Bauru e grande região

Bairros

Especialista acredita na reurbanização como possível melhoria

Nilson Ghirardello, arquiteto e urbanista, fala sobre a evolução da região central e suas consequências

por Ana Beatriz Garcia

21/07/2019 - 07h00

Samantha Ciuffa
Nilson Ghirardello comenta sobre reurbanização da região central da cidade

A expansão natural da cidade ao longo de seus quase 123 anos gerou mudanças sensíveis na região central, principalmente, no entorno da praça Machado de Mello. O que, na análise do arquiteto e urbanista, Nilson Ghirardello, não é um processo particular de Bauru, mas de toda cidade que alcança determinado porte.

Para ele, ainda, a reurbanização do espaço central seria uma saída de melhoria para atrair novos investimentos para o endereço. “Em algumas cidades menores, é possível perceber que o Centro ainda tem uma função muito vital, onde as principais atividades da cidade ainda ocorrem ali”, diz. “Em Bauru, acabou se tornando uma região mais popular, com comércio forte, mas direcionado a outro público. Até porque trata-se de um local de fácil acesso, já que a Rodrigues Alves é um terminal de circulares que liga o Centro a diversos bairros da cidade. Isso não é um processo que ocorre só aqui, mas em diversas cidades do mesmo porte”, completa.

Vinicius Bomfim
Região central guarda edificações históricas de hotéis que atendiam a ferrovia e a rodoviária, décadas atrás

Nilson destaca, ainda, que o Centro se esvaziou quando começaram a surgir comércios dentro dos bairros, como no Jardim Bela Vista e na Vila Falcão, nos anos 50. “Isso também ocorre durante a construção do calçadão que, de certa forma, isola a região de outras partes da cidade. À noite, é um deserto quando cruzamos as transversais. Penso que uma das saídas para o Centro da seria trazer uma nova habitação para aquele local. Estratégia já utilizada em países da Europa e Estados Unidos, que constroem pequenos lofts para pessoas que buscam espaços pequenos próximos de tudo”, comenta.

Vinicius Bomfim
A antiga Estação Ferroviária Noroeste do Brasil é um dos prédios históricos presentes no local

OPÇÕES

Em relação aos imóveis antigos e degradados que compõe a paisagem, o arquiteto opina sobre o motivo do abandono. “Infelizmente, quase sempre isso ocorre como uma desculpa para deixar que os prédios quase que se autodestruam com a ação do tempo, para deixarem de ser tombados”, sugere. “Existem soluções para os proprietários. Em Curitiba, por exemplo, o estatuto da cidade prevê que o proprietário possa vender o direito de construção em outro lugar da cidade”, diz.

Ele ainda lembra do trabalho da Estação Rodoviária com o Museu Ferroviário. “Outra sugestão é que eles poderiam ser recuperados se tornando atrações para a cidade, como é o caso do museu. É possível dar outro uso aos espaços mesmo que tenham características bastante particulares”, finaliza.

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