Bauru e grande região

Bairros

Nomes eternizados em construções pela cidade

Algumas histórias de personalidades que foram homenageadas com seus nomes em prédios públicos de Bauru

por Ana Beatriz Garcia

14/07/2019 - 07h00

Quem passa na correria do dia a dia por determinados lugares nem repara nos nomes que alguns dos prédios de Bauru carregam, fazendo homenagens a personalidades históricas da cidade. Seja na arte, na política ou no esporte, eles se eternizaram nesses locais visitados, frequentemente, por muita gente, por todos nós.

Deixando de lado os tradicionais tributos perpetuados em ruas e avenidas da cidade, o JC nos Bairros desta semana dá foco a alguns dos espaços que guardam, no nome, a memória de uma vida. Como é o caso de Alfredo de Castilho, que administrou a ferrovia Noroeste por quatro vezes e tem seu nome gravado no estádio do time da cidade - que, por sua vez, leva o nome da ferrovia, localizado na Vila Pacífico.

Foi ele que, em 1935, construiu e inaugurou o campo do Esporte Clube Noroeste, de Bauru, no centro da cidade, em um terreno da Santa Casa, localizado na rua Quintino Bocaiuva. Porém, este campo foi destruído, em novembro de 1958, por um incêndio.

Gustavo Lopes/Divulgação
Vista aérea do Estádio Alfredo de Castilho, o Alfredão, localizado na Vila Pacífico, em Bauru

Nos anos 50, o então coronel Américo Marinho Lutz, diretor da E.F. Noroeste do Brasil, pela segunda vez conquistou a verba necessária junto ao governo federal e iniciou a construção desse estádio. Quando as obras estavam adiantadas, ele deixou a direção da Noroeste do Brasil, vindo a ocupar aquele cargo Ubaldo Medeiros, engenheiro de carreira da ferrovia. que concluiu a obra, para satisfação da torcida noroestina.

Há quase 60 anos, no dia 5 de junho de 1960, foram realizadas as solenidades de inauguração do novo estádio do E.C. Noroeste, que inicialmente recebeu a denominação de Ubaldo Medeiros. Posteriormente, em meados de 60, o estádio teve a sua denominação trocada para Alfredo de Castilho (engenheiro que por vários nos também dirigiu a ferrovia) e que tinha o seu nome no velho campo.

Museu Ferroviário de Bauru/Divulgação
Alfredo de Castilho foi um importante diretor da ferrovia Noroeste do Brasil

O ENGENHEIRO

O engenheiro Alfredo de Castilho administrou a ferrovia Noroeste por quatro vezes. A primeira de 1925 a 1928; a segunda de 1929 a 1930; a terceira vez de 1934 a 1935 e a última de 1935 a 1937.

Em sua primeira administração é que se inaugurou a ponte ferroviária, denominada "Francisco Sá", sobre o Rio Paraná, em 12 de outubro de 1926. Também durante sua gerência é que quase toda "Variante Araçatuba-Jupiá" foi construída.

No início de 1937, Alfredo de Castilho encontrava-se doente e providenciava a construção de uma estação, após a de Paranápolis, cujo nome escolhido por ele seria de Cauê, quando veio a ser substituído pelo major-aviador Américo Marinho Lutz. O engenheiro Alfredo de Castilho morreu no ano de 1947.

 

 

De onde vem o hábito de homenagear as pessoas dando nome aos lugares?

Tiradentes, Castelo Branco, Getúlio Vargas, Avenida da Saudade, Dom Pedro e outros nomes são muito comuns em boa parte das cidades. Geralmente os nomes de logradouros e locais públicos são atribuídos a grandes políticos, personalidades importantes no cenário nacional ou local, como ex-prefeitos, ex-presidentes, entre outros.

Os nomes das ruas, mais especificamente, são definidos pela Câmara dos Vereadores, inclusive em algumas situações essas definições ocupam boa parte dos projetos que são analisados, discutidos e aprovados na câmara. Mas a decisão dos nomes, nem sempre eles partem deles.

A comunidade pode fazer esta sugestão levando em conta o nome de uma pessoa que foi importante para aquela comunidade e que desejem prestar uma homenagem póstuma para manter a memória da personalidade.

Você sabia?

É inconstitucional dar nome de pessoa viva a obras e locais públicos, de acordo com a Lei Federal nº. 6.454, de 24 de outubro de 1977

Leia mais:

Várias lembranças em um só lugar

Moussa Tobias gravou seu nome na história e endereços de Bauru