Bauru e grande região

Bairros

'A gente quer uma oportunidade'

Mesmo na realidade dura do dia a dia, eles ainda pensam em realizar os seus sonhos de reencontrar a vida

por Ana Beatriz Garcia

13/10/2019 - 06h00

Samantha Ciuffa

Maria Aparecida Alves viveu por anos nas ruas e, no momento, está acolhida no Albergue Noturno

Aos 6 anos, Maria Aparecida Alves - Cidinha, como gosta de ser chamada - teve de se mudar de Cordeirópolis, onde nasceu, para Bauru. "Meu pai batia muito na minha mãe e ela matou ele. Aí foi presa e eu e os meus irmãos viemos para a Casa da Criança. Foi lá que eu cresci", conta, agora, aos 37 anos.

Depois de anos entre lares, prisão e a vida nas ruas, ela é aluna do Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos (Ceeja) e está acolhida no Albergue Noturno, tentando recomeçar. "Já fui internada duas vezes e não consegui completar a missão. Meu problema é que eu sou alcoólatra. Mas a gente não pode deixar de sonhar. Enquanto estou aqui, estou segura. Meu sonho é acordar pra vida, entrar na vida de novo, trabalhar e sair das ruas", conta.

Ao longo dos anos, ela conta que foi percebendo que, na rua, chegava gente de todos os lugares. "Todo mundo em busca de alguma coisa que não encontra. Se for ver, essas casas que ajudam estão sempre lotadas. As pessoas até querem mudar de vida, mas não conseguem", diz.

SOBREVIVÊNCIA

Antes de ser atendida pela entidade, ela vivia com um grupo de moradores de rua na Vila Ipiranga. Ela era a única mulher dentre cerca de 13 homens, mas não se intimidava. "A vida na rua é terrível, cada dia uma dificuldade, mas não pode ser muito vulnerável. A gente vai crescendo e vai aprendendo como faz pra sobreviver", afirma.

Quem vivia com ela neste grupo e ainda permanece nas ruas é José Luiz da Silva, de 51 anos. Ele conta que perdeu o contato com os irmãos e vive nesta situação há 10 anos. Ele comenta que, em seu grupo, alguns foram assistidos pelo município e que outros tiveram problemas de saúde e foram internados com o auxílio do Consultório na rua (leia mais abaixo). Ele, inclusive, teme por saber que convulsiona.

Preocupado com o local onde dormir, ele carrega em seu carrinho de reciclagem alguns cobertores doados e conta com a ajuda de uma igreja, na avenida Castelo Branco. "Eu costumo dormir por alí, porque tem toldo. A minha preocupação é que chova e molhe tudo", conta.

OPORTUNIDADE

Para José Luiz, mesmo sem ter muito bem para onde voltar, o caminho de todo dia é recolher recicláveis para conseguir algum dinheiro. "Faço uns R$ 5,00 por dia com isso, mas o que eu queria mesmo era trabalhar como pintor e conseguir me manter em algum lugar, não consigo ficar parado, sem trabalhar", diz, garantindo que é um bom profissional.

Cidinha, do início desta matéria, também sente falta de um emprego. "Eu queria que tivesse um projeto para gente. A gente precisa de trabalho, para ganhar qualquer dinheiro. Tem muita gente aí que tem cabeça, tem ideias, tem inteligência, mas optou por esse caminho por conta da família ou das drogas. Dormir e comer é bom, mas a gente amanhece e a vida continua a mesma. A gente queria oportunidade", finaliza.

Unidade Móvel

Com pouco mais de um ano no município, o “Consultório na Rua” é um serviço desenvolvido em parceria com o Governo Federal, dentro da Política Nacional de Atenção Básica que conta com uma equipe multiprofissional composta por médico, psicólogo, técnico de enfermagem, enfermeiro, assistente, agente social e motorista. A unidade móvel realiza atendimento no período da manhã e início de tarde, das 7h às 13h.

O serviço atua de duas maneiras: segunda, terça, quinta e sexta-feira no primeiro período da manhã a equipe atende nos serviços de acolhimento (Casa de passagem feminina e masculina, Albergue noturno e Centro Pop). Às terças-feiras, quinzenalmente, na praça Dom Pedro II e às quartas-feiras na praça das Cerejeiras e praça Rui Barbosa sendo intercaladas, também, quinzenalmente. No segundo período, o consultório circula diariamente pelos principais pontos de concentração dos moradores de rua e realiza a busca ativa.

'Ela é um anjo'

Aos 6 anos, Maria Aparecida Alves - Cidinha, como gosta de ser chamada - teve de se mudar de Cordeirópolis, onde nasceu, para Bauru. "Meu pai batia muito na minha mãe e ela matou ele. Aí foi presa e eu e os meus irmãos viemos para a Casa da Criança. Foi lá que eu cresci", conta, agora, aos 37 anos.

Depois de anos entre lares, prisão e a vida nas ruas, ela é aluna do Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos (Ceeja) e está acolhida no Albergue Noturno, tentando recomeçar. "Já fui internada duas vezes e não consegui completar a missão. Meu problema é que eu sou alcoólatra. Mas a gente não pode deixar de sonhar. Enquanto estou aqui, estou segura. Meu sonho é acordar para a vida, entrar na vida de novo, trabalhar e sair das ruas", conta.

Ao longo dos anos, ela conta que foi percebendo que, na rua, chegava gente de todos os lugares. "Todo mundo em busca de alguma coisa que não encontra. Se for ver, essas casas que ajudam estão sempre lotadas. As pessoas até querem mudar de vida, mas não conseguem", diz.

SOBREVIVÊNCIA

Antes de ser atendida pela entidade, ela vivia com um grupo de moradores de rua na Vila Ipiranga. Ela era a única mulher dentre cerca de 13 homens, mas não se intimidava. "A vida na rua é terrível, cada dia uma dificuldade, mas não pode ser muito vulnerável. A gente vai crescendo e vai aprendendo como faz para sobreviver", afirma.

Quem vivia com ela neste grupo e ainda permanece nas ruas é José Luiz da Silva, de 51 anos. Ele conta que perdeu o contato com os irmãos e vive nesta situação há 10 anos. Ele comenta que, em seu grupo, alguns foram assistidos pelo município e que outros tiveram problemas de saúde e foram internados com o auxílio do Consultório na Rua (leia nesta página). Ele, inclusive, teme por saber que convulsiona.

Preocupado com o local onde dormir, ele carrega em seu carrinho de reciclagem alguns cobertores doados e conta com a ajuda de uma igreja, na avenida Castelo Branco. "Eu costumo dormir por ali, porque tem toldo. A minha preocupação é que chova e molhe tudo", conta.

OPORTUNIDADE

Para José Luiz, mesmo sem ter muito bem para onde voltar, o caminho de todo dia é recolher recicláveis para conseguir algum dinheiro. "Faço uns R$ 5,00 por dia com isso, mas o que eu queria mesmo era trabalhar como pintor e conseguir me manter em algum lugar, não consigo ficar parado, sem trabalhar", diz, garantindo que é um bom profissional.

Cidinha, do início desta matéria, também sente falta de um emprego. "Eu queria que tivesse um projeto para gente. A gente precisa de trabalho, para ganhar qualquer dinheiro. Tem muita gente aí que tem cabeça, tem ideias, tem inteligência, mas optou por esse caminho por conta da família ou das drogas. Dormir e comer é bom, mas a gente amanhece e a vida continua a mesma. A gente queria oportunidade", finaliza.

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