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'Sinal vermelho' para o trânsito na Comendador

Por abarcar o fluxo de diferentes bairros e artérias da cidade, o congestionamento da avenida é motivo de reclamações e busca por alternativas

por Ana Beatriz Garcia

01/09/2019 - 06h00

Samantha Ciuffa

Avenida Comendador José da Silva Martha no sentido bairro-Centro, pela manhã

Ao longo de pouco mais de quatro quilômetros de via, o trânsito causa congestionamento, estresse e até acidentes para os motoristas que atravessam a avenida Comendador José da Silva Martha diariamente. O acúmulo de veículos nesta região é uma realidade antiga, que causa reclamações da população e já vem sendo pautada pelos poderes Legislativo e Executivo da cidade, que buscam alternativas.

Com início na Praça Portugal, no Jardim Estoril, a avenida segue ao longo de 42 quadras, fazendo uma importante ligação entre o Centro e a Zona Oeste da cidade, que compreende mais de 25 bairros, como Jardim Ouro Verde e Granja Cecília, além de condomínios e residenciais.

Sendo assim, em horários considerados de pico, entre 7h e 8h (no sentido Bairro-Centro) e 18h e 19h (no sentido Centro-Bairro), um longo congestionamento é formado. De acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), aproximadamente 2 mil veículos circulam por hora na avenida, sendo mil veículos por faixa em um único sentido. "Assim, considera-se que é uma via carregada, tendo em vista o número de veículos circulando por ela, o que gera fila no momento do fechamento do sinal para a avenida", afirma a nota.

Ainda de acordo com a Emdurb, o alto fluxo na via se dá pela soma do fluxo que vem da avenida José Vicente Aiello (Pq. da Nações, Residencial Tívoli I e II, Vila Lobos, entre outros), com o da rodovia Elias Miguel Maluf, dos veículos vindos de Piratininga, acessando a avenida Adnan Shahateet, seguindo pela Comendador, sentido zona sul.

A reportagem esteve na Comendador nos dois períodos de pico e constatou a queixa com os motoristas que passavam pelo local. "Aqui tem muito trânsito sempre. São muitas paradas o fluxo trava o tempo todo", diz Marlene Moia Viane, 56 anos, que passava por ali pela manhã.

'É TERRÍVEL'

Morador da Vila Nipônica, Giovane Gomes dos Santos, 29 anos, tem a avenida como caminho diário para trabalho. "Passo por aqui no horário de pico quando estou voltando do trabalho e é terrível", comenta. Ainda assim, ele comemora a implantação dos semáforos, em maio deste ano, nos cruzamentos da avenida com a rua Prof. Mariano Rostey Junior e com a avenida José Vicente Aiello. "Antes, ficava um trânsito feio. As pessoas ficavam cortando, uns mais devagar e outros correndo. Agora, eles não correm muito porque sabem que vão ter que parar. Você espera, mas pelo menos vai todo mundo de uma vez", destaca.

Já Luiz Augusto Arantes, de 40 anos, os novos dispositivos aumentaram o tempo no trânsito. "Parece que o semáforo deixou o trajeto ainda mais lento", diz.

A Emdurb afirma que a equipe semafórica monitorou o local e fez ajustes nos tempos de abertura e fechamento dos equipamentos, de forma a diminuir as filas. O semáforo, segundo a empresa, funciona de maneira que dê oportunidade aos motoristas de transporem as vias com segurança.

SAÍDAS

Morador do Jardim Terra Branca, André Turtelle Poles, 34, está acostumado a lidar com o trânsito ao sair de casa. "Tenho a Comendador e a Castelo Branco como opções de escoamento, mas a Castelo é mais estreita, uma pista só e bem engarrafada também. Aqui, na Comendador é bastante pesado na parte da manhã e à noite no outro sentido, do Centro para o Bairro. O trem passa por volta das 18h20 e cria um engarrafamento que demora para escoar", comenta.

De acordo com a Emdurb, existem outras possibilidades para acessar o Centro, dependendo da região. Algumas alternativas são a avenida Castelo Branco, a avenida José Henrique Ferraz e até mesmo a rodovia Eng. João Batista Cabral Renó, para quem vem de Piratininga.

Quem foi Comendador José da Silva Martha?

José da Silva Martha nasceu em Portugal e chegou ao Brasil em 1904. Eles e seus irmãos vieram para Bauru. Ele começou a trabalhar nas oficinas da ferrovia e na pensão de um irmão. Pouco tempo depois, passou a fornecer lenha para a Estrada de Ferro Noroeste e para a Light. Em 1928, Martha foi nomeado vice-cônsul de Portugal em Bauru e conduzido à categoria de Cônsul Honorário, em 1971. Faleceu em 1977, aos 84 anos.

 

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