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Demanda é cada vez mais crescente

Os serviços de acolhimentos institucionais visam proteger e promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes

por Cinthia Milanez

02/08/2019 - 00h46

Fotos:Samantha Ciuffa

Exemplo de atendimento da Aelesab: uma menina e sua irmã foram afastadas da mãe, que era alcoolista, e foram acolhidas pela organização da sociedade civil bauruense

Desemprego, miséria e fome estão espalhados por vários lugares. Em nível local, a direção da Aelesab percebeu que tais fatores provocaram o aumento da procura pelos 19 serviços socioassistenciais relacionados à entidade, se comparar com a demanda do ano anterior.

Segundo a diretora administrativa da instituição, Daniele Camargo, o Bom Prato passou a receber ainda mais moradores de rua. "Creio que a miséria e o desemprego tenham deixado muitas famílias em situação de vulnerabilidade social", reforça.

Cada um dos quatro abrigos geridos pela Aelesab tem capacidade para acolher 20 crianças e adolescentes, de zero a 17 anos. Todos estão lotados ou prestes a atingir a sua capacidade máxima.

No Lar Social Caetano, situado na região da Vila Independência, há 19 residentes. O abrigo possui três quartos, três banheiros, três salas, cozinha, lavanderia e área externa. Lá, crianças e adolescentes devem cumprir uma rotina semelhante à daqueles que, de fato, estão com as famílias: ir à escola, arrumar a própria cama e fazer as cinco refeições diárias.

Dez cuidadoras, uma assistente social, uma psicóloga, uma coordenadora e uma cozinheira garantem a ordem do local, que mantém as meninas em quartos separados dos meninos.

Para a coordenadora do Caetano, a psicóloga Mayara dos Reis Catalano, a demanda aumentou desde que ela assumiu a função, no ano anterior. "A pobreza e a consequente desestruturação das famílias são os principais motivos", complementa.

A psicóloga acrescenta que o governo (municípios, estados e União) precisava desenvolver programas de prevenção mais amplos, afinal, o abrigo é a última etapa dos serviços ofertados pela rede socioassistencial.

PERSPECTIVA 

Uma adolescente de 15 anos, cuja identidade será preservada em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), chegou ao serviço de acolhimento institucional para crianças e adolescentes em 2018. Conforme ela própria rememora, a garota e a irmã caçula viviam com a mãe, que era alcoolista. "Ela nos batia e ficava muito tempo fora de casa", narra a menina, que precisou procurar ajuda.Hoje ela consegue ter perspectiva de vida. "Já terminei um curso de recepcionista e estou fazendo outro, de auxiliar de escritório. No futuro, me vejo trabalhando e cuidando da minha irmã, além da minha mãe, se ela estiver viva", enfatiza.

Além de acolher e exercer função protetiva a crianças e adolescentes, a Aelesab trabalha no sentido de resgatar e fortalecer os vínculos familiares com o propósito de promover a reintegração da criança à sua família de origem, extensa ou em família substituta.

Para tanto, integra uma rede, em parceria com a Sebes, que tem também a Vara da Infância e Juventude, Cras, Creas, Caps, Conselho Tutelar, Ministério Público e outros órgãos.

Xô, solidão!

Em relação aos serviços voltados aos idosos, Daniele Camargo acredita que a maioria os procure para fugir da solidão. "Muitos deles frequentam o Bom Prato, por exemplo, para sair de casa e ter alguém com quem conversar", complementa.

Outros buscam por autonomia. "No Serviço de Convivência para Idosos, temos uma chácara, onde os frequentadores desenvolvem uma série de atividades. Já chegaram até a pedir para lavar a louça, porque, em casa, são proibidos de fazê-lo. As famílias querem protegê-los, mas, na verdade, eles precisam se sentir úteis", explica.

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