentos que existem no local e exigiram providências do poder público.

CONTROLE

O município informou, em nota, que a Equipe de Controle de Escorpiões da Vigilância Ambiental realiza, semanalmente, visita aos cemitérios da cidade para coleta de aracnídeos. "A visita na casa da criança acidentada será o mais breve possível", diz o texto.

Já a Emdurb afirma que tem trabalhado com todos os dispositivos existentes para minimizar a concentração desses invertebrados nas regiões em que existem cemitérios de sua responsabilidade, realizando semestralmente dedetizações preventivas para controle de pragas. A última dedetização no Cemitério Cristo Rei ocorreu no início deste ano.

A empresa ainda ressalta que o descarte irresponsável de resíduos residenciais, muitas vezes depositados no entorno do cemitério, é um dos grandes colaboradores para o aumento na população de escorpiões. "Por isso, pedimos que a população não descarte nenhum tipo de resíduo, seja residencial, proveniente de poda ou da construção civil, em locais inadequados, a fim de colaborar com o controle de animais indesejados e com a destinação correta dos resíduos produzidos", finaliza a nota.

107 vítimas só neste ano

Até abril deste ano, 107 pessoas foram picadas por escorpiões no município, sendo que cinco precisaram de soroterapia. Até o final de 2018, Bauru contabilizou 319 casos de picadas por escorpiões, o maior número em onze anos.