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Várias lembranças em um só lugar

O Centro Cultural de Bauru abrange diversos espaços que receberam nomes de gente marcante no cenário artístico da cidade

por Ana Beatriz Garcia

14/07/2019 - 07h00

Fotos: Samantha Ciuffa
Centro Cultural homenageia Carlos Fernandes de Paiva, dentre outras personalidades, em seu complexo

Um dos principais endereços da cultura em Bauru também é local de homenagem a personagens que por aqui fizeram história. O Centro Cultural abrange a Secretaria Municipal de Cultura, a Biblioteca Central "Rodrigues de Abreu", a Gibiteca Municipal "Aucione Torres Agostinho", a Biblioteca Infantil "Ivan Engler de Almeida", a galeria "Angelina W. Messenberg", auditório "Helvécio de Barros" e o Teatro Municipal "Celina Lourdes Alves Neves".

Todos esses nomes são personalidades imortalizadas nas salas e auditórios no Centro Cultural que, ainda, leva o nome de "Carlos Fernandes de Paiva", localizado na avenida Nações Unidas, 8-9, no Centro de Bauru.

Samantha Ciuffa
Galeria Municipal faz homenagem a Angelina W. Messenberg

A começar por ele, Carlos Fernandes de Paiva, foi um maçom que desenvolveu diversos trabalhos, em prol da sociedade maçônica e bauruense, como fundador e/ou colaborador de diversas instituições, tais como o Lar Escola Rafael Maurício, o Automóvel Clube, o Bauru Tênis Clube, as Lojas Maçônicas "Arquitetos de Ormuzd" e "1º de Agosto", a Lusitana Futebol Clube (BAC) entre várias outras associações de grande importância para a cidade de Bauru.

Já Angelina Waldemarin Messenberg, que dá nome à galeria municipal do Centro Cultural, foi uma artista plástica. De descendência austríaca, nasceu em Capivari, em 1916, e morreu em Bauru, no ano de 1988. Com mais de 30 anos dedicados à arte, através do ensino, decorações, vários murais em residências, entre outras atividades, Angelina definiu sua trajetória na história da arte em Bauru.

TEATRO

Um dos principais pontos do Centro Cultural, o teatro municipal é uma homenagem à professora e teatróloga Celina Lourdes Alves Neves. Nascida em Taquaritinga, aos 6 de abril de 1920, recebeu o título oficial de Cidadã Bauruense em 17 de novembro de 1990. Ela foi grande incentivadora do teatro e outras manifestações culturais.

Samantha Ciuffa
Celina Lourdes Alves Neves é homenageada no teatro municipal

Tendo apenas o 1º grau, tornou-se autodidata, tendo escrito para o jornal Folha do Povo desde 1937. Mas pertenceu à Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg) desde 1981. Possuiu 34 certificados, dos quais destacam-se: Jornalismo, Literatura Brasileira, Oratória, Chefia e Liderança, Marketing e Propaganda, Teatro, Folclore, Contabilidade, Dramatização em Grupo, Cartazismo, Bíblia, Datilografia, Taquigrafia e Caligrafia, todos pelo Departamento Técnico do Ensino Profissional Livre. Ainda fez Curso de Psico-Drama no Senac.

Fundou e dirigiu por 11 anos a Federação de Teatro Amador de Bauru, dirigiu a Escola Progresso de datilografia por 42 anos e foi a primeira presidente da Academia Bauruense de Letras, da qual consta como uma das fundadoras e diretoras do Grupo Teatral Gil Vicente.

Celina ainda dedicou-se às crônicas, tendo escrito por seis meses a coluna "Balaio", do Diário de Bauru, e o texto de abertura do programa do radialista Maurício Picarelli, na Rádio Emissora Terra Branca. A professora apaixonada pelo teatro morreu em 2000, aos 80 anos, vítima de um ataque cardíaco. Mãe de Paulo, Celina e Carlos Alves Neves.

Casa Ponce Paz

Malavolta Jr.
Pinacoteca Municipal é a Casa Ponce Paz, no Centro, de Bauru

A Casa Ponce Paz é um espaço cultural da Secretaria Municipal de Cultura que abriga a Pinacoteca Municipal. No espaço são realizadas mostras, exibições, lançamento de livros, apresentações de artes cênicas e musicais.

A proposta do local é fazer diálogo entre as artes visuais como música, teatro, cinema, artes visuais e dança, localizada na rua Antônio Alves, 9-10, no Centro de Bauru.

Em 2008, funcionários da Secretaria Municipal de Cultura descobriram a existência de pinturas murais a seco em camadas internas das paredes da edificação, cuja autoria é dos irmãos João e Antônio Ponce Paz. Em homenagem aos artistas, a Casa recebeu o sobrenome da família.

A casa abriga também uma coleção permanente de obras de autoria dos irmãos Ponce, que incluem pinturas em aquarela, carvão e óleo sobre tela e esculturas em argila e concreto.

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